Ratna Viswanathan em visita a uma escola pública na Índia: buscando transformar a educação nas regiões mais vulneráveis (Foto: Reach To Teach)

Ratna Viswanathan em visita a uma escola pública na Índia: buscando transformar a educação nas regiões mais vulneráveis (Foto: Reach To Teach)

Ratna Viswanathan: da carreira pública à missão de transformar a educação nas regiões mais vulneráveis da Índia

Ratna Viswanathan: da carreira pública à missão de transformar a educação nas regiões mais vulneráveis da Índia

Por Camila Batista ODS 10ODS 4ODS 5

Depois de ajudar mulheres a empreender, auditora e educadora indiana trabalha para levar crianças, principalmente meninas, para a escola e prepará-las para a vida e o mercado de trabalho

Publicada em 22 de junho de 2026 - 10:00 • Atualizada em 22 de junho de 2026 - 10:07

Existe um fio invisível entre o lugar onde nascemos e o que nos tornamos. E o fio da história de hoje atravessa o oceano e chega até um dos países que mais me encantam: a Índia.

Estamos diante do país mais populoso do mundo: 1,4 bilhão de pessoas distribuídas por 28 estados e 8 territórios, com mais de 250 línguas faladas. Um subcontinente que é, na prática, muitos países dentro de um só. Cada região tem sua própria culinária, seus tecidos, tradições e ritmos.

Você sabia que o número de eleitores registrados na Índia é maior do que a população inteira da Europa? É por isso que o país é frequentemente chamado de a maior democracia do mundo: uma nação repleta de oportunidades e complexidades.

E, no entanto, em meio a todo esse gigantismo, mais da metade das crianças das escolas públicas indianas não consegue ler um texto simples ao final do quinto ano, segundo o Relatório Anual sobre a Situação da Educação (ASER), elaborado pela organização Pratham e considerado uma das principais referências para políticas públicas no país. Além disso, 87% das escolas públicas estão localizadas em áreas rurais, justamente onde a infraestrutura é mais precária e os professores enfrentam os maiores desafios.

É dessa fissura entre a Índia que impressiona o mundo com seu crescimento e a Índia que ainda luta para garantir oportunidades básicas aos mais pobres que emerge a história de Ratna Viswanathan.

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Muito do nosso aprendizado era tocar, sentir, ouvir, ver, fazer. Era uma aprendizagem espacial, não linear. E isso te ajuda em tudo depois, porque você aprendeu a perguntar por quê. E o por quê fica com você para o resto da vida

Ratna Viswanathan
Auditora, educadora e ativista

Conheci Ratna em um evento global de empreendedores de impacto social. Ela foi apresentada ao grupo com uma lista de cargos que tomaria parágrafos para descrever: ex-servidora pública, ex-CEO de uma rede de microfinanças, ex-dirigente da ONU, hoje CEO de uma organização de educação. Mas o que me chamou atenção não foi a lista. Foi o que ela disse quando conversamos, quase de passagem, sobre amizade. “Eu amo fazer amigos de verdade”, ela disse, “sem a intenção de, você sabe, preciso falar com essa pessoa porque ela pode me ajudar em algo.” Conectamo-nos de imediato e fiquei pensando: quanto a história de Ratna tinha a dizer sobre a Índia que não aparece nos noticiários?

Na cultura indiana, existe um mantra ancestral que define as prioridades de uma vida: Mata, Pita, Guru, Daivam, mãe, pai, professor, Deus. Nessa ordem. O professor vem antes da divindade. Registrado nos textos védicos e ainda hoje recitado em muitas famílias indianas, ele expressa uma visão de mundo que coloca o ato de ensinar no centro do sagrado. É difícil pensar em um país onde a educação seja, ao mesmo tempo, tão venerada na cultura e tão desigual na prática.

A deusa Saraswati, com seu livro e sua vina, instrumento musical de cordas, ao lado do cisne que a acompanha, é a divindade do conhecimento, da sabedoria e das artes. É ela quem os estudantes invocam antes das provas. É a ela que os professores dedicam o primeiro dia letivo. A Índia venera o saber como coisa sagrada e ao mesmo tempo convive com um sistema educacional herdado do colonialismo britânico que durante décadas premiou a memorização e a obediência. Essa contradição está no coração do trabalho de Ratna.

Ratna em evento na Índia: depois de 21 anos como auditora pública, trabalho na sociedade civil com empreendedorismo para mulheres e educação para crianças e jovens (Foto: Reach To Teach)
Ratna em evento na Índia: depois de 21 anos como auditora pública, trabalho na sociedade civil com empreendedorismo para mulheres e educação para crianças e jovens (Foto: Reach To Teach)

Ratna e seu aprendizado sem discriminação

Ratna nasceu no Estado de Orissa na parte leste da Índia, região costeira onde o arroz e o peixe são o alimento base. “As pessoas nascidas na costa comem muito peixe”, ela conta, rindo, antes de lembrar que a culinária indiana vai muito além do que o mundo imagina. “Não é chicken tikka. É chicken tikka de cem maneiras diferentes. Em uma região, o mesmo legume pode ser cozinhado de pelo menos 50 formas diferentes”.

A família se mudou cedo, primeiro para Kolkata e depois para Lucknow, capital do estado de Uttar Pradesh. Conhecida como a “cidade dos Nawabs”, Lucknow é famosa pela sua tehzeeb, expressão urdu que descreve uma riqueza cultural que mistura refinamento, cortesia e hospitalidade construídos ao longo de séculos de convivência entre comunidades. Sob o patronato dos Nawabs de Awadh, a cidade floresceu como um centro de arte e literatura, desenvolvendo uma identidade única que combina etiqueta refinada e excelência artística. Foi lá que Ratna estudou o mestrado em Literatura Inglesa e se habilitou para o serviço público.

Lucknow é também a cidade onde cresceu Ismat Chughtai, uma das escritoras mais subversivas que a literatura indiana já produziu. Nascida no início do século XX, Chughtai escrevia em urdu sobre o desejo feminino, a opressão doméstica e os silêncios que as mulheres carregavam dentro de casa, em uma época em que simplesmente nomear essas experiências era um ato de coragem. Foi julgada por obscenidade, mas não se intimidou. Seguiu escrevendo, provocando e abrindo caminhos para gerações de mulheres que vieram depois. Ao caminhar por Lucknow, é difícil não pensar que esta cidade guarda uma longa tradição de mulheres que desafiaram o silêncio. Talvez por isso suas histórias continuem ecoando pelo mundo.

Me apaixonei pelo setor porque ele criava inclusão financeira para mulheres, ajudava-as a criar empresas e dava a elas voz dentro de casa

Ratna Viswanathan
Auditora, educadora e ativista

Mas antes disso, houve um internato no sul da Índia, a Rishi Valley, uma escola fundada pelo filósofo Jiddu Krishnamurti, encravada em um vale de 340 acres, rodeada de árvores e animais de todos os tipos. O método era diferente: aprendizagem por experiência, por tato, por curiosidade. “Muito do nosso aprendizado era tocar, sentir, ouvir, ver, fazer”, ela me contou. “Era uma aprendizagem espacial, não linear. E isso te ajuda em tudo depois, porque você aprendeu a perguntar por quê. E o por quê fica com você para o resto da vida”. Essa semente, plantada lá nos idos da infância, seria o fio que ligaria os capítulos que vieram depois.

Ratna cresceu em uma família de seis irmãos: cinco irmãs e um irmão. Em um país onde a chegada de uma menina ainda é, em muitas regiões, recebida com menos festa do que a de um menino, e onde a hierarquia doméstica costuma favorecer os filhos homens, a criação que ela recebeu foi, sem alarde, um ato político.

“Meus pais nos trataram de forma absolutamente igual. Discriminação de gênero não era algo com o qual eu cresci”. E isso moldou tudo. “Crescemos, nós seis irmãos, assumindo que meninos e meninas eram iguais. Que cada um de nós estava igualmente empoderado”. Quando ela foi para o mundo, já sabia fazer escolhas com confiança. “Acho que tenho os melhores pais do mundo porque eles nunca nos fizeram sentir que ser menina era ser menos”.

Muitos parentes da família eram servidores públicos. Foi provavelmente por isso que a ideia de tentar o UPSC, o concurso público mais difícil da Índia, que seleciona algumas centenas de pessoas entre milhões de candidatos a cada ano, entrou no radar de Ratna. Ela não tinha grandes planos: estava no mestrado em Literatura Inglesa e tentou o exame, junto com amigos. Passou.

Meninas e meninos com computadores em escola primária pública em área rural no oeste da Índia: Reach to Teach, ONG dirigida por Ratna, atua no aprimoramento do aprendizado (Foto: Divulgação)
Meninas e meninos com computadores em escola primária pública em área rural no oeste da Índia: Reach to Teach, ONG dirigida por Ratna, atua no aprimoramento do aprendizado (Foto: Divulgação)

Inclusão financeira para mulheres

Classificada inicialmente para o IPS, a Polícia Indiana, a família achou que alguém tão direta e com um coração tão aberto seria um desastre no comando policial. Ela ingressou então no Indian Audit and Accounts Service, serviço de auditoria vinculado à Controladoria Geral da União da Índia, cargo que oferece uma visão panorâmica de como o Estado funciona em toda a sua extensão.

Por 21 anos, ela trabalhou em auditoria no Ministério da Defesa, onde atuou em compras para a Marinha, em operações e na mesa de inteligência do Exército, e em comunicações públicas. Uma carreira de prestígio, protegida, estável: o sonho de muitas famílias.

“O governo é denso”, ela reflete. “A menos que você entenda o governo, você não entende os sistemas de governo. Em um país, se você quer realmente promover mudança, é muito importante entender como o governo funciona. Porque trabalhando junto ao governo, você pode promover mudanças muito maiores do que se ficar lá de fora. Não importa quão grande seja o seu ativismo. Você pode criar disrupção, mas não pode criar mudanças”. Duas décadas no serviço público não foram uma prisão. Foram um laboratório.

Em 2008, depois de 21 anos, Ratna pediu demissão voluntariamente. Na Índia, abrir mão de um cargo no serviço civil é quase uma heresia familiar. O emprego público é visto como escudo contra as imprevisibilidades da vida, especialmente para mulheres. Mas havia algo maior esperando do outro lado.

Mais da metade das crianças deste país estudam em escolas públicas; 87% dessas escolas estão na Índia rural. São escolas com recursos insuficientes, crianças de famílias de baixa renda. Se você quer crescer como economia e metade das crianças não aprende direito, você não vai alcançar o crescimento que busca

Ratna Viswanathan
Auditora, educadora e ativista

A ONG internacional Oxfam estava em um momento de transição importante na Índia: transformando seu escritório de ligação em uma organização nacional de pleno direito, com autonomia para operar e tomar decisões localmente. Precisava de uma Diretora de Operações que entendesse o país por dentro. Ratna foi a pessoa que eles buscavam. Ela, que havia passado duas décadas auditando o Estado indiano, era exatamente o perfil que buscavam: alguém que conhecia o governo não como observadora externa, mas como parte dele. “Para mim, foi como uma aventura. Por que não?” Depois da Oxfam, veio a VSO, Voluntary Service Overseas, outra organização britânica com longa atuação em países em desenvolvimento. Depois, o microcrédito.

Ela foi convidada para ser CEO da MFIN, a Rede de Instituições de Microfinanças da Índia, sem saber muito sobre o setor. Mas percebeu que a organização precisava criar um arcabouço de auto-regulação, algo que conversava diretamente com seu histórico em auditoria. Ela topou o desafio.

E foi lá que aconteceu algo que ela não esperava. “Me apaixonei pelo setor porque ele criava inclusão financeira para mulheres, ajudava-as a criar empresas e dava a elas voz dentro de casa”. Na cultura indiana, onde o controle financeiro doméstico frequentemente passa por filtros masculinos, tanto em aldeias rurais quanto em apartamentos urbanos, ter acesso a crédito não é apenas um dado econômico. É ter presença. É ocupar espaço.

A equidade acontece quando percebemos que as meninas não estão frequentando as aulas e buscamos suas famílias para entender os motivos e garantir que elas também possam estar ali. Isso é equidade

Ratna Viswanathan
Auditora, educadora e ativista

Ao pensar nisso, me lembro da escritora e ativista indiana Arundhati Roy, vencedora do Booker Prize com o romance “O Deus das Pequenas Coisas” e uma das minhas escritoras favoritas. Em um de seus ensaios, ela escreveu: “Não existe algo como as pessoas sem voz. Existem apenas as deliberadamente silenciadas, ou as propositalmente ignoradas”. Cada mulher que abriu uma conta, que recebeu um microcrédito, que comprou os insumos do seu negócio, que pagou as próprias contas, era uma pessoa saindo do silêncio. Ratna ajudou a construir a estrutura que tornou isso possível em escala.

Depois vieram o UNEP e o PNUD, onde o trabalho tinha a densidade e a estrutura típicas das grandes agências da ONU. Em 2019, Ratna participou de um processo seletivo para a Reach to Teach, uma organização britânica dedicada à melhoria da educação pública. E a organização precisava de alguém que entendesse o governo indiano por dentro, que soubesse navegar o sistema sem se perder nele.

Ratna se tornou a primeira CEO indiana da Reach to Teach em 2020. Quando chegou, a organização trabalhava em um único estado indiano, em três distritos. “A Índia tem 28 estados, e cada estado é como um mini país”, ela explica. “Percebi: você ficou aqui por quase 13 anos e precisa levar o que aprendeu para o próximo nível, para onde o impacto seja muito mais amplo”.

Ratna em evento com educadores na Índia: desenvolvimento e capacitação de professores (Foto: Reach to Teach)
Ratna Viswanathan em evento com educadores na Índia: desenvolvimento e capacitação de professores (Foto: Reach to Teach)

O desafio da educação completa na Índia

Hoje, com uma equipe de 37 pessoas e acordos com quatro governos estaduais, a organização alcança cerca de 7 milhões de crianças. O modelo é de design educacional: desenvolvido em parceria com governos, exclusivamente em escolas públicas, do jardim de infância ao ensino médio. O foco central é tornar o aprendizado uma experiência, não uma obrigação.

“Mais da metade das crianças deste país estudam em escolas públicas; 87% dessas escolas estão na Índia rural. São escolas com recursos insuficientes, crianças de famílias de baixa renda. Se você quer crescer como economia e metade das crianças não aprende direito, você não vai alcançar o crescimento que busca.”

Para os alunos do ensino médio, que em sua maioria sairão direto para o mercado de trabalho, há módulos intensivos sobre educação financeira e orientação profissional. Porque a Reach to Teach sabe que a maioria desses jovens não vai para a universidade. E prepara para a vida que de fato os espera.

Mas, para Ratna, preparar crianças para a vida também significa garantir que todas elas consigam chegar à sala de aula.

“Quando temos meninos e meninas em uma escola, estamos falando de educação para todas as crianças. A equidade acontece quando percebemos que as meninas não estão frequentando as aulas e buscamos suas famílias para entender os motivos e garantir que elas também possam estar ali. Isso é equidade”.

Há uma Índia que o mundo conhece pelos filmes de Bollywood, pelas cenas e os dourados dos saris, pelos casamentos de três dias e pelas famílias extensas em volta de uma só mesa. E há uma Índia que está mudando, silenciosa e profundamente nas decisões que as mulheres tomam em seus quartos.

Com as mulheres trabalhando, a narrativa tem mudado muito. Isso te dá independência, te dá condições de cuidar de si mesma, pelo menos do ponto de vista financeiro

Ratna Viswanathan
Auditora, educadora e ativista

A Índia sempre produziu mulheres que recusaram o silêncio. Irom Sharmila, ativista do estado de Manipur, no nordeste do país, fez uma greve de fome de 16 anos contra a lei que concedia imunidade ao exército por violações de direitos humanos. O governo a alimentava à força para que não morresse. Ela continuou. Sampat Pal Devi fundou o Gulabi Gang, o grupo das mulheres de sari rosa que percorrem aldeias rurais para enfrentar a violência doméstica e a injustiça contra as mais pobres. Medha Patkar dedicou décadas a defender comunidades inteiras deslocadas por grandes barragens, caminhando ao lado de mulheres e povos tribais que o progresso costuma deixar para trás. Em todas elas, há uma mesma convicção: a de que a transformação de um país começa justamente por aqueles que ele insiste em não enxergar.

Ratna foi casada com um colega de turma do serviço civil durante mais de duas décadas. Juntos, tiveram uma filha, hoje com 31 anos. “Depois de 24 anos juntos, percebemos que estávamos nos afastando. Em vez de tornar isso feio, de brigar e criar amargura, apenas dissemos: vamos nos separar e continuar amigos”. E assim fizeram.

Professora e alunos com material feito em parceria pela Reach To Teach: foco em educação nas regiões mais vulneráveis da Índia (Foto: Divulgação)
Professora e alunos com material feito em parceria pela Reach To Teach: foco em educação nas regiões mais vulneráveis da Índia (Foto: Divulgação)

O divórcio na Índia carregou por décadas um estigma pesado, e quase sempre a culpa recaía sobre a mulher. “Com as mulheres trabalhando, a narrativa tem mudado muito. Isso te dá independência, te dá condições de cuidar de si mesma, pelo menos do ponto de vista financeiro”. Ratna menciona ainda os “silver divorces” (divórcios prateados), casais que, após os filhos criados, escolhem seguir caminhos separados. Um fenômeno novo, em processo de aceitação. “É diferente do que era antes”, mesmo que ainda existam certas barreiras estruturais a enfrentar.

Inclusão financeira cria voz dentro de casa. Voz dentro de casa cria liberdade para escolher. A conexão entre o trabalho de Ratna nas microfinanças e a mudança cultural que ela descreve na Índia não é indireta. É profunda e concreta.

Em sânscrito, Ratna significa jóia preciosa.

Ela poderia ter ficado no serviço público até a aposentadoria, protegida, respeitada, anônima na vastidão da burocracia. Em vez disso, escolheu a exposição, a incerteza, e o trabalho de construir, tijolo por tijolo, estruturas que alcançam os mais vulneráveis. Primeiro o crédito para as mulheres mais pobres. Depois, a alegria de aprender das crianças mais esquecidas. Hoje, com 63 anos, é inspirador ver sua energia.

“Muitas coisas que aconteceram na minha vida aconteceram de forma muito orgânica”, ela diz, com aquele sorriso que percorre toda a conversa. “E eu nunca me arrependi.”

No Brasil, onde as desigualdades entre escola pública e privada, entre campo e cidade, entre meninas e meninos que chegam ou não chegam ao colégio, são familiares, a história de Ratna ressoa. A Índia e o Brasil têm, como ela mesma disse, muito em comum. E talvez o que mais compartilhem sejam as mulheres que, sem fazer alarde, movem as engrenagens da mudança e deixam marcas profundas no futuro de seus países.

Jóia preciosa, de fato.

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Camila Batista

Camila Batista Pinto, advogada e ativista pelos direitos das mulheres, é uma empreendedora social brasileira e COO da Migraflix, organização que promove a inclusão social e econômica de migrantes e refugiados na América Latina por meio do empreendedorismo; também preside o Conselho Consultivo da Migration Youth and Children Platform (MYCP), plataforma global oficial de participação juvenil em processos intergovernamentais e no sistema das Nações Unidas, e é conselheira da organização Palhaços Sem Fronteiras Brasil

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