Protestos contra escala 6×1 marcam comemorações do 1º de Maio

Ato do Dia dos Trabalhadores em Brasília: fim da escala 6x1 foi a principal bandeira levantada pelas manifestações neste 1º de Maio (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

No feriado do Dia do Trabalhador, Brasília e capitais estaduais são palcos de atos reivindicando redução da jornada e outros benefícios trabalhistas

Por #Colabora | ODS 8
Publicada em 1 de maio de 2026 - 14:26  -  Atualizada em 1 de maio de 2026 - 14:43
Tempo de leitura: 7 min

Ato do Dia dos Trabalhadores em Brasília: fim da escala 6x1 foi a principal bandeira levantada pelas manifestações neste 1º de Maio (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)
Ato do Dia dos Trabalhadores em Brasília: fim da escala 6×1 foi a principal bandeira levantada pelas manifestações neste 1º de Maio (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

O fim da escala 6×1 foi a principal bandeira levantada pelas manifestações de trabalhadores neste feriado de 1º de Maio por todo o Brasil. Foram realizados atos nas capitais e nas maiores cidades do país.  Em Brasília, centenas de manifestantes se reuniram no Eixão Sul, na altura da SQS 106, em um ato a favor do fim da escala 6×1, além de outras pautas em discussão no Congresso Nacional, como a regulamentação do trabalho por aplicativos e direito de negociação para servidores públicos.

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Na capital federal, o ato foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e teve a presença de parlamentares como a senadora Leila Barros (PDT).  O presidente da CTB, Flausino Antunes, disse que a redução da jornada é um direito aos trabalhadores e criticou a visão de impactos na produtividade e na economia. “Nunca direito foi uma questão que atrapalha o desenvolvimento econômico. Então dá para conciliar o aumento do emprego, o aumento da produtividade com os direitos aos trabalhadores”, afirmou.

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Além de Brasília, houve protestos em outras capitais do país, como Belo Horizonte, Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Os atos ocorrem em meio ao aumento das tensões entre o governo federal e o Congresso. “Acho que o que aconteceu esta semana no Congresso mostra que existem outras prioridades de um setor do Congresso, mas nós queremos que essa discussão da questão da jornada de trabalho avance, porque é importante, é primordial”, o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues.

Em São Paulo, os atos do Dia do Trabalhador se multiplicaram pela região metropolitana da capital sempre com o fim da escala gx1 no centro das reivindicações.  A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) contrária à escala 6×1 de trabalho deve ser votada no plenário ainda neste mês. “A expectativa para o mês de maio é a aprovação no plenário. A comissão especial deve ser acelerada, nós devemos fazer os debates necessários na comissão especial. O presidente Hugo Motta nos disse que pretende colocar o texto da PEC ainda no final de maio”, afirmou a deputada durante ato do VAT (Vida Além do Trabalho) realizado na praça Roosevelt, em São Paulo.

No mesmo ato, a ex-ministra Marina Silva afirmou, nesta sexta-feira (1º), que a escala de trabalho 6×1 não garante a restauração biológica do corpo e, para as mulheres, não garante um dia de descanso. “Para nós, mulheres, o dia de descanso é quando a maioria trabalha mais. E volta na segunda-feira mais cansada”, afirmou.

O ex-ministro Fernando Haddad participou de evento em comemoração ao Dia do Trabalhador, promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, no centro da capital paulista. “O cidadão mais prejudicado pela pauta da extrema-direita é o trabalhador”, afirmou Haddad, que deixou o governo para disputar o governo de São Paulo.

Em Belo Horizonte, trabalhadores se reuniram em um ato na Praça Raul Soares, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em celebração ao Dia do Trabalhador, nesta sexta-feira (1º). Os participantes reivindicaram o fim da escala 6×1, a regulamentação do trabalho em aplicativos e o direito à negociação para servidores públicos. Eles também defenderam o combate à pejotização e o fortalecimento das negociações coletivas.

Mulheres em manifestação do 1º de Maio no Distrito Federal: fim da escala 6x1 para garantir mais tempo com a família ( Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)
Mulheres em manifestação do 1º de Maio no Distrito Federal: fim da escala 6×1 para garantir mais tempo com a família ( Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

Escala de trabalho exaustiva

Mais tempo com a família, para cumprir as obrigações em casa, passear e até mesmo ter a possibilidade de fazer pequenas viagens. De acordo com depoimentos à Agência Brasil, esses são os principais sonhos de trabalhadores que cumprem jornadas semanais de seis dias de trabalho e apenas um dia de folga, caso passem a ter direito a mais um dia de descanso.

A balconista de medicamentos Darlen da Silva, 38 anos, trabalha em uma farmácia no Rio de Janeiro e tem apenas um dia de folga na semana.  “Tenho duas filhas, então para mim é muito corrida a minha folga. Tenho que fazer tudo dentro de casa, lavar roupa, fazer mercado. Não tenho descanso. Venho trabalhar mais cansada ainda no outro dia”.

Também no Rio de Janeiro, o garçom Alisson dos Santos, 33 anos, trabalha na escala 6×1 por um há dez anos. Ele conta que geralmente usa as folgas para resolver pendências dele ou dos filhos. “A gente sempre tem que resolver alguma coisa da criança na escola, tem médico, sempre tem alguma coisinha para você fazer. Então, acaba não rendendo o seu dia de descanso. Sempre tem que fazer as coisas de casa.”

Em São Luís, no Maranhão, a cabeleireira Izabelle Nunes, 26 anos, diz que não tem acompanhado o debate que está sendo feito entre no Congresso e que o assunto também é pouco discutido no seu ambiente de trabalho. Mesmo assim, disse ser favorável à iniciativa.  “Acho que todos nós trabalhadores temos o direito de ter no mínimo dois dias de folga. Cuidar dos nossos estudos, saúde, lazer, cultura e trabalhando nessa escala a gente só se acaba.”

Congresso debate fim da escala 6×1

O fim da jornada 6×1 tem sido uma das principais apostas do governo na agenda trabalhista e já está em tramitação no Congresso Nacional, com expectativa de avanço nas próximas semanas, após a instalação de uma comissão especial na Câmara dos Deputados que vão analisar propostas com este objetivo.

Estão em tramitação no Congresso Nacional duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC). A PEC 221/19, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais: a transição se daria ao longo de dez anos. A outra proposta apensada (PEC 8/25), da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva também enviou ao Congresso um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais. O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.

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