A arrancada dos carros elétricos

Vendas disparam mas fim dos postos de gasolina ainda não aparece no horizonte

Por José Eduardo Mendonça | ods7 • Publicada em 18 de Maio de 2016 - 08:00 • Atualizada em 19 de Maio de 2016 - 11:14

Mas 276 mil pessoas entraram em uma fila de compra, em dois dias, após a Tesla anunciar seu novo sedan, o Model 3, que custa cerca de U$ 40 mil
Mas 276 mil pessoas entraram em uma fila de compra, em dois dias, após a Tesla anunciar seu novo sedan, o Model 3, que custa cerca de U$ 40 mil.
Mas 276 mil pessoas entraram em uma fila de compra, em dois dias, após a Tesla anunciar seu novo sedan, o Model 3, que custa cerca de U$ 40 mil

No começo de maio o jornal japonês Japan Times informou que no país, terceira maior economia do mundo, já há mais estações de recarga de carros elétricos do que postos de gasolina. São 40 mil versus 34 mil. Os postos de recarga domésticos foram incluídos na conta.

Os números foram fornecidos pela Nissan, que tem óbvio interesse em divulgá-los por ser uma das montadoras na linha de frente da revolução do transporte pessoal e querer impulsionar suas vendas. Seu modelo Leaf roda 170 km por carga, e quanto mais pontos, melhor – um dos argumentos fortes contra a adoção do carro elétrico é a chamada “ansiedade de rodagem”. Ninguém vai comprar um veículo ainda muito caro por amor ao planeta para ficar a pé.

Lugar de vender carro pode não ser mais daqui em diante aquelas lojas enormes cheias de balões de festa. E carros elétricos não são mais apenas um mercado de nicho, e nem as geringonças lentas que se imaginava seriam por bom tempo.

(Existe um aplicativo de smartphone que mapeia onde estão estações de recarga em todo o mundo, o Plugshare. Com ele o usuário pode se conectar a outros, trocar cargas e pronto, nasce mais uma ferramenta de economia partilhada.)

Se estes dados do Japão impressionam, ainda que inflados, um outro, dos EUA, revela uma inelutável concretude. No mercado americano, modelos populares como o Honda Accord e o Nissa Altima vendem em geral 300 mil unidades por ano.

Mas 276 mil pessoas entraram em uma fila de compra, em dois dias, após a Tesla anunciar seu novo sedan, o Model 3, que custa cerca de U$ 40 mil. A fábrica foi inaugurada em 2003 pelo visionário Elon Musk (@emusk, vale seguir), com a missão de produzir exclusivamente carros elétricos.

As encomendas ultrapassaram em muito as projeções mais otimistas, e revelam coisas interessantes. Primeiro, o resto do setor está dormindo, assim como sua rede comercial. Lugar de vender carro pode não ser mais daqui em diante aquelas lojas enormes cheias de balões de festa. E carros elétricos não são mais apenas um mercado de nicho, e nem as geringonças lentas que se imaginava seriam por bom tempo – o Model 3 tem alto desempenho.

Voltemos à questão do planeta. Qual pode ser o impacto positivo de adoção em massa de transporte que não utilize combustível fóssil? Novos carros, por mais revolucionários que sejam, são feitos de materiais não renováveis, e as fases de produção, montagem e distribuição emitem uma quantidade significativa de CO2. Além disso, se a eletricidade para move-los não for de fontes renováveis, nada feito.

No mundo, as emissões de gases estufa dos transportes foram de 6.7 bilhões de toneladas de CO2 em 2010, ou 23% das emissões globais relacionadas ao uso de energia, segundo o Painel Intergovernamental da Mudança do Clima (IPCC), da ONU. Grande parte disso diz respeito a transporte por terra. Serão 12 bilhões de toneladas em 2050, sem a introdução de novas políticas.

Ainda que a Tesla atinja sua ambiciosa meta de vender 500 mil veículos por ano a partir de 2020, isto significaria um ínfimo 0.5% das vendas globais de carros leves.  A Blooomberg New Energy Finance acredita que as vendas de veículos elétricos serão de menos que 5% do mercado total até 2022, quando a tecnologia tornará as baterias mais baratas, duradouras e competitivas.

A partir daí o salto será grande. Em 2040, 35% de veículos leves vendidos deverão ser elétricos, e representariam 25% da frota total.

Compartilhe

José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *