Onde está meu filho? Número de casos de desaparecimento cresce no Brasil

Ato Público pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, na Praça da Sé, em São Paulo: número de casos de desaparecimento no Brasil só cresce (Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil - 30/08/2025)
Ato Público pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, na Praça da Sé, em São Paulo: número de casos de desaparecimento no Brasil só cresce (Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil - 30/08/2025)
Ato Público pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, na Praça da Sé, em São Paulo: número de casos de desaparecimento no Brasil só cresce (Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil – 30/08/2025)

Conheça histórias de mães que cobram respostas sobre onde estão seus filhos: são quase sempre elas que lideram movimentos de busca e justiça

Por Everton Victor | ODS 10ODS 16

Publicado em 28/08/2026 - 09h23 (Atualizado há 11 minutos)

Tempo de leitura: 21 min

“Eu tenho um buraco no meu peito que só os meus filhos preenchem”.“ É um luto sem corpo”. “Fui atendida de uma forma irônica no lugar que deveria me acolher”. “É uma dor que cada dia te mata aos poucos”. “A esperança é o que eu tenho”. Esses são alguns dos relatos de Clarice Cardoso, Rogéria Claudiano, Ivanise Esperidião, Edileusa Alves e Geiciara Souza, mães de diferentes regiões do Brasil que buscam diariamente por respostas sobre o que aconteceu com seus filhos desaparecidos.

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Elas representam alguns dos milhares de lares brasileiros que convivem com as incertezas após o desaparecimento de um familiar. A quantidade de lares como os dessas mães só cresce. De acordo com o mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, somente em 2025 foi registrado um total de 84.269 pessoas desaparecidas – uma média de dez desaparecimentos por hora.

A vida das outras pessoas seguiu, a minha não. Nós, mães, não merecemos passar por isso, nossos filhos não merecem passar por isso

Clarice Cardoso Reis
Mãe de Ágatha e Allan

Nesta reportagem, o #Colobora ouviu mães dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e Pará com diferentes histórias em torno de uma mesma dor: a do desaparecimento. São quase sempre as mães que estão á frente das campanhas em busca de desaparecidos e em movimentos por justiça e reparação. Alguns levam mães no nome: Associação Mães da Sé, Mães Braços Fortes, Mães em Luta, Mães do Paraná; outros têm mulheres com filhos desaparecidos entre fundadores: União de Vítimas, Esperança da Rua, Instituto Mercia Nakashima, Instituto Giorgio Renan por Justiça.

Clarice com os fllhos Allan e Ágatha: irmãos desaparecidos na mata no Maranhão (Foto: Arquivo Pessoal)
Clarice com os fllhos Allan e Ágatha: irmãos desaparecidos na mata no Maranhão (Foto: Arquivo Pessoal)

Ágatha e Allan: irmãos quilombolas desaparecidos

Ágatha Isabelly, de seis anos de idade, e seu irmão, Allan Michael, de quatro anos, desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026 no Quilombo São Sebastião dos Pretos Novos, zona rural de Bacabal, no estado do Maranhão. Eles tinham saído para brincar com seu primo Anderson Kauã, de oito anos. Anderson foi encontrado sozinho em uma estrada de terra próximo à residência, três dias depois.

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A criança localizada, com autorização da Justiça, chegou a contribuir nas investigações. De acordo com Anderson, ele e seus primos estavam em uma casa abandonada, conhecida pelos moradores como “casa caída”, em uma região de mata também em Bacabal. Ainda segundo o menino, eles acabaram se separando neste local quando Anderson saiu para buscar ajuda. Cães farejadores que integram a força-tarefa confirmaram que Ágatha e Allan estiveram na casa caída. Até o momento, os dois não foram encontrados.

Somos uma família emanadas pela mesma dor – pela dor da perda, pelos nossos filhos, pelo mesmo objetivo que é encontrar respostas do que aconteceu com eles

Ivanise Esperidião
Mãe de Fabiana e presidente da Mães da Sé

Clarice Cardoso Reis, mãe de Ágatha e Allan, conta que por volta das 19h, recebeu uma ligação de que seus filhos tinham desaparecido. A partir daí, ela e sua família se mobilizaram para procurar nas proximidades, mas sem sucesso. Ela relembra que logo após descobrir que seus dois filhos sumiram, foi na delegacia. Clarice conta que não tinha nenhum delegado no momento, e foi recomendada a ir ao corpo de bombeiros. “Eu estava desesperada, porque eu já tinha procurado em todo lugar e não tinha encontrado meus filhos”, conta.

Ela descreve Ágatha e Allan como apegados um ao outro, sempre sorridentes e, como toda criança, adoravam brincar. A busca de Clarice por seus filhos segue até hoje. A mãe mantém o hábito de enviar com frequência mensagens para a delegacia em busca de atualizações do caso, mas sem sucesso de novas informações. “É torturante”, conta.

A comunidade, no Quilombo de São Sebastião dos Pretos Novos, se mobilizou nas buscas com mutirões, junto à operação dos órgãos públicos. Clarice conta que apesar de reconhecer e ser grata a rede de apoio que teve, o desaparecimento é uma dor solitária. “A vida das outras pessoas seguiu, a minha não. Nós, mães, não merecemos passar por isso, nossos filhos não merecem passar por isso”. Ela descreve o desaparecimento como a dor da incerteza.

Apenas no Maranhão foram registrados 1.182 casos de desaparecimentos em 2025, uma variação de 29,8% em comparação com 2024. O estado concentra o segundo maior aumento em número de casos, atrás apenas de Minas Gerais, com 30,5% registros a mais em relação a 2024, segundo o Anuário de Segurança Pública de 2026.

Ivanise com cartaz da filha desaparecida na Praça da Sé: rede de apoio para mães (Foto: Arquivo Pessoal)
Ivanise com cartaz da filha desaparecida na Praça da Sé: rede de apoio para mães (Foto: Arquivo Pessoal)

Fabiana: menina de 13 anos sumiu a caminho de casa

No dia 23 de dezembro de 1995 em São Paulo, Fabiana Esperidião, então com 13 anos, retornava de uma visita rápida a casa de uma colega de escola que estava fazendo aniversário. A menina estava acompanhada por outra amiga, mas na volta cada uma retornou por uma direção, e desde então Fabiana nunca foi encontrada. Ivanise Esperidião, sua mãe, procurou sua filha por horas, e quando não a encontrou resolveu ir até a delegacia em busca de ajuda e acolhimento.

De acordo com ela, um dos problemas enfrentados em 1995, quando foi na delegacia realizar o Boletim de Ocorrência (BO), acontece até hoje com diferentes mães: a falta de apoio. “A polícia, até os dias de hoje, trata o desaparecimento de uma forma discriminatória”. Situações como sugerir que a adolescente desaparecida está com um suposto namorado ou que em breve o ente sumido vai aparecer, foram alguns dos exemplos dados por ela. “A polícia não foi preparada para trabalhar com a dor do desaparecimento, a delegacia deveria ser o primeiro lugar que deveríamos ir pedir ajuda, mas acaba sendo o último lugar”, afirma.

A busca de Ivanise não parou no dia 23 de dezembro de 1995, no ano seguinte contribuiu para a fundação do Movimento Mães da Sé e da Associação Brasileira de Busca e Defesa à Criança Desaparecida (ABCD). “Há 30 anos, o desaparecimento era um problema totalmente abstrato, ninguém falava desse fenômeno, era um assunto desconhecido da sociedade”. Para ela, o tema ganha cada vez mais destaque, o que contribuiu para pressionar por políticas públicas mais efetivas para essas vítimas e seus familiares.

Simone de Jesus, coordenadora de políticas para Pessoas Desaparecidas do Ministério da Justiça, afirma que para além de capacitar as delegacias especializadas, é preciso que haja uma atenção para as demais, que por vezes é a porta de entrada de muitos familiares para registrar um caso de desaparecimento, e sem orientação, pode comprometer a qualidade do Boletim de Ocorrência. De acordo com ela, hoje é disponibilizado um curso de formação para orientar esses policiais sobre como atender, acolher e orientar familiares que registram um desaparecimento.

Fabiana ao desaparecer com 13 anos e imagem de como ela estaria três décadas depois: mãe vê polícia despreparada (Reprodução)
Fabiana ao desaparecer com 13 anos e imagem de como ela estaria três décadas depois: mãe vê polícia despreparada (Reprodução)

Sobre as dificuldades relatadas por mães de não serem orientadas da forma correta, ela diz que o desafio ainda é grande. “Mudar a cultura não é simples, a gente tá saindo de uma situação em que o policial muitas vezes orienta o familiar a esperar 24 horas. Esse curso traz algumas ferramentas para desconstruir alguns mitos, acolher minimamente esses familiares, terem o cuidado de não revitimizar e não criminalizar o desaparecimento”, explica.

A presidenta das Mães da Sé conta que a subnotificação é grande por conta da falta de orientação do que fazer quando uma familiar desaparece. Na sua própria experiência com sua filha, Ivanise não sabia as ferramentas que tinha para relatar, acompanhar e exigir seus direitos durante a investigação. Hoje, auxilia mães a terem acesso a essas informações. “Somos uma família emanadas pela mesma dor – pela dor da perda, pelos nossos filhos, pelo mesmo objetivo que é encontrar respostas do que aconteceu com eles”.

Apesar de ter tido uma rede de apoio, ela conta que muitas mães que atendem por vezes estão sozinhas. “Essa busca é uma busca solitária, são das mães”. A estrutura familiar após um caso de desaparecimento fica em suspenso para Ivanise. O desaparecido pode ser o provedor financeiro de uma família ou o apoio psicológico, a ausência de um ente tem um efeito em todo o seu lar.

O pequeno José Arthur, com pouco mais de 1 ano de idade: sumiço na zona rural de Eldorado dos Carajás, Pará (Foto: Álbum de família)
O pequeno José Arthur, com pouco mais de 1 ano de idade: sumiço na zona rural de Eldorado dos Carajás, Pará (Foto: Álbum de família)

José Arthur: mistério no desaparecimento de bebê

Desaparecido desde 26 de março deste ano, José Arthur, tinha apenas 1 ano e seis meses quando foi visto pela última vez na Vila Peruana, zona rural de Eldorado dos Carajás, no estado do Pará. Hoje, ele teria cerca de dois anos. Sua mãe, Geiciara Souza contou ao #Colabora a história de seu filho e como encontra motivação para seguir em busca de respostas.

Ela e seu marido estavam realizando tarefas domésticas, quando Geiciara perguntou a parentes sobre onde estava José Arthur. A mãe foi informada por parentes que seu filho estava brincando, mas seus pais não o encontraram. Apesar da falta de respostas com o passar dos meses, ela renova as esperanças de reencontrar seu filho. “A minha família está sempre comigo, as pessoas estão me apoiando, eu sou grata a Deus por colocar pessoas assim na minha vida”.

Eu estou vivendo por viver, perdi o sentido da vida; a única esperança é que um dia eu encontre respostas do que aconteceu com o José Matheus

Edileusa Alves Reis
Mãe de José Matheus

José Arthur, filho de Geiciara, Ágatha e Allan, filhos de Clarice e Fabiana, filha de Ivanise, não são exceções. Apenas em 2025, o Brasil registrou 23.970 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes até 17 anos de idade, segundo o levantamento do Sistema Nacional de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça.

No início de julho deste ano, a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei (PL) 306/2025, que categoriza tipos de desaparecimentos. Se uma pessoa maior de idade e em plena capacidade de decidir, escolhe por vontade própria interromper vínculos, é um desaparecimento voluntário. Enquanto, se a ausência não tiver intervenção de terceiros, como acidente ou crise de saúde mental, seria um desaparecimento involuntário. Por fim, caso tenha envolvimento de terceiros, como ameaça e coação seria classificado como desaparecimento forçado.

O PL 306/2025 também prevê revogar o mecanismo da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas que distingue casos de crianças e adolescentes dos demais. Com a mudança, todos os casos de pessoas até menores de idade passariam a ser classificados como desaparecimento involuntário. O texto segue em tramitação no Senado Federal.

Edileusa com a foto de José Matheus na camiseta em ato na Cinelândia, Rio: desaparecimento em viagem de férias na Região Serrana (Foto: Julia Lima)
Edileusa com a foto de José Matheus na camiseta em ato na Cinelândia, Rio: desaparecimento em viagem de férias na Região Serrana (Foto: Julia Lima)

José Matheus: jovem de 23 anos sumiu em viagem de férias

Edileusa Alves Reis, mãe de José Matheus Alves, estava passando as férias com seu filho em uma chácara em Resende, região serrana do Rio de Janeiro. No dia 13 de fevereiro de 2024, horas após uma discussão entre alguns familiares e seu filho, Matheus desapareceu, com apenas 23 anos.

Edileusa o descreve como um garoto inteligente e cheio de sonhos. De acordo com ela, o jovem tinha sido aprovado para ingressar em curso técnico, mas não teve a oportunidade de realizar. Para ela, a dor do desaparecimento vai muito além de só lembrar de seu filho diariamente, mas em uma busca constante para não deixar a memória de seu ente ser apagada. “Eu estou vivendo por viver, perdi o sentido da vida; a única esperança é que um dia eu encontre respostas do que aconteceu com o José Matheus”, conta.

Eu sou a voz da Vitória, porque se eu não falar, quem vai falar por ela?

Rogéria Alves
Mãe de Vitória

Uma das ações recentes é a Resolução n° 637/2025 do Conselho Nacional de Justiça. Ela cria mecanismos de acolhimento às vítimas e familiares de desaparecidos. A resolução classifica os familiares de entes desaparecidos como “vítimas indiretas”.

A resolução também abrange pessoas indocumentadas ou cuja identidade não tenha sido confirmada. Isso se deve ao fato de a pessoa estar localizada fisicamente, mas ainda assim, está inserida no conceito de desaparecimento até que sua identidade seja descoberta. Ou seja, um idoso com demência encontrado na rua sem documento ou um corpo sem identificação encontrado pelo Instituto Médico Legal pode se enquadrar como um caso de desaparecimento.

A ampliação é um mecanismo para enfrentar subnotificações e evitar que pessoas localizadas, hospitalizadas ou mortas, permaneçam como desaparecidas, apenas porque não foram identificadas. Em 2025, foram registradas 61.305 pessoas localizadas. Em nota técnica, o Anuário de Segurança Pública alerta que o dado pode não refletir a realidade por conta das subnotificações.

Rogéria Alves, fundadora do movimento Mães Braços Fortes em ato por desaparecidos: apoio mútuo (Foto: Foto: Julia Lima)
Rogéria Alves, fundadora do movimento Mães Braços Fortes em ato por desaparecidos: apoio mútuo (Foto: Foto: Julia Lima)

Vitória: sumiço ao ir à casa de amiga

Também no Rio de Janeiro, Vitória Claudiano, filha de Rogéria Alves, desapareceu no dia 5 de junho de 2009, em Irajá, Zona Norte da cidade, quando tinha apenas 11 anos. Sua mãe tinha chegado por volta das 15h em casa, e logo notou a ausência da filha, que tinha ido à casa de uma amiga devolver um Riocard (cartão de gratuidade escolar no transporte). Vitória nunca chegou até lá.

Cartaz com imagem feita por computador para mostrar como Vitória estaria adulta (Reprodução)
Cartaz com imagem feita por computador para mostrar como Vitória estaria adulta (Reprodução)

No mesmo dia, uma outra colega de Vitória disse ter visto a menina na rua Hannibal Porto, também em Irajá, mas Vitória não estava sozinha. A menina estava de braços cruzados com um homem, e quando essa amiga a chamou, ela olhou, mas após o homem falar algo para ela, a menina seguiu andando. 17 anos depois, Vitória ainda não apareceu.

Rogéria, sua mãe, transformou a busca de sua filha em uma causa coletiva. À frente do movimento “Mães Braços Fortes”, Rogéria ajuda outras mães do Rio de Janeiro que enfrentam o desaparecimento de seus filhos a procurarem direitos do seu filho. “Nós somos a voz de nossos filhos”, afirma. Com orientação, apoio e acolhimento, o movimento se une para cobrar respostas por seus entes. “Eu sou a voz da Vitória, porque se eu não falar, quem vai falar por ela?”, conta.

O movimento liderado por Rogéria já realizou uma passeata na Avenida Atlântica, em Copacabana, Zona Sul do Rio, em memória das vítimas do desaparecimento no dia 30 de agosto. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2010, a data é considerada o Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimento Forçado. No mundo, somam-se mais de 284 mil cidadãos desaparecidos em 2024, de acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Ao #Colobora, Rogéria contou seu maior sonho: “que parem de desaparecer Vitórias, porque é dor, dor e dor”.

Manifestação pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, em São Paulo: integração de dados para melhorar trabalho policial para solucionar casos de desaparecimento (Foto; Paulo Pinto / Agência Brasil - 30/08/2025)
Manifestação pelo Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, em São Paulo: integração de dados para melhorar trabalho policial para solucionar casos de desaparecimento (Foto; Paulo Pinto / Agência Brasil – 30/08/2025)

Mais ferramentas para buscar pessoas desaparecidas

Criado a partir da Lei n°13.812/2019 e lançado em 2025, o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas é a mais nova ferramenta para enfrentar e tentar resolver os casos de desaparecimento. Dividido em informações públicas e sigilosas e informações genéticas e não genéticas, o cadastro centraliza dados gerais sobre os casos no Brasil. A inserção da ocorrência é realizada de forma automática, a partir do registro de desaparecimento feito pela Polícia Civil nos estados.

O cadastro concentra informações básicas do registro, como nome, idade, local, foto, enquanto outras informações ficam restritas aos órgãos de investigação. Ao acessar o sistema, o painel público apresenta imagens e informações relevantes sobre as pessoas desaparecidas — como idade, vestimentas e um breve resumo das circunstâncias. Além disso, o usuário consegue compartilhar o banner do desaparecimento ou entrar em contato direto com a pessoa responsável por aquele desaparecido. A plataforma também sugere a ligação para o número 197 ou 181 para quem tiver informações sobre o sumiço de alguém. A expectativa é que até o fim de 2026 todos os estados estejam integrados ao cadastro.

Outro dispositivo também disponível para pessoas desaparecidas é a doação de material genético. Todo familiar tem o direito de fazer o exame de forma gratuita assim que realizar o Boletim de Ocorrência (BO) do desaparecimento. Casos mais antigos – em que não houve orientação no momento do registro do BO ou quando o mecanismo ainda não existia – também podem passar por esse processo de exame genético.

Na avaliação do diretor do Sistema Único de Segurança Pública, João Alberto Nogueira Junior, a falta de integração se coloca como um dos principais problemas para enfrentar os casos de desaparecimento. “Havia uma dificuldade muito grande de obter os dados para identificação dessas pessoas, que auxiliassem na busca; e agora, que começa a integração desse banco de dados, isso tudo se torna mais fácil’’, explica.

Caso você tenha algum caso de desaparecimento na sua família, a orientação é procurar a delegacia mais próxima para registrar a ocorrência. Por lei, não é necessário esperar 24 horas para o registro e o começo das buscas e também é garantido a coleta voluntária do seu material genético para ajudar a cruzar DNAs. Se essas orientações não forem repassadas, o disque 100 pode ser um canal também para denúncias desse tipo: o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

*Esta reportagem é resultado do trabalho final de Ewerton Victor, desenvolvido como etapa de conclusão do curso #Colabora com Inclusão e Diversidade 2026, realizado com fomento da Associação Saúva.

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Everton Victor

Everton Victor é estudante de Jornalismo pela Uerj e de Economia pela PUC Minas. Participou de coberturas como o G20 e o Brics nos últimos anos. Além de ser apaixonado pela Beija-flor de Nilópolis, pelo Rio e por contar histórias

Everton Victor

Everton Victor é estudante de Jornalismo pela Uerj e de Economia pela PUC Minas. Participou de coberturas como o G20 e o Brics nos últimos anos. Além de ser apaixonado pela Beija-flor de Nilópolis, pelo Rio e por contar histórias

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