ODS 1
Rio enfrenta as bets. Quem serão os próximos?
Poder público - federal, estadual e municipal - precisa combater a fantasia do dinheiro fácil e passar a enxergar apostas como um problema social
“As bets são uma praga”. É assim que o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, iniciou o pronunciamento em vídeo sobre a decisão de tornar a cidade o primeiro exemplo nacional na proibição de publicidade externa de plataformas de apostas em espaços públicos..
O decreto do prefeito vem no bojo de uma multa aplicada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) à casa de apostas Betano no valor de R$194 mil por publicidade irregular instalada em uma fachada na Lapa, região central do Rio. O painel, com 288 metros quadrados e localizado próximo à Escadaria Selarón, foi exibido sem autorização alguma da Prefeitura.


Nas últimas semanas, o país se viu preso ao debate sobre as propagandas das casas de apostas por meio da Copa do Mundo, atrelado a uma grande repercussão negativa da ampla exposição das bets nas transmissões das partidas. Dados obtidos pelo site Intercept Brasil indicam que o número de dias de número de auxílio-doença mensalmente por ludopatia aumentou mais de 2.300% — foram 276 benefícios concedidos no total entre junho de 2023 e abril de 2025.
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Veja o que já enviamosHá iniciativas também no Executivo e no Legislativo também endurecendo as regras. Entram em vigor exatamente nesta sexta-feira (17/07) as novas regras para a publicidade das bets: as medidas tornam obrigatória a exibição de advertências do Ministério da Fazenda em todas as campanhas e ampliam as restrições ao conteúdo das propagandas, com proibição de anúncios que incentivem apostas como forma de ganhar dinheiro ou utilizem comentaristas para influenciar o público.
No Congresso Nacional, já foram apresentados mais de 10 projetos apenas sobre a restrição da propaganda das plataformas de apostas. Assim o tema se transforma em bandeira política real, capaz de mobilizar e engajar eleitores endividados, famílias afetadas e que perderam seus entes, uma opinião pública cada vez mais impaciente com a exploração de vulnerabilidades financeiras.
O Rio de Janeiro abre a corrida com suas iniciativas municipais e estaduais, num reflexo claro: entende que quem irá às urnas cobrará posição de candidatos sobre a febre das apostas. E com o Ministério Público mostrando disposição para processar nomes de peso e pedir indenizações milionárias. O discurso parece estar mudando e deixando a superfície. Deixou de ser apenas sobre influenciadores e agora chega a uma camada mais dura.


A Prefeitura de Belo Horizonte já anunciou que vai seguir o exemplo do Rio e proibir a propaganda das bets; em São Paulo, a Câmara Municipal já debate projeto na mesma direção e o prefeito da capital paulista anuncia apoio à medida.
A pergunta que fica é inevitável: qual será a próxima cidade a enfrentar a fantasia do dinheiro fácil e a enxergar este como um problema social?
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