ONU: El Niño terá proporções gigantescas e durará até fevereiro de 2027

Residências soterradas no Nepal após deslizamento de geleira: novo alerta da OMM para El Niño de proporções gigantescas (Foto: Reprodução TV)
Residências soterradas no Nepal após deslizamento de geleira: novo alerta da OMM para El Niño de proporções gigantescas (Foto: Reprodução TV)
Residências soterradas no Nepal após deslizamento de geleira: novo alerta da OMM para El Niño de proporções gigantescas (Foto: Reprodução TV)

Novo boletim da Organização Meteorológica Mundial alerta para intensidade do fenômeno que pode ser a maior em mil anos

Por Observatório do Clima | ODS 13

Publicado em 04/09/2026 - 10h24 (Atualizado há 10 minutos)

Tempo de leitura: 7 min

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) publicou nesta quinta-feira (3/9) um novo alerta sobre o agravamento do El Niño em todo mundo e conclamou as nações para que se preparem para os impactos associados ao fenômeno. Ondas de calor extremo, secas e chuvas intensas são esperadas em diferentes partes do globo nos próximos meses, em consequência de um El Niño “muito forte”.

“O El Niño está adquirindo enormes proporções debaixo de nossos olhos. A ciência não deixa lugar para dúvidas: o planeta está entrando em águas desconhecidas, águas que estão esquentando”, afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU, em comunicado. “Não há tempo a perder. Está em curso uma corrida contra o tempo entre os riscos crescentes e a nossa determinação em agir contra as alterações climáticas e proteger as pessoas. É uma corrida que devemos ganhar”, disse.

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Apesar de ser um fenômeno natural cíclico, o El Niño tem se intensificado ao longo das últimas décadas em decorrência das mudanças climáticas. Estudo publicado na revista Science na última semana revelou que os eventos de El Niño dos últimos 40 anos foram 36% mais intensos do que os registrados durante o milênio pré-industrial, entre 1000 e 1850.

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“Não encontramos, no passado, um período em que os El Niños tenham sido tão intensos quanto são hoje, e mostramos que a intensidade do fenômeno varia em paralelo ao aquecimento da temperatura global”, disse a autora principal do trabalho, Julia Cole, professora e chefe do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade de Michigan.

Segundo a OMM, a probabilidade de persistência do El Niño entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027 é de praticamente 100%. A anomalia da temperatura do Pacífico equatorial, região do oceano onde ocorre o El Niño, alcançou, em média, 1,5 °C entre maio e o início de julho e 2 °C ao longo de julho. Entre 29 de julho e 19 de agosto, o aumento oscilou entre 2,2 °C e 2,6 °C, confirmando a intensificação contínua do fenômeno.

Abaixo da superfície, o oceano também acumula uma quantidade excepcional de calor. Em algumas áreas do Pacífico equatorial, as temperaturas subsuperficiais ficaram mais de 8 °C acima da média em julho e no início de agosto. Segundo a OMM, as condições favorecem a intensificação do El Niño nos próximos meses.

A meteorologista Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, afirma que este episódio de El Niño exige medidas excepcionais de preparação e resposta. “Apesar de seu nome inofensivo, o El Niño tem o potencial de dar um duro golpe em comunidades e economias de todo o mundo. Somos testemunhas das perturbações e da devastação que causam secas e inundações e, segundo as previsões, esses efeitos se agravarão à medida que o El Niño se intensifique”, comentou a cientista.

A OMM indica que, apesar dessas projeções sobre impactos potenciais, estes podem ser ainda maiores do que o esperado, já que a intensidade do atual El Niño está acima de qualquer registro histórico dos últimos 150 anos. “O El Niño estabeleceu-se firmemente e irá se intensificar, tornando-se um fenômeno muito forte nos próximos meses, com repercussões significativas nos padrões de temperatura e precipitação, bem como nos riscos associados de inundações, secas e calor extremo”, destacou o alerta da agência da ONU.

El Niño no Brasil

Em parceria com diversas entidades do governo federal, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou nesta terça-feira (1/9) as previsões dos impactos que o El Niño pode causar no Brasil ainda em 2026.

Na Região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, e em parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul, as chuvas devem registrar volumes acima da média histórica. Já as regiões Norte e Nordeste, partes do Brasil Central e do Sudeste, principalmente Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, podem enfrentar um trimestre mais seco.

O El Niño intenso também deve atrasar a transição da estação seca para a chuvosa na Amazônia Legal e no Pantanal, que normalmente ocorre entre setembro e novembro.

As temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país, apesar da possibilidade de dias frios em setembro. A combinação de calor e estiagem prolongada nas regiões Central e Norte aumenta o potencial de queimadas.

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Observatório do Clima

O Observatório do Clima é uma rede que reúne entidades da sociedade civil para discutir a questão das mudanças climáticas no contexto brasileiro.

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