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Conferência de Santa Marta começa colocando ciência como protagonista


Reunião na Colômbia para abandonar os combustíveis fósseis lança Painel Científico para a Transição Energética Global


O primeiros dias da Conferência para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis em Santa Marta tiveram como protagonista a ciência, escanteada nas últimas conferências climáticas da ONU. Um painel de especialistas globais foi lançado para fornecer subsídios científicos aos países que desejam reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e gerenciar os riscos dos altos preços do petróleo, conflitos geopolíticos e danos causados por eventos climáticos extremos.
A ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres, anunciou a criação do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET), o primeiro do gênero no mundo, com o objetivo de assessorar as nações sobre ações concretas para a transição energética rumo à eliminação gradual dos combustíveis fósseis. O anúncio foi feito ao lado de renomados cientistas, como o sueco Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático e o brasileiro Carlos Nobre, organizadores do Pavilhão da Ciência na COP30.
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O objetivo do painel é reunir os principais cientistas do mundo nas áreas de clima, economia e tecnologia, para o fortalecimento de ações concretas, apoiadas pelas melhores evidências científicas disponíveis, e para ajudar na elaboração de políticas públicas voltadas para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. “Este painel não só aborda uma dívida histórica de uma organização dedicada, finalmente e pela primeira vez, a abandonar os combustíveis fósseis na matriz energética; como também aborda outros desafios relacionados às limitações sociais e econômicas para acelerar essa transformação”, afirmou Irene Vélez.
O pesquisador Johan Rockström destacou a importância do painel por reunir cientistas de todo o mundo, de todas as disciplinas e localizações geográficas, com foco na transição energética global. “Por um lado, trata-se de uma transição complexa que envolve economia, meio ambiente, equidade e elementos fundamentais de justiça. E, por outro lado, vejo a ciência desempenhando um papel de ponte entre os países que desejam avançar mais rapidamente na transição para longe dos combustíveis fósseis e aqueles que ainda hesitam. É uma forma de integrar gradualmente a todos”, destacou o cientista.
O painel será presidido por Vera Songwe, copresidente camaronesa do Painel de Especialistas de Alto Nível em Financiamento Climático; Ottmar Edenhofer, diretor e economista-chefe alemão do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático; e Gilberto M. Jannuzzi, professor brasileiro de sistemas energéticos da Universidade Estadual de Campinas. “Ainda há tempo para promover a transição energética. “Tecnicamente, não há problema. O problema é como disseminar a informação e garantir o financiamento”, afirmou Januzzi.
No contexto atual, marcado pela persistente volatilidade dos preços globais do petróleo, o mundo enfrenta riscos de segurança, econômicos, energéticos e ambientais associados à sua alta dependência de combustíveis fósseis. O brasileiro Carlos Nobre lembrou que a presença de um terço dos países do mundo em Santa Marta pode ajudar a manter a transição dos combustíveis fósseis na agenda global e a demonstrar como ela pode ser alcançada. “Esses são problemas solucionáveis que podem criar futuros melhores para as comunidades locais. O painel científico pode desempenhar um papel único ao fornecer atualizações sobre o que precisa ser feito ano a ano”, afirmou.
Para Irene Velez, o painel representa um esforço colaborativo entre a academia e os governos para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, liderado por conselhos climáticos independentes ou órgãos similares, e baseado na colaboração entre a experiência internacional, a melhor ciência disponível e o conhecimento regional. “A formação deste painel busca assegurar que o caminho para a descarbonização, que vai além da eficiência energética e se concentra na eliminação gradual dos combustíveis fósseis, não seja apenas uma meta, mas uma realidade técnica que fortaleça a economia nacional e global e garanta a segurança energética para as futuras gerações”, afirmou.
O painel – com foco nos próximos 10 anos (2026-2035) – será formado por 4 grupos de trabalho: caminhos para a transição; soluções tecnológicas; desenho de políticas e mensuração; e instrumentos financeiros e governança. “Parece óbvio que a ciência precisa ter uma voz importante nesse debate, mas isso vem sendo um pouco esquecido no âmbito da convenção do clima”, acentuou Claudio Angelo em sua análise no Observatório do Clima.
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Oscar Valporto
Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade




































