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Veja o que já enviamos‘ESG como causa e valor’: Andréa Pitta e a consistência que redefine o mercado de experiências
Como o mercado de marketing pode incorporar a necessidade de saúde mental das equipes e a pluralidade de vozes?
O mercado de live marketing brasileiro não está apenas crescendo; está se transformando em uma das engrenagens mais vitais da economia criativa nacional. Segundo o Anuário Brasileiro de Live Marketing, que lançou um panorama há dois dias, os investimentos na área devem ultrapassar os 120 bilhões de reais em 2026.
Esse avanço é impulsionado por uma nova fronteira de experiências híbridas e imersivas que tentam responder à demanda de consumidor cada vez mais exigente e conectado. No entanto, num setor que muitas vezes se perde no brilho efêmero da tecnologia e do espetáculo, o grande desafio não é apenas “parar a rua”, e sim deixar um legado.
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Veja o que já enviamosÉ neste cenário de expansão e complexidade que a trajetória de Andréa Pitta, CEO da Fibra.Ag, se destaca por um atributo singular: a consistência. Com carreira de 30 anos que começou no imediatismo dos programas ao vivo da TV e evoluiu para a liderança de uma das agências mais influentes do país, Andréa – que é uma das poucas líderes mulheres e negra na cena da comunicação brasileira – não trata o ESG (Ambiental, Social e Governança) como um selo de última hora ou um item de checklist pós-evento.
Para ela, a consciência social e a diversidade são as fundações de cada projeto, transformando ativações de marcas globais como Samsung, Coca-Cola e YouTube em plataformas de diálogo real.
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À frente da Fibra.Ag, Pitta prova que a execução de grandes projetos — sendo um dos mais recentes o Tour da Taça da Copa do Mundo — é indissociável de um modelo de gestão que prioriza a saúde mental das equipes e a pluralidade de vozes. Em conversa ao Colabora, abordamos como a “cultura de paz” e o compromisso com o impacto social estão moldando o futuro de um setor que movimenta bilhões, mas que só sobrevive se for capaz de gerar conexões genuinamente humanas.
Edu Carvalho: Andréa, o setor de live marketing projeta investimentos de R$ 100 bilhões para 2026. Como manter a essência humana e a consistência do discurso em um mercado que cresce nessa escala e aposta tanto em tecnologias imersivas?
Andréa Pitta: O crescimento é reflexo de uma necessidade cada vez maior de contato social, e a tecnologia deve ser o meio, não o fim. Na Fibra.Ag, a nossa consistência vem de entender que uma experiência de marca é um conteúdo vivo. Minha bagagem em televisão me ensinou que o “ao vivo” não permite erros de caráter. Para absorver essa demanda bilionária sem perder a alma, investimos em equipes plurais. A inovação real não vem do software, mas da capacidade de um time diverso em entender diferentes Brasis e criar algo que faça sentido para o público na ponta.


Edu Carvalho: Você menciona que o ESG na Fibra.Ag nasce na criação. Como foi o processo de educar o mercado e os grandes clientes para que a sustentabilidade fosse vista como estratégia e não apenas custo?
Andréa Pitta: Fomos a primeira agência de live marketing a aderir ao Pacto Global da ONU. Isso dá um norte. No Tour da Taça, por exemplo, humanizamos a experiência para que ela fizesse sentido socialmente em cada cidade. A resistência do mercado diminui quando você entrega resultados impecáveis pautados pela ética. Quando o cliente percebe que o evento é sustentável, diverso e que a equipe está trabalhando em um ambiente de “cultura de paz”, ele nota que o valor da marca dele também sobe. É uma questão de coerência: o que a marca diz no comercial tem que estar presente na forma como o evento dela é montado.
Edu Carvalho: O mercado de eventos é conhecido pela alta pressão e jornadas exaustivas. Como você aplica sua visão de liderança para garantir a saúde mental da equipe em operações de alta complexidade?
Andréa Pitta: Saúde mental em eventos não é apenas ter um espaço de descompressão; é dar voz ao time. Em operações complexas, com múltiplos stakeholders, o suporte emocional faz com que o trabalho flua de forma natural. Quando o profissional se sente acolhido e respeitado em sua individualidade, ele entrega melhor. Essa é a base do nosso modelo: tratar a execução em grande escala com um olhar profundamente humano.
Edu Carvalho: Como uma liderança feminina e negra, qual o peso da representatividade na sua tomada de decisão frente à expansão internacional da agência para México e Argentina?
Andréa Pitta: O peso é a responsabilidade de abrir caminhos. O racismo estrutural ainda faz com que sejamos mais observadas em mesas de negociação, mas eu uso isso como combustível para entregar projetos com uma consistência inquestionável. Na nossa expansão pela América Latina, percebo que temas como o ESG e a diversidade ainda têm muito espaço para amadurecer. Levar o DNA da Fibra.Ag para esses países é também exportar um modelo de marketing mais consciente, onde a entrega técnica caminha lado a lado com a relevância cultural.
Edu Carvalho: Para fechar: que legado você quer consolidar para a próxima década do live marketing brasileiro?
Andréa Pitta: Quero que a gente deixe de falar de ativação apenas como entrega de métricas e passe a falar de transformação. Se uma ação nossa der a oportunidade para uma pessoa ampliar sua visão social ou se sentir representada, teremos cumprido o propósito. O marketing consciente é o único caminho para marcas que desejam ser lembradas. No fim das contas, a consistência das nossas atitudes é o que constrói a consciência coletiva.
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