De cestas básicas a vaquinhas, iniciativas para frear o coronavírus nas favelas

Ações buscam ajudar moradores de comunidades e evitar que a Covid-19 se propague nessas áreas

Por #Colabora | ods11 ods3 • Publicada em 24 de março de 2020 - 08:10 • Atualizada em 27 de março de 2020 - 12:43

Moradores do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, pedem doação de água / Foto: reprodução Instagram @renesilva

E quando o coronavírus chegar às favelas?” Há dez dias, o #Colabora publicou uma reportagem com este questionamento. Pois é, ele chegou. Já há casos confirmados em comunidades como a Cidade de Deus. Para além disso, é nessas áreas mais vulneráveis que a crise tende a impactar de forma mais aguda a população. Um movimento na internet já reivindica, por exemplo, dispensa remunerada das empregadas domésticas, para proteção contra o coronavírus. À nossa pergunta, o jornalista Mauro Ventura acrescentou outras duas “como impedir que o coronavírus se alastre nas comunidades” e “como arrumar comida para alimentar tanta gente, que agora se vê incapaz de gerar qualquer renda”? A resposta não é simples, mas passa por uma série de iniciativas da sociedade civil que têm surgido para amenizar um pouco o drama dessa população. Abaixo, reproduzimos a lista que Mauro mapeou:

1. Há um grupo voluntário e apartidário de WhatsApp chamado Reação e União, que se divide em sete subgrupos. Reúne algumas das principais cabeças do estado em busca de soluções urgentes para enfrentar o problema do coronavírus. Uma das frentes de atuação são as comunidades. Os participantes têm se movimentado para agir, com a premência e a abnegação que o assunto exige. Uma das ações: o Instituto Ekloos, de Andrea Gomides, e o Instituto Phi, de Luiza Serpa, se uniram ao Banco da Providência para arrecadar recursos para a compra de material de higiene e limpeza, e cestas básicas. A distribuição será feita pelo Banco da Providência, que estruturou dois centros de distribuição, e por lideranças comunitárias que atuam na rede da Ekloos. Quem quiser colaborar pode acessar o site www.riocontracorona.org.

2. O Reação e União tem feito uma convocação aos artistas para que gravem vídeos e compartilhem em suas redes, direcionados às favelas. A ideia é informar e conscientizar sobre o problema. Quem quiser participar pode enviar o filme pelo número (21) 98107-2342. Deve-se usar a hashtag #todentro.

3. O centro comunitário Casa Amarela Providência, criado pelo artista plástico francês JR, tem recebido doações financeiras para compra de cestas básicas e produtos de higiene para os moradores do Morro da Providência. Pessoas de confiança da favela vão recepcionar o material e distribuí-lo para os moradores. As doações podem ser feitas para Casa Amarela, Banco Bradesco, agência 0448, conta corrente 12520-2, CNPJ: 25.144.594/0001-35.

4. No Instagram e no Facebook, o @FAVELASEMCORONA informa e auxilia na prevenção ao coronavírus, e alerta sobre as fake news. http://facebook.com/favelasemcorona e http://instagram.com/favelasemcorona.

5. Rodrigo Medeiros (@rodrigomedeirosbrasil) está com uma iniciativa no Rio e em SP para montagem de uma cesta de frutas, legumes e verduras orgânicos para distribuição em comunidades. É uma cesta com mais ou menos 14 itens que tenha um custo máximo de 45 reais (produtos, montagem, entrega no ponto de distribuição) e que possa ser preparada por qualquer parceiro que queira se juntar à iniciativa. Líderes, projetos e organizações sociais parceiras funcionarão como pontos de recebimento e distribuição das cestas para as famílias. Além de gerar escala e impacto às famílias de baixa renda, a ideia é apoiar os agricultores orgânicos num momento em que restaurantes e feiras estão com funcionamento limitado. A cesta complementa com frutas, legumes e verduras a cesta básica tradicional, que em geral não vem com esses itens. Já integram essa iniciativa diversas pessoas e empreendimentos como o Clube Orgânico, o Orgânicos in Box, a Fazenda da Toca e o Fru.to (Seminário FRUTO). A articulação com líderes, projetos e organizações sociais está sendo feita pela plataforma Causei, que tem parceria com mais de 200 projetos/organizações sociais no Rio. As primeiras 100 cestas já serão entregues na próxima quarta-feira no projeto Abraço Campeão, no Complexo do Alemão.

6. O grupo Reação e União tem feito uma lista com líderes comunitários de várias favelas do Rio. Na segunda-feira, haverá uma reunião com o governador, seu chefe de gabinete e representantes da Secretaria de Assistência Social para ver a logística de distribuição de cestas básicas.

⁣⁣7. A Livre. vai entregar na terça-feira mais de três toneladas de alimentos na Associação de Moradores da Rocinha. A ideia é replicar a ação depois para outras comunidades. Quem quiser ajudar pode entrar em contato com a empresa.

8. A campanha #VamosPararOBrasil visa não só alertar as pessoas para que fiquem em casa, mas também pautar a necessidade de uma renda básica mais segura para a população pobre brasileira. É uma campanha apartidária que em um dia já conta com a adesão de 1.500 influenciadores. A iniciativa é de Nilce Moretto (Coisa de Nerd) e Rolandinho (Pipocando), que depois teve a participação de vários articuladores, como Rudá Ricci, do Science Vlogs Brasil. O influenciador que topar deve usar as hashtags #VamosPararOBrasil e #DentroDeCasa.

9. Outra parte da campanha é para que se assine a petição rendabasica.org.br. A ideia é que o governo aumente o voucher prometido de R$ 200 para R$ 300, e passe a auxiliar por seis meses, e não três, contemplando as 77 milhões de pessoas mais pobres do Brasil – aquelas que têm renda familiar inferior a 3 salários mínimos. . É importante usar a hastag #RendaBasicaJa. Mais detalhes no https://docs.google.com/…/1iHiZ73-OWqoRKjD7QwSJ1-qVClW…/edit Quem topar deve acessar esse formulário pra receber as orientações:. https://docs.google.com/…/1FAIpQLScDBHi8-LDDMGvxgD…/viewform.

10. O Atados – Juntando gente boa está coletando as informações de organizações de base comunitária que estão com campanhas de arrecadação para incluir em uma página única. O formulário é: https://forms.gle/svrHYP4J544JjaL46. A ideia é que as ONGs que atuam nas favelas sejam centros de distribuição de itens de higiene, álcool gel e comida arrecadados.

11. Diante da demora do poder público em agir, o Coletivo Papo Reto, fundado por Raull Santiago no Complexo do Alemão, está coletando doações para a compra de produtos de higiene e limpeza, e alimentos. Como alguns pontos da favela estão há mais de um mês sem água, uma das prioridades é comprar água mineral e distribuir entre os mais afetados. Veja na imagem abaixo como doar. O UOL traz reportagem sobre a iniciativa: https://noticias.uol.com.br/…/coronavirus-alemao-cria-gabin….

O Coletivo Papo Reto, fundado por Raull Santiago no Complexo do Alemão, está coletando doações para a compra de produtos de higiene e limpeza, e alimentos

12. O jornal comunitário Voz das Comunidades, criado por Rene Silva também no Complexo do Alemão, tem recebido doações para a compra de produtos de higiene e limpeza. Veja na imagem abaixo como ajudar.

Pedido de ajuda do Voz da Comunidade para moradores do Complexo do Alemão

13. Ainda no Complexo do Alemão, outra iniciativa arrecada produtos de limpeza e de higiene. Veja na imagem abaixo como participar.

Iniciativa arrecada produtos de limpeza e de higiene para moradores do Complexo do Alemão

14. As favelas da Babilônia e Chapéu Mangueira estão recebendo doações de material de limpeza e alimentos. Veja na imagem abaixo como proceder.

As favelas da Babilônia e Chapéu Mangueira estão recebendo doações de material de limpeza e alimentos

15. Quem quiser colaborar com famílias da Rocinha pode fazer por meio do coletivo A Rocinha Resiste. O dinheiro será usado para confecção de cartazes e faixas com informações e para compra de água mineral, cestas básicas e kits emergenciais de higiene que serão distribuídos na comunidade. Para maiores informações veja imagem abaixo.

Pedido de doações para moradores da Rocinha

16. O Projeto RUAS lançou a campanha #popruaeumeimporto, com o objetivo de engajar as pessoas que durante os dias de quarentena precisem sair de casa (para ir à farmácia ou supermercado, por exemplo) a ajudar uma pessoa em situação de rua no seu caminho. A intenção é doar itens de higiene, alimento e uma cartilha informativa, com dicas de prevenção ao vírus. Para participar, é só baixar o material de orientação em: bit.ly/popruaeumeimporto e montar o seu kit.

17. A ONG Rio de Paz, de Antonio Carlos Costa, distribuiu três toneladas de alimentos na quadra da Escola de Samba do Unidos Jacarezinho. ‬A ideia é doar mais. Para isso, pedem contribuições para Rio de Paz, Banco Itaú‬, agência 1185‬, conta 44820-4‬, CNPJ 09.551.891/0001-49.

18. Há uma campanha de financiamento coletivo para ajudar os catadores a comprar cestas básicas e materiais de higiene. As cooperativas de reciclagem estão com as atividades interrompidas. E têm em sua equipe muita gente de risco, como pessoas cardíacas, diabéticas e doentes renais, que trabalham em ambiente insalubre e contaminante. https://www.vakinha.com.br/…/ajude-os-herois-da-cidade-do-r….

19. O site de financiamento coletivo Benfeitoria, de Murilo Farah, pôs no ar um canal especial para sistematizar e facilitar o atendimento de projetos de combate à Covid-19: benfeitoria.com/covid Os projetos do canal receberão consultoria customizada para criar sua campanha, apoio na ativação de rede e, eventualmente, matchfunding (quando um parceiro dobra/triplica a arrecadação). Tudo isso com comissão livre (definida por quem arrecada).

20. O Movimento 342 e a Associação Procure Saber lançaram campanha de financiamento coletivo para apoiar coletivos que atuam em favelas. Num primeiro momento, serão beneficiados Redes da Maré, Papo Reto, Voz da Comunidade e Rocinha Resiste: https://www.vakinha.com.br/…/acao342-apoio-para-coletivos-d….

21. Pela primeira vez em sua história, a CUFA – Central Única das Favelas pede doações. O motivo é nobre: a campanha #favelacontraovirus, de conscientização dos moradores de comunidades e distribuição de alimentos e álcool em gel: https://www.vakinha.com.br/…/ajude-a-cufa-a-ampliar-seu-com…. Mais informações em http://cufa.org.br/noticia.php?n=MjY0

 

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