Ambientalistas celebram reeleição de Lula mas alertam para ameaças

O presidente Lula na Amazônia, em visita aos indígenas Kayapó na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto: ambientalistas celebram reeleição mas alertam para ameaças (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República - 04/04/2025)
O presidente Lula na Amazônia, em visita aos indígenas Kayapó na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto: ambientalistas celebram reeleição mas alertam para ameaças (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República - 04/04/2025)
O presidente Lula na Amazônia, em visita aos indígenas Kayapó na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto: ambientalistas celebram reeleição mas alertam para ameaças (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República – 04/04/2025)

Para organizações, quarto mandato terá grandes desafios com o avanço da extrema-direita no Congresso e mobilização popular será fundamental para garantir avanços na agenda climática e ambiental

Por #Colabora | ODS 13, ODS 14, ODS 15

Publicado em 26/10/2026 - 13h27 (Atualizado há 34 minutos)

Tempo de leitura: 8 min

As principais organizações ambientalistas do país comemoraram, aliviadas, a reeleição do presidente Lula, com a derrota da candidatura negacionista e antiambientalista de Flávio Bolsonaro. Mas também alertaram para as ameaças à agenda ambiental e climática do Brasil com o avanço da extrema-direita no Congresso e em estados-chave para a preservação das florestas, da natureza e da biodiversidade.

Nota do Observatório do Clima (OC), com o título “Virada histórica de Lula evita tragédia, mas clima e meio ambiente ainda não estão a salvo”, deu o tom das manifestações dos ativistas. A coordenação da principal rede da sociedade civil brasileira com atuação na agenda climática destacou que “é hora de celebrar coletivamente a resiliência do regime democrático, mas também de enxergar com realismo a situação do país”. Para o OC, Lula assume o quarto mandato “com o sistema de freios e contrapesos da democracia fragilizado, com o Judiciário – sobretudo o Supremo Tribunal Federal – desmoralizado e desgastado pelas crises internas, e o Legislativo dominado pela extrema-direita”.

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A nota lembra que o Congresso Nacional já desferiu duros golpes contra o meio ambiente e o clima no primeiro mandato, citando a nova lei de agrotóxicos, o avanço da tese do Marco Temporal e a implosão do licenciamento ambiental. “Para os próximos quatro anos, este cenário piorou: sete em cada dez deputados e senadores que vão compor a próxima Legislatura votam contra a agenda de clima e meio ambiente. É fundamental que o Executivo reforce sua atuação no Parlamento e amplie alianças”, afirma a coordenação do OC.

O Observatório do Clima parabenizou o presidente eleito e afirmou depositar em Lula e na mobilização popular pela sua reeleição as melhores expectativas para a manutenção das conquistas alcançadas no campo ambiental e climático no último governo. “O resultado das urnas, no entanto, afasta a ameaça imediata contra a democracia e, na agenda socioambiental, contra o clima, a floresta, os povos e comunidades tradicionais, as instituições e as políticas públicas de meio ambiente”, afirma a nota, alertando, contudo, que O Brasil precisa enxergar a questão climática e o patrimônio ambiental brasileiro como oportunidades de alavancar o crescimento econômico e diminuir desigualdades sociais”.

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Para o WWF-Brasil, a vitória de Lula “abre uma oportunidade para fortalecer a agenda socioambiental, aprimorar políticas públicas e conciliar desenvolvimento econômico, inclusão social e proteção ambiental”. Mas a organização ambientalista também destaca os desafios para fazer avançar a agenda socioambiental. “É preciso considerar que a nova configuração do Congresso Nacional deverá impor desafios ainda maiores a partir de 2027. A próxima legislatura tende a ampliar a influência de setores favoráveis à flexibilização das regras de proteção da natureza e à redução das salvaguardas ambientais”, afirma nota divulgada pelo WWF-Brasil.

A organização considera fundamental o engajamento da sociedade civil, a articulação política consistente e a defesa firme dos direitos socioambientais e da legislação ambiental para enfrentar os desafios à frente. “Essa mobilização é essencial para proteger as pessoas e a riqueza natural brasileira, estratégica para o bem-estar e a prosperidade do país”, destaca o WWF.

A diretora executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, também saudou a reeleição de Lula. “Esse resultado é a prova de que o poder está com as pessoas quando elas se organizam e lutam. Pela primeira vez na história, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar consegue virar e cravar uma vitória”, afirmou.

A ambientalista também alerta para as ameaças no legislativo mas vê com esperança a participação da juventude e a ocupação das ruas no segundo turno. “Por conta da composição do Congresso Nacional, que viu a extrema-direita crescer muito e que tem em seus quadros um contingente de negacionistas e antiambientalistas, essa mobilização se fará necessária nos próximos quatro anos, para não perdermos direitos nem assistirmos a desmontes irreversíveis para o meio ambiente”, frisou Pasquali.

O Instituto Talanoa parabenizou Lula por sua reeleição e conclamou o presidente a usar sua experiência política para construir apoio a uma agenda climática ambiciosa em um país dividido. “O Brasil relembrou o mundo de que uma onda autoritária não é nem imparável, nem irreversível”, afirmou Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa. “O Brasil fez sua escolha nas urnas, e a Amazônia tem uma nova chance. Esta é uma vitória da democracia com consequências muito além das nossas fronteiras”.

Para o Talanoa, a reeleição de Lula oferece a oportunidade de consolidar os avanços conquistados no mandato anterior e estabelecer bases mais duradouras para a governança ambiental. “O destino da Amazônia e o destino da democracia brasileira tornaram-se profundamente entrelaçados”, afirmou Unterstell. “Vimos como os ataques às instituições democráticas podem caminhar lado a lado com o desmantelamento das proteções ambientais. O Brasil tem agora mais uma oportunidade de provar que as instituições democráticas podem proteger tanto os direitos das pessoas quanto os sistemas naturais dos quais depende o seu futuro”.

O cientista Carlos Nobre, professor da Universidade de São Paulo, copresidente do Painel Científico para a Amazônia, também saudou a vitória de Lula, alertando para os desafios pela frente. “O Brasil tem uma oportunidade histórica de impedir que a Amazônia ultrapasse seu ponto de não retorno. A redução do desmatamento nos últimos anos foi fundamental, mas ainda precisamos avançar muito mais. Zerar o desmatamento até 2030, combater a degradação florestal e acelerar a restauração florestal em grande escala são medidas urgentes”, destacou Nobre. “A ciência mostra que ainda podemos evitar uma transformação irreversível de grandes áreas da Amazônia, mas o tempo está se esgotando. Os próximos quatro anos serão decisivos para o futuro da maior floresta tropical do planeta e para o equilíbrio climático do Brasil e do mundo”, adicionou,

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Texto produzido pelos jornalistas da redação do #Colabora, um portal de notícias independente que aposta numa visão de sustentabilidade muito além do meio ambiente.

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