ODS 1
Eleições 2026: candidaturas LGBT+ crescem 57% em relação a 2022




Erika Hilton e Duda Salabert, primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara dos Deputados, em 2022: nas eleições 2026, candidaturas LGBT+ crescem 57% (Fotos: Câmara dos Deputados)
Levantamento mostra aumento de 84% no número de postulantes à Câmara dos Deputados e avanço em todas as regiões do Brasil
Levantamento inédito divulgado nesta terça-feira (18/08) pelo Instituto Plena Cidadania aponta que as candidaturas LGBT+ vão bater recorde nas eleições gerais deste ano. Até o momento, são 514 nomes confirmados para as eleições 2026, alta de 57% em relação a 2022, de acordo com os dados do levantamento obtidos a partir das inscrições registradas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na plataforma do VoteLGBT considerando as candidaturas autodeclaradas e com autorização de divulgação.
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Essa expansão acontece enquanto o universo geral da eleição diminui: o total de candidaturas passou de 29.262, em 2022, para 20.524, em 2026. A análise mostra que a participação LGBT+ no universo eleitoral mais que dobrou proporcionalmente, passando de 1,12% para 2,5%. Em outra leitura, a mudança fica mais evidente: se, em 2022, havia uma candidatura LGBT+ para cada cerca de 90 candidaturas, em 2026 a proporção passou para uma a cada 40.
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Veja o que já enviamosO crescimento também aparece no tipo de cargo disputado. As candidaturas à Câmara dos Deputados passaram de 116 para 214, um aumento de 84%. Já as candidaturas às assembleias estaduais e distritais cresceram 36%, passando de 205 para 279. “Esse crescimento mostra que nossas lideranças estão sabendo construir espaço dentro dos partidos. E mostra também que as legendas começaram a fazer as contas: cada voto para deputado federal pesa no financiamento dos partidos pelos quatro anos seguintes. Não é benevolência: os partidos fazem esse movimento porque também é do interesse deles”, afirma Gui Mohallem, da diretoria executiva do instituto.
Os responsáveis pelo levantamento explica ainda que, por se tratarem de dados autodeclaratórios, novos cadastros poderão ser incluídos no site VoteLGBT e as informações poderão ser atualizadas e complementadas periodicamente. Dados atualizados estarão disponíveis ao longo da campanha no dashboard do projeto. O VoteLGBT foi criado em 2014 com o objetivo de conecta eleitoras e eleitores brasileiros a lideranças LGBT+ comprometidas com os direitos humanos, a democracia e a representatividade política. Também participam do mapeamento ativo de lideranças para as eleições 2026 a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), o coletivo Tymbyras e o Transmasc no Poder.
Candidaturas LGBT+ por todo o país
A expansão das candidaturas LGBT+ alcança novas regiões, com crescimento expressivo no Norte (+141%), Centro-Oeste (+88%) e Nordeste (+82%), bem acima da média nacional, aumentando a presença além dos grandes centros do Sudeste, que ainda reúne o maior número absoluto, mas cai de 37,6% para 31,3% do total. Em número de candidaturas, o Norte passa de 22 para 53 candidaturas; Centro-Oeste, de 41 para 77; Nordeste, de 73 para 133; Sudeste ainda lidera com 161.
A expansão LGBT+ acontece na contramão de dois movimentos simultâneos do sistema político: a redução das candidaturas e a diminuição do número de partidos. A eleição de 2026 tem menos partidos e muito menos candidaturas, mas a presença LGBT+ está maior e mais espalhada pelo sistema partidário. Em 2022, ela aparecia em 23 das 32 legendas; agora, alcança 27 dos 30 partidos em disputa. O crescimento também fica menos concentrado em PT e PSOL, que continuam liderando, mas deixam de reunir a maioria absoluta dos nomes mapeados.
A competitividade das candidaturas também depende, no entanto, do investimento dos partidos nessas campanhas. Entre as lideranças LGBT+ eleitas em 2024, mais da metade das vinculadas a partidos de centro e de direita não recebeu financiamento partidário. Entre as LGBT+ eleitas por partidos de esquerda, esse percentual foi de um quinto. “É muito positivo que as lideranças LGBT+ estejam se lançando em um leque maior de partidos. Precisamos acompanhar agora em que medida cada partido vai apoiar efetivamente essas lideranças, sobretudo com recursos para suas campanhas. Estamos de olho”, acrescenta Mohallem.
Nas eleições de 2022, Erika Hilton e Duda Salabert tornaram-se as primeiras mulheres trans a serem eleitas para a Câmara dos Deputados. A paulista Erika, modelo e ativista, foi a vereadora mais votada do país em 2020, quando elegeu-se para a Câmara Municipal de São Paulo pelo PSol. A mineira Duda, professora e ambientalista, foi a vereadora mais votada de Belo Horizonte em 2020, antes de ser eleita deputada federal pelo PDT. Ambas são candidatas novamente à Câmara agora nas eleições 2026.
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