ODS 1
Empresas pedem que presidenciáveis transformem desenvolvimento sustentável em política de Estado




Marina Grossi, presidente do CEBDS: desenvolvimento sustentável acima dos partidos e dos mandatos (Foto: CEBDS)
Em tempos de polarização, documento defende restauração das florestas, aceleração da economia verde e criação de instrumentos capazes de atrair o capital privado
Em um evento que reuniu dezenas de empresários, executivos e representantes do setor no Jockey Club do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, dia 26, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lançou uma carta endereçada aos candidatos à Presidência. O documento, que se divide em três eixos principais e reúne 11 propostas concretas, sugere que as diversas ações em direção ao desenvolvimento sustentável no Brasil deixem de ser consideradas políticas de governo e passem a ser adotadas como políticas de Estado, imunes, portanto, aos interesses do mandatário da vez.
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A carta do CEBDS, entidade que representa mais de 110 empresas, responsáveis por cerca de um terço do PIB do país, lembra que o país já reúne uma série de atributos que o tornam especial no cenário internacional. Entre eles a matriz energética majoritariamente limpa, os solos produtivos, uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta e a liderança em biocombustíveis. O documento ressalva, contudo, que “nenhuma vantagem competitiva se sustenta sozinha, que é preciso haver planejamento, políticas que atravessem governos e um setor produtivo disposto a converter riqueza natural em prosperidade duradoura”. Ou seja, não pode se tratar da pauta de um setor, de um partido ou de um mandato, “mas de um projeto de país”.
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Veja o que já enviamosPara alcançar esse objetivo, as empresas sugerem três eixos principais que são divididos em 11 propostas. São eles: proteger e restaurar a natureza, reconhecendo florestas, rios, solos e biodiversidade como uma infraestrutura essencial; acelerar a economia verde, fortalecendo energias renováveis, biocombustíveis, bioeconomia e uma indústria de baixo carbono; e, por fim, financiar toda essa transformação, com instrumentos capazes de atrair capital privado e dar segurança jurídica de longo prazo.
Entre as 11 propostas concretas, destacam-se o incentivo à restauração florestal e à recuperação dos solos; o fortalecimento da segurança hídrica protegendo a água que sustenta cidades, indústrias e lavouras; a proteção da fauna e da flora, incorporando a biodiversidade como ativo estratégico; expandir as energias renováveis por meio do desenvolvimento de sistemas de armazenamento; fortalecer as cadeias de valor na bioeconomia e fortalecer as finanças sustentáveis.


Em um dos debates que antecederam o lançamento da Carta aos Presidenciáveis, o britânico Lord Deben, ex-chairman do Comitê de Mudança Climática do Reino Unido, lembrou que as mudanças climáticas são apenas um sintoma da doença que ainda está por vir, que nada mais é do que um pedido de socorro da Terra. Para ele, não basta reduzir as emissões, é preciso cuidar da natureza e que essa é uma tarefa de todos, ninguém pode ficar de fora. Deben, que trabalhou no governo da britânica Margaret Thatcher, lembrou que a Dama de Ferro, apesar de conservadora, foi uma das primeiras a admitir as evidências científicas da crise climática.
Em outra das mesas de debates, o economista e professor Eduardo Gianetti contou que nos próximos quatro anos, só nos Estados Unidos, a demanda adicional por energia será equivalente a toda a energia consumida no Brasil hoje. Na mesma mesa, o embaixador André Corrêa do Lago, Presidente da COP30, disse que o tempo dos debates já passou, que é preciso agir e que as soluções são conhecidas e estão disponíveis para serem adotadas.
Nos últimos dias de julho, 172 organizações ambientalistas, como o WWF, o Greenpeace, o Imaflora, o Instituto SocioAmbiental e o Observatório do Clima também lançaram um documento de 96 páginas com o título “Propostas para a Política Ambiental Brasileira”. Entre as muitas sugestões, estão a necessidade de incorporar a justiça climática nas políticas públicas como forma de combater o racismo climático, o apoio às atividades socioambientais lideradas por mulheres indígenas e o combate à grilagem em terras públicas.
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