Durante quatro anos de extrema-direita no poder no Brasil, o #Colabora noticiou diversos retrocessos sociais e ambientais. O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, deixou marcas na vida de milhares de pessoas, nos biomas, nos territórios e nas famílias.
Foi sob a gestão de Bolsonaro que mais de 700 mil pessoas morreram durante a pandemia de Covid-19. Estudos indicam que, pelo menos, 400 mil vidas poderiam ter sido salvas, caso o governo federal tivesse apoiado medidas como o distanciamento social, uso de máscaras e acelerado a compra de vacinas.
Casos de racismo e intolerância religiosa também cresceram exponencialmente. Os povos indígenas sofreram com o avanço do garimpo e a “boiada” promovida pelo Executivo na área ambiental levou o desmatamento a alcançar níveis recordes.
A educação e as universidades públicas foram massacradas, acusadas de “balbúrdia” e condenadas à minguar diante de um severo cortes de recursos. Programas sociais, como Bolsa Família e Farmácia Popular, também sofreram as consequências do governo de Bolsonaro.
Neste 2026, o risco de uma nova ascensão da extrema-direita é real, desta vez, sob a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL), filho primogênito de Jair e herdeiro de seu projeto extremista.
A lista abaixo apresenta alguns – entre inúmeros possíveis – exemplos do impacto de um Bolsonaro na presidência do Brasil.
1 – Diário da Covid: necroceno
Em 7 de junho de 2020, o Brasil havia ultrapassado os Estados Unidos no número de mortes diárias por Covid-19. Poucos meses antes, o então presidente Jair Bolsonaro havia declarado, sobre as mortes em decorrência da Covid-19: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.
Lançado em março de 2025 e produzido pelo SoU Ciência (Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência), o Acervo da Pandemia reúne evidências, dados e documentos sobre as desinformações e os atores responsáveis por promover o negacionismo e instaurar um sistema de morte durante a crise sanitária.
2 – Enquanto Bolsonaro mente, a floresta queima
Em 16 de outubro de 2022, já durante a corrida presidencial, o presidente insinuou que seu governo teria registrado índices menores de desmatamento do que os dois primeiros mandatos de Lula, o que contradiz os números.
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Veja o que já enviamosPior, enquanto Bolsonaro mentia, o Brasil queimava. Entre janeiro e setembro daquele ano, o país tinha perdido 11.749.938 hectares queimados – uma área maior que todo o estado de Pernambuco.


3 – Ataques aos Direitos Humanos
Em 15 de janeiro de 2020, um relatório da ONG Human Rights Watch fez duras críticas ao governo Bolsonaro em áreas como segurança pública, violações de direitos humanos, perseguições à mídia e falta de políticas públicas para mulheres e crianças.
Entre os dados que o relatório mencionava, estava o de 1 milhão de casos de violência doméstica que aguardavam julgamento em 2018, incluindo 4.400 feminicídios.
4 – Recorde de desmatamento
Em 9 de julho de 2021 foram divulgados os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que apontaram que a área sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal foi de 1.062 km² em junho daquele ano. O número indicava um aumento de 1,8% em relação a junho de 2020 e o maior para o mês desde o início do monitoramento do sistema Deter-B, em 2016.
No final de 2021, a taxa de desmatamento na Amazônia Legal bateu recorde de 13.038 km², a maior desde 2006. Dados compilados pela InfoAmazonia mostram que, em média, a Amazônia perdeu 690 mil árvores a menos por dia no governo Lula 3 em relação ao governo de Bolsonaro.
5 – Racismo institucionalizado
Em 25 de novembro de 2020, uma pesquisa comprovou o racismo naturalizado nas falas de autoridades públicas. Levantamento da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), em parceria com a ONG Terra de Direitos, mapeou 49 casos de discursos institucionais racistas.
As demonstrações de ódio correspondem ao período entre 1º de janeiro de 2019 e 6 de novembro de 2020 e foram proferidas pelo então presidente da República, seu vice, deputados, ministros e representantes políticos das três esferas da federação (municipal, estadual e federal).


6 – Garimpo em terras indígenas
Os povos indígenas estão entre os grupos mais afetados diretamente pelo projeto de poder da extrema-direita. Em 27 de setembro de 2022, dados divulgados pelo MapBiomas registraram um aumento de 35% nas áreas de garimpo dentro de Terras Indígenas (TIs).
Um dos locais mais afetados pela expansão do garimpo ilegal foi a Terra Indígena Yanomami, onde a área tomada por garimpeiros quase quadruplicou entre 2020 e 2021, passando de 414 para 1.556 hectares, 275% de aumento. O governo Bolsonaro escolheu ignorar denúncias e pedidos de socorro do território, o que gerou uma crise humanitária sem precedentes.
7 – Retorno ao mapa da fome
Com a extrema-direita no poder, o Brasil retornou ao Mapa da Fome da ONU em 2022, considerando os dados de 2019 a 2021. Em 14 de setembro de 2022, pesquisa da Rede Penssan, divulgada em junho do mesmo ano, mostrava que 33 milhões de brasileiros passavam fome.
O mesmo estudo indicava um total de 125 milhões de pessoas com algum tipo de insegurança alimentar. Em 2025, já durante o governo Lula 3, o Brasil conseguiu novamente sair do Mapa da Fome, condição que foi mantida no relatório de 2026.
8 – Dez mentiras em quatro minutos
Em 2020, durante a abertura da 75ª Assembleia Geral da Organizações Unidas, o ex-presidente Jair Bolsonaro disparou uma série de mentiras. Em apenas quatro minutos de discurso sobre o tema ambiental, o ex-capitão deu dez declarações mentirosas, uma a cada 24 segundos.
9 – Ataques à educação
No período da gestão de Bolsonaro, o Brasil teve quatro ministros da Educação, sem considerar Carlos Alberto Decotelli, que pediu demissão antes mesmo de tomar posse após revelações sobre inconsistências no seu currículo.
Cortes de verbas e cancelamento de bolsas se tornaram comuns, especialmente, durante os 14 meses de Abraham Weintraub no cargo. Em resposta à acusação de “balbúrdia” nas universidades públicas, o #Colabora fez uma série didática para mostrar ao então ministro e seus apoiadores as pesquisas e iniciativas pioneiras realizadas pela academia brasileira.
10 – Atentado contra a democracia*
Em 2022, Bolsonaro e seus aliados promoveram uma série de ataques às instituições democráticas, com o objetivo de prejudicar a alternância legítima de poder após as eleições que deram vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pelo envolvimento na trama golpista, Jair Bolsonaro foi julgado e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à 27 anos e 3 meses de prisão. Ele foi considerado culpado pelos cinco crimes que foi acusado: golpe de Estado; tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito; organização criminosa armada; dano qualificado contra patrimônio da União; e deterioração de patrimônio tombado.
*Esta notícia foi publicada em 12 de setembro de 2025, porém, os atos que levaram à decisão do STF começaram a ser realizados durante o final do governo Bolsonaro.
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