ODS 1
Com recorde de candidaturas, indígenas priorizam 56 lideranças para eleições 2026




Mulheres indígenas acompanham as deputadas eleitas Sônia Guajajara (de azul) e Célia Xakriabá (de amarelo) no dia da posse: candidaturas indígenas batem recorde nas eleições 2026 e APIB prioriza 56 lideranças (Foto: Vinícius Loures – 01/02/2023)
Bancada Indígena 2026 reúne indicados por organizações para fortalecer a presença dos povos nos espaços de decisão
Levantamento realizado pela Campanha Indígena, iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a partir dos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta 191 candidaturas de pessoas que se declararam indígenas em todo o país para as eleições 2026, um número recorde. Nesta quarta-feira, 19/08, a APIB apresentou a Bancada Indígena 2026 – 56 candidaturas reunidas pela Campanha Indígena para fortalecer a presença dos povos nos espaços de decisão e levar para a disputa eleitoral propostas construídas a partir dos territórios. “A Bancada Indígena é um recorte político construído a partir das indicações das organizações regionais de base da APIB, fortalecendo uma articulação que parte dos territórios”, afirma a bióloga e pesquisadora Alana Manchineri, coordenadora da Campanha Indígena.
Leu essa? Eleições 2026: candidaturas LGBT+ crescem 57% em relação a 2022
A coordenadora da iniciativa explica que 56 candidaturas da bancada indígenas foram indicadas pelas organizações regionais da APIB articuladas em torno do projeto Nosso Território, Nossa Vida: estão representados 39 povos indígenas em candidaturas distribuídas por 19 estados e conectadas a diferentes regiões e biomas. “A Bancada Indígena que estamos apresentando nasce das organizações de base e leva para as eleições um projeto construído pelo movimento indígena. A Bancada marca um novo momento da caminhada para aldear a política, fortalecendo candidaturas construídas a partir dos territórios e colocando as propostas do movimento indígena no debate sobre o futuro do Brasil”, enfatiza Dinamam Tuxá, coordenador executivo da APIB.
Receba um resumo com nossas notícias e colunas. É de graça!
Veja o que já enviamosDo total de 56 candidaturas, 27 são de mulheres. São 33 candidaturas a deputado estadual, 19 a deputado federal, duas ao Senado (Bartô Macuxi, candidato a senador por Roraima pelo PSOL; e Ismael Munduruku, pela Rede no Amazonas), uma ao governo estadual (Isael Munduruku, também pela no Amazonas) e uma à segunda suplência do Senado (Marcelo Pankararu, pelo Avante, em Pernambuco).
As lideranças da entidade destacam que a apresentação da Bancada Indígena acontece em um cenário histórico de crescimento da participação indígena na política institucional. Levantamento da Campanha Indígena identificou 191 candidaturas de pessoas que se declararam indígenas nas eleições 2026, maior número registrado em eleições gerais desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a reunir informações de cor e raça das candidaturas, em 2014. Naquele ano, foram registradas 85 candidaturas indígenas; o número de candidaturas indígenas chegou a 133 em 2018 e a 186 em 2022.
A coordenadora da Campanha Indígena explica ainda que a composição da bancada parte do conhecimento que cada organização regional possui sobre as candidaturas e sobre a realidade política onde atua. Desde a preparação da Campanha Indígena 2026, as organizações de base assumiram um papel central na indicação dos nomes. Durante a organização da campanha, o grupo de trabalho da APIB adotou como referências o compromisso com os direitos dos povos indígenas e com os direitos humanos. A relação das candidaturas com as lutas sociais também orientou esse processo de indicação da bancada.
O projeto Nosso Território, Nossa Vida – guia para o trabalho da Campanha Indígena e da apresentação da bancada – estabelece a demarcação e a proteção das Terras Indígenas como parte da soberania do país, defende a participação dos povos nas decisões públicas e reconhece a proteção dos territórios como parte central das respostas à crise climática. “Nosso Território, Nossa Vida coloca os territórios no centro do futuro do Brasil e chama as candidaturas a incorporarem essas propostas em suas campanhas. Aldear a política significa levar as propostas dos nossos povos para os espaços onde as decisões sobre o país são tomadas”, reforça Dinamam Tuxá.


Câmara dos Deputados: 75 candidaturas indígenas
Nos números gerais, o levantamento da Campanha Indígena aponta 191 candidatos que se auto declararam indígenas nas eleições 2026 – um aumento de 125% em relação a 2014 quando o TSE passou a incluir dados de cor e raça das candidaturas. “Chegar a 191 candidaturas indígenas representa um dado eleitoral e a prova concreta de uma caminhada histórica de resistência e de cobrança dos nossos povos por espaço e respeito no poder. Mas essa realidade evidencia a ausência que ainda persiste nas estruturas de decisão do país”, aponta Marcos Sabaru um dos coordenadores políticos da Campanha Indígena. As 191 candidaturas representam menos de 1% de todos os 20.506 pedidos de registro de candidaturas contabilizados pelo TSE.
A disputa para a Câmara dos Deputados deu um salto marcante: são 75 candidaturas indígenas a deputado federal em 2026. Em 2014 eram 25, número que passou para 39 em 2018 e 59 em 2022. Em doze anos, a quantidade triplicou. As assembleias legislativas reúnem a maior quantidade de candidaturas indígenas neste ano, com 99 nomes. Outras três pessoas concorrem a deputado distrital na capital do país.
As candidaturas indígenas estão presentes em 26 unidades da federação. A Amazônia Legal concentra 80 das 191 candidaturas registradas em 2026, o equivalente a 41,9% do total. Na região Sudeste, são 37 candidaturas, seguida pelo Nordeste, com 34, pelo Centro-Oeste, com 27, e pelo Sul, com 14. Os candidatos indígenas vêm dos seis biomas brasileiros (Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa). “Estamos presentes em 26 unidades da federação, com 64 povos registrados na disputa. Essa presença nasce dos territórios e amplia, com força política, nossa exigência de participação efetiva nos rumos do Brasil”, avalia Marcos Sabaru.
As mulheres também ocupam uma parcela cada vez maior dessa presença eleitoral indígena. Das 191 candidaturas registradas para as eleições 2026, 84 são de mulheres, o equivalente a 43,8% do total. Em 2014, primeiro ano da série do TSE, eram 29 mulheres entre 85 candidaturas indígenas. O número passou para 49 em 2018 e chegou a 85 em 2022. “As mulheres indígenas chegam a esta eleição com 84 candidaturas, representando quase 44% de toda a presença indígena na disputa. Em doze anos, o número de mulheres candidatas cresceu cerca de 190%. Esse avanço carrega a força das mulheres que organizam as lutas nos territórios e agora ampliam sua presença nos espaços de decisão”, destaca Alana Manchineri.
De acordo com a APIB, a presença dos povos indígenas na política institucional brasileira tem como marco a eleição, dm 1969, Manoel dos Santos, conhecido como Seu Coco, do povo Karipuna, como vereador em Oiapoque, no Amapá. Em 1976, o cacique Ângelo Kretã, do povo Kaingang, conquistou uma vaga de vereador em Mangueirinha, no Paraná, também durante a ditadura militar. Seis anos depois, Mário Juruna, do povo Xavante, tornou-se o primeiro deputado federal indígena da história do Brasil, eleito pelo PDT do Rio de Janeiro. Levantamento do pesquisador Luís Roberto de Paula estima que pelo menos 448 indígenas foram eleitos no Brasil entre 1976 e 2012.
Nas últimas eleições gerais, os destaques foram as mulheres. Em Joenia Wapichana, tornou-se a primeira mulher indígena eleita deputada federal – Joênia, também a primeira pessoa indígena a presidir a Funai, entre 2023 e 2026, será novamente candidata à Câmara dos Deputadas por Roraima. Em 2022, a Campanha Indígena organizou a Bancada Indígena com 30 candidaturas, indicadas pelas organizações regionais da APIB, que alcançaram, em conjunto, cerca de 500 mil votos. Sonia Guajajara, por São Paulo, e Célia Xakriabá, por Minas Gerais, foram eleitas deputadas federais – Sônia assumiu o primeiro Ministério dos Povos Indígenas. As duas são candidatas à reeleição.
Apoie o #Colabora!
Faça parte da campanha “10 anos, 101 apoiadores” e ajude a fortalecer nosso jornalismo independente e de qualidade. Com apenas R$ 20 por mês (menos de R$ 0,70 por dia), você já contribui para manter histórias e reportagens que fazem a diferença, como esta.








































Comentários