A eleição do próximo domingo (25/10) será decisiva para o futuro das diferentes ciências produzidas no país. Por isso, pesquisadoras, pesquisadores, professoras, professores, estudantes e profissionais da educação e da ciência assinam uma carta em defesa da democracia e do futuro do Brasil.
O documento, divulgado na quinta-feira (15/10), conta com apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), da União Nacional dos Estudantes (UNE), entre outras entidades educacionais e científicas.
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“Muitos de nós somos a primeira geração da família a entrar numa universidade. Aprendemos a ler na escola pública, estudamos com bolsas, pesquisamos em laboratórios financiados pelo povo brasileiro. Não falamos de cima: falamos de dentro. E, se você pensa diferente de nós, leia mesmo assim, o que defendemos protege também o seu direito de discordar”, diz um trecho da carta.
A manifestação relembra ataques sofridos por cientistas e pesquisadores no governo de Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. Em um dos casos mais emblemáticos, o então diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ricardo Galvão, foi demitido, porque o presidente negava os dados de desmatamento recordes de sua gestão.
“Na pandemia, tratamentos sem eficácia comprovada foram promovidos publicamente enquanto vacinas e recomendações científicas eram desacreditadas, essa conta foi paga em velórios”, relembram os cientistas. O documento cita ainda os ataques às universidades – acusadas de “balbúrdia” -, às urnas eletrônicas e às instituições democráticas em geral.
No último sábado (17), uma outra carta foi apresentada em defesa da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra o retorno da extrema-direita. O documento é assinado por ex-ministros de Fernando Henrique Cardoso, pela filha de FHC e por nomes como o climatologista Carlos Nobre e o diplomata Rubens Ricupero.
Diferenças na atenção à ciência
A família Bolsonaro nunca escondeu seu desprezo pela educação e pelo trabalho de cientistas. No poder, a extrema-direita asfixiou a produção de conhecimento no país, principalmente, com cortes nos recursos para pesquisas. Até a metade de 2019, Jair já havia cortado 6.198 bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
“A ciência avança onde se pode perguntar, verificar e corrigir. Foi ela que ajudou a transformar a agricultura, a extrair petróleo em águas profundas, a produzir vacinas em instituições públicas e a antecipar secas e enchentes, e dela dependem respostas para as mudanças do clima, para a inteligência artificial e para as transformações do trabalho”, aponta outro trecho da carta em defesa da democracia e ciência.
Em fevereiro de 2023, logo após o início do atual governo de Lula, as bolsas de mestrado e doutorado foram reajustadas em 40%, após 10 anos de valores congelados. No mestrado, o valor passou de R$1.500 para R$2.100 e, no doutorado, de R$2.200 para R$3.100.
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Veja o que já enviamosEm seu plano de governo, o candidato Flávio Bolsonaro (PL), filho e herdeiro do projeto político de Jair, afirma querer transferir as universidades para o Ministério da Ciência e Tecnologia. A medida possui um verniz de integração entre ensino superior e ciência, mas ameaça diretamente o orçamento das instituições, uma vez que, ficariam fora do piso constitucional destinado à educação.


Abaixo-assinado de cientistas ambientais
Além do documento apresentado pela SBPC e outras entidades, um abaixo-assinado criado por cientistas ambientais e socioambientais do Brasil alerta para o risco de enfraquecimento das políticas de prevenção de desastres, proteção de ecossistemas e enfrentamento das mudanças climáticas, caso a extrema-direita saia vitoriosa no dia 25.
O documento traz um histórico do negacionismo no governo anterior de um Bolsonaro no Brasil. A partir desse histórico, o posicionamento de cientistas ambientais cita cinco impactos prováveis, caso o filho de Jair chegue ao Executivo: comida mais cara: menos água; mais crimes ambientais; mais desastres e mais desigualdades.
Levantamento do Fakebook.eco mostra como Flávio Bolsonaro mente ou distorce a ciência em todas as vezes que fala sobre clima e meio ambiente. Em um dos recentes episódios de negacionismo do candidato do PL foi durante entrevista ao Jornal Nacional antes do 1° turno, quando negou o aquecimento global.
Nesta segunda-feira (19/10), em campanha em Marabá (PA), Flávio fez mais um ataque à legislação ambiental brasileira. Ele declarou que pretende acabar com “entraves ambientais”, para que o proprietário rural possa fazer “o que quiser na sua terra”.
“A quem votou em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mudar de escolha diante dos fatos é um gesto de coragem e responsabilidade. A quem não foi votar, pedimos que participe desta decisão. No dia 25 de outubro, vote contra o negacionismo e em defesa da vida, da ciência e do futuro do Brasil. Não anule seu voto, não se omita. A ciência e o meio ambiente estão em disputa, e o que está em jogo é a vida de todos nós”, diz um trecho do abaixo-assinado.
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