O lado de cada um

Sem rodeios, na mais objetiva simplicidade, fica bem fácil escolher entre as duas faces da contenda eleitoral

Por Aydano André Motta | ODS 16

Publicado em 28/09/2026 - 15h43 (Atualizado há 44 segundos)

Tempo de leitura: 6 min

Moradores de Belém buscam no lixo sobras de comida após feira livre: fome faz parte dos retrocessos do Brasil para o desenvolvimento sustentável (Foto: Raimundo Pacco / AFP - 04/11/21)
Moradores de Belém buscam no lixo sobras de comida após feira livre, durante o governo Bolsonaro: aumento brutal da miséria e da fome (Foto: Raimundo Pacco / AFP – 04/11/21)

Em verdade, é bem fácil escolher entre as duas faces da contenda eleitoral. Debeladas as relativizações, espanada a apatia, dissolvidas as mistificações, silenciada a parolagem, a diferença se oferece contundente, límpida, objetiva, cristalina. Expressa-se na distância – abissal – entre solidariedade e exclusão, empatia e intolerância, diálogo e violência, realidade e mentiras, democracia e arbítrio, cuidado e destruição, civilidade e barbárie, vida e morte.

Simples assim. Então, bora de feijão com arroz?

Leu essa? O Brasil fora do Mapa da Fome

Um lado tirou os brasileiros mais pobres da fome – duas vezes. O outro botou.

Um lado defende a ciência, acredita na vacina, investe na saúde pública. O outro matou ao menos 400 mil pessoas na pandemia, sabotou as medidas sanitárias e ainda zombou do martírio alheio.

Um lado defende e luta pela vida. O outro professa a morte de quem não o segue como gado – e mesmo o martírio de seus adeptos não lhe causa compaixão. Nada causa.

Um lado aceita as diferenças, acolhe os vulneráveis e fragilizados. O outro despreza, debocha, prega o extermínio.

Um lado luta contra o racismo. O outro pratica a discriminação.

Um lado respeita mulheres, LGBTQIAPN+ e outras minorias. O outro ataca, agride, silencia, fere, mata.

Um lado trabalha pelo bem estar de toda a população e batalha pela diminuição da brutal desigualdade que nos define como país e sociedade, pela via pacífica e institucional dos programas de transferência de renda. O outro se regozija da miséria alheia, exalta o individualismo, se alimenta da amargura e da desesperança.

Um lado aposta em soluções e avanços coletivos. O outro se agarra a conceito torto de meritocracia, para favorecer exclusivamente os seus.

Um lado se dedica à preservação e desenvolvimento do estado de direito, das individualidades e das liberdades. O outro investe na opressão violenta e sufoca quem pensa diferente dele.

Um lado sempre lutou pela democracia. O outro sonha e conspira por ditaduras.

Um lado trabalha pela soberania, a posse de suas riquezas e a autonomia sobre seu destino. O outro trama para entregar tudo ao colonizador ianque e pôr o país de joelhos diante dele.

Um lado tem a liderá-lo o homem que presidiu o Brasil por três vezes, sempre respeitando as regras democráticas. O outro endeusa um marginal que tentou iniciar nova ditadura e está em cana. Agora, quem tenta chegar ao poder é o filho do presidiário, metido em bandalheiras variadas, sempre atrás de embolsar mais dinheiro – seja de rachadinhas, lojas de chocolate, banqueiros dadivosos ou o que mais aparecer.

Um lado sempre pavimentou avanços sociais quando esteve no poder; mudou a cara da sociedade com programas de distribuição de renda e democratizou o acesso ao ensino superior e à saúde; aumentou o consumo e espalhou prosperidade. O outro disseminou desgraça, acentuou a pobreza e a desigualdade.

Um lado defende e promove a cultura, por meio do fomento público e da mediação com empresas e outros entes federativos. O outro vilaniza artistas e intelectuais, tem ojeriza à diversidade de pensamento e sonha com o fechamento de museus, teatros, cinemas e instituições em geral.

Um lado batalhou nos tribunais quando processado – e ao perder, acatou a sentença. O outro quer controlar a justiça e eliminar a independência dos poderes.

Um lado prega e pratica a transparência. O outro, corrupto até a medula, mente sem pudor.

Um lado mantém-se distante de assassinos, agressores e malfeitores em geral. O outro se associa a milicianos, exalta torturadores, protege matadores e promove o armamento.

Um lado toureia a devastação ambiental, reduz o desmatamento e reconhece a catástrofe climática. O outro defende sem constrangimento a destruição dos biomas, a exploração desenfreada e o fim das reservas e territórios indígenas e florestais; negacionista, debocha dos informes e estudos que identificam o aquecimento do planeta.

A lista de diferenças entre um lado e outro continua ao infinito. No próximo fim de semana, será daqueles momentos da existência no qual se decide o caminho que desenhará o futuro.

Tem um lado. E o outro.

Receba as colunas de Aydano André Motta no seu e-mail

Veja o que já enviamos

Apoie o #Colabora!

Faça parte da campanha “10 anos, 101 apoiadores” e ajude a fortalecer nosso jornalismo independente e de qualidade. Com apenas R$ 20 por mês (menos de R$ 0,70 por dia), você já contribui para manter histórias e reportagens que fazem a diferença, como esta.

Aydano André Motta

Niteroiense, Aydano é jornalista desde 1986. Especializou-se na cobertura de Cidade, em veículos como “Jornal do Brasil”, “O Dia”, “O Globo”, “Veja” e “Istoé”. Comentarista do canal SporTV. Conquistou o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa em 2012. Pesquisador de carnaval, é autor de “Maravilhosa e soberana – Histórias da Beija-Flor” e “Onze mulheres incríveis do carnaval carioca”, da coleção Cadernos de Samba (Verso Brasil). Escreveu o roteiro do documentário “Mulatas! Um tufão nos quadris”. E-mail: aydanoandre@gmail.com. Escrevam!

Aydano André Motta

Niteroiense, Aydano é jornalista desde 1986. Especializou-se na cobertura de Cidade, em veículos como “Jornal do Brasil”, “O Dia”, “O Globo”, “Veja” e “Istoé”. Comentarista do canal SporTV. Conquistou o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa em 2012. Pesquisador de carnaval, é autor de “Maravilhosa e soberana – Histórias da Beija-Flor” e “Onze mulheres incríveis do carnaval carioca”, da coleção Cadernos de Samba (Verso Brasil). Escreveu o roteiro do documentário “Mulatas! Um tufão nos quadris”. E-mail: aydanoandre@gmail.com. Escrevam!

Comentários

Compartilhe: