ODS 1
Mulheres nas eleições: uma lista de 15 pioneiras da batalha nas urnas




Alzira Soriano (Foto: Reprodução), Antonieta de Barros (Foto: Reprodução), Júnia Marise (Foto: Agência Senado), Joênia Wapichana (Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados) e Dilma Rousseff (Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado): mulheres pioneiras nas eleições
Com apenas duas candidatas à presidência, eleição 2026 acentua entraves à participação feminina na política; conheça aquelas que romperam barreiras
A temporada de convenções partidárias terminou nesta quarta, 05/08, o Brasil terá apenas duas mulheres como candidatas a presidente, ambas por partidos que, em 2022, sequer elegeram representantes no Congresso – a dentista Samara Martins, 39 anos, da Unidade Popular, e a advogada Clariana Barão, também 39, da Democracia Cristã. Apesar de leis e campanhas para garantir a participação feminina política, as mulheres – 52,8% do eleitorado – continuam sub-representadas. A média global de mulheres nos parlamentos em geral é de 27,2%: na Câmara dos Deputados, elas representam 18,7%; no Senado, são 19,8%. Nas eleições de 2022, só duas mulheres foram eleitas governadoras.
Leu essa? Mulheres são maioria da população e do eleitorado, mas seguem excluídas dos espaços de poder
Nas eleições de 2022, o Brasil registrou seu recorde de candidaturas de mulheres à Presidência da República com quatro postulantes: Simone Tebet (PMDB), Soraya Thronicke (União Brasil), Vera Lúcia (PSTU) e Sofia Manzano (PCB). Desde 1989, foram apenas 11 mulheres candidatas a presidente, três delas mais de uma vez: a própria Vera Lúcia também em 2018; a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva (2010, 2014 e 2018) e Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014.
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Veja o que já enviamosEssa sub-representação das mulheres na política inspira esta lista de 15 pioneiras da disputa pelo voto no Brasil.
1. Celina Guimarães Vianna – a professora nascida em Natal foi a primeira eleitora do Brasil, ao votar nas eleições de abril de 1928, na cidade potiguar de Mossoró, aos 38 anos. A professora havia se alistado como eleitora, no ano anterior, após a entrada em vigor da Lei Estadual nº 660, de 25 de outubro de 1927, que tornava o Rio Grande do Norte o primeiro estado a estabelecer a não distinção de sexo para o exercício do voto
2. Luíza Alzira Soriano Teixeira – não por acaso, era também potiguar a primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina, em 1928: a professora Alzira Soriano disputou as eleições para a prefeitura de Lajes, cidade do interior do Rio Grande do Norte (RN), pelo Partido Republicano e venceu o pleito com 60% dos votos. Com a Revolução de 1930, perdeu o mandato por não concordar com o governo de Getúlio Vargas. Em 1945, Alzira Soriano voltou à vida pública, como vereadora do município de Jardim de Angicos (RN), onde nasceu; elegeu-se por mais duas vezes consecutivas e presidiu a Câmara de Vereadores mais de uma vez
3. Carlota Pereira de Queirós – a professora e médica paulista foi a primeira deputada federal eleita no Brasil, em 1934, após ter sido a única mulher eleita para a Assembleia Constituinte no ano anterior. Carlota elegeu para a Câmara dos Deputados pelo Partido Constitucionalista de São Paulo e exerceu o mandato até a instituição do Estado Novo e o fechamento do Congresso Nacional em novembro de 1937. Em 1950, fundou a Associação Brasileira de Mulheres Médicas que presidiu por vários anos.
4. Antonieta de Barros – a professora e jornalista catarinense foi a primeira mulher negra a assumir um mandato eletivo no Brasil, ao ser eleita deputada estadual em 1934. Na primeira eleição em que as mulheres brasileiras puderam votar e serem votadas, Antonieta de Barros, filha de uma lavadeira que havia sido escrava, filiou-se ao Partido Liberal Catarinense (PLC) e tornou-se a única mulher a se eleger deputada estadual no Legislativo catarinense, exercendo o mandato de 1934 a 1937, quando houve o golpe do Estado Novo. No retorno da democracia, foi novamente deputada estadual na legislatura depois de, como suplente convocada, filiada ao Partido Social Democrático (PSD), assumir o mandato em junho de 1948, quando José Boabaid se afastou, voltando novamente a ser única mulher no parlamento catarinense.
5 e 6 – Maria Luiza Fontenele e Gardênia Gonçalves – as primeiras mulheres eleitas prefeitas de capitais só chegaram ao cargo, em 1985, com a redemocratização do país após a ditadura militar. Maria Luiza Fontenele, professora universitária, já era deputada estadual pelo PT no Ceará e tinha 42 anos quando elegeu-se prefeita de Fortaleza. Gardênia Gonçalves tinha 40 anos, nunca havia disputado uma eleição e era esposa de um político tradicional – o então senador João Castelo, governador do Maranhão entre 1979 e 1982 – quando elegeu prefeita de São Luís pelo PDS.


7. Benedita da Silva – A assistente social e auxiliar de enfermagem carioca foi a primeira mulher negra a ser eleita deputada federal no Brasil, em 1986 – uma das 26 mulheres constituintes, 5% do Parlamento eleito para fazer a Constituição promulgada em 1988. Benedita da Silva também foi a primeira mulher negra eleita para a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, em 1982, e também a primeira mulher eleita para o Senado em 1994 – a primeira mulher negra a ocupar o cargo de senadora foi Laélia de Alcântara (PMDB-AC), que assumiu o mandato em 1981 na condição de suplente, efetivada em 1982 após o falecimento do titular. Benedita foi também vice-governadora do Rio de Janeiro, governadora do estado por nove meses e, desde 2011, é novamente deputada federal.
8 e 9. Júnia Marise e Marluce Pinto – as primeiras mulheres eleitas para o Senado Federal só chegaram ao mandato em 1990. Júnia Marise, advogada e jornalista, foi vereadora em Belo Horizonte, deputada estadual, deputada federal e vice-governador de Minas Gerais, antes de chegar ao Senado pelo PMDB. Marluce Pinto ingressou na política pelas mãos do marido – Ottomar Pinto, três vezes governador de Roraima – e foi deputada federal antes de ser eleita (e depois reeleita) senadora pelo PMDB. Antes delas, a professora primária, funcionária pública e comerciária Eunice Michiles havia sido a primeira mulher a integrar o Senado Federal, em 1979 – suplente, ficou com a cadeira pelo Amazonas após a morte do titular, João Bosco de Lima.
10. Kátia Tapety – filiada ao PFL, a piauiense foi a primeira transexual a ser eleita para cargo político no Brasil, nas eleições municipais de 1992. Kátia foi eleita vereadora em Colônia do Piauí, no Vale do Canindé, com 136 votos, na primeira eleição do então recém-emancipado município.
11. Roseana Sarney – a filha do ex-senador e ex-presidente José Sarney foi primeira mulher a ser eleita governadora de um estado no Brasil, eleita no Maranhão em 1994. Reeleita em 1998, foi depois senadora, novamente governadora e atualmente é deputada federal. Ao longo da história, apenas 12 estados (e o Distrito Federal) do Brasil foram governados por mulheres. Antes de Roseana, a professora e bacharel em Direito Iolanda Fleming foi a primeira mulher a governar um estado brasileiro: eleita vice-governadora do Acre em 1982, na chapa encabeçada por Nabor Júnior, ela exerceu o governo por cerca de 300 dias após a saída do titular, em 1986, para disputar vaga no Senado Federal.


12. Dilma Rousseff – a ex-guerrilheira e ex-presa política, que nunca havia disputado uma eleição, foi a primeira mulher eleita para a Presidência da República Federativa do Brasil, em 2010, pelo Partido dos Trabalhadores. Antes de chegar ao Planalto, havia sido secretária municipal da Fazenda em Porto Alegre, secretária estadual de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul e ministra das Minas e Energia (2002 a 2005) e da Casa Civil (2005/2010) dos governos Lula.
13. Joênia Wapichana – a advogada da etnia Wapichana, nascida na comunidade de Cabeceira do Truarú, em Roraima, foi a primeira indígena eleita para a Câmara dos Deputados, em 2018. Formada pela UFRR, foi a primeira presidente da Comissão de Direitos dos Povos indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil, em 2013, e a primeira pessoa indígena a presidir a Funai (Fundação Nacional do Indígena) em 2023.
14 e 15 – Erika Hilton e Duda Salabert – as primeiras mulheres trans a serem eleitas deputadas só chegaram à Câmara nas últimas eleições, em 2022. A paulista Erika, modelo e ativista, foi a vereadora mais votada do país em 2020, quando elegeu-se para a Câmara Municipal de São Paulo pelo PSol. A mineira Duda, professora e ambientalista, foi a vereadora mais votada de Belo Horizonte em 2020, antes de ser eleita deputada federal pelo PDT.
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