Manifestação indígena em Brasília: com pandemia, violência contra povos originários e suas terras aumentou (Foto: Ramon Vellasco)

Vitória do bolsonarismo é sinônimo de regresso nacional

O que o efeito da pandemia da extrema direita significa para a luta indígena no Brasil? Enquanto uma doença matava, decisões políticas também colocavam povos inteiros em risco. Nossa existência é a resposta

Por Dinamam Tuxá | ODS 16

Publicado em 20/10/2026 - 09h30 (Atualizado há 4 minutos)

Tempo de leitura: 7 min

A extrema direita se espalha pelo mundo como uma pandemia política. Atravessa fronteiras, se entranha nas instituições, ganha força em momentos de crise e se propaga pelo medo e pela mentira. O trumpismo, nos Estados Unidos, está no centro da propagação dessa pandemia, que, mais recentemente, amplia sua influência sobre a América Latina.

No Brasil, o bolsonarismo encontrou nas urnas de 2026 uma nova oportunidade de ampliar ainda mais seu poder. Seus efeitos ameaçam direitos em todo o Brasil e podem agravar ainda mais a violência que os povos indígenas enfrentam na defesa de seus territórios.

O primeiro sintoma está no Congresso Nacional. A direita elegeu mais de 300 deputados federais. Somente o PL, atual representante da milícia bolsonarista na política partidária, elegeu 121 parlamentares. No Senado, 63 das 81 cadeiras estão concentradas nas mãos da direita, sendo pelo menos 40 delas ocupadas por senadores bolsonaristas. A extrema direita consolidou sua força nas duas Casas do Congresso.

Esse avanço amplia a influência de setores que defendem propostas contrárias aos direitos indígenas, como o Marco Temporal, e pressionam pela exploração dos nossos territórios. O Congresso se consolida como um regresso nacional, reafirmando sua atuação como inimigo dos povos e transformando direitos constitucionais em novas batalhas pela vida.

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O primeiro turno das eleições mal terminou, e as ameaças já se manifestam longe de Brasília. Indígenas Parakanã da Terra Indígena Apyterewa, no Pará, receberam ameaças de novas invasões caso Flávio Bolsonaro seja eleito. Os povos Kayapó, Yanomami e Munduruku também denunciaram ameaças de garimpeiros após o primeiro turno. No sul da Bahia, povos indígenas enfrentam ameaças de grupos armados associados ao movimento Invasão Zero. No Rio Grande do Sul, conflitos internos foram agravados com as eleições na Terra Indígena Votouro, do povo Kaingang, e deixaram três indígenas mortos.

Protesto em Brasília contra o marco temporal: ameaça a terras indígenas já demarcadas e em demarcação (Foto: Tiago Miotto / Cimi - 29/09/2022)
Protesto em Brasília contra o marco temporal: ameaça a terras indígenas já demarcadas e em demarcação (Foto: Tiago Miotto / Cimi – 29/09/2022)

Violências em série

As violências continuam. Invasões e conflitos territoriais seguem ameaçando nossos povos, e precisamos manter viva a memória do que o governo de Jair Bolsonaro fez contra nós. Pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), nós denunciamos Bolsonaro ao Tribunal Penal Internacional por genocídio, diante das violações cometidas contra nossos povos, inclusive durante a pandemia de Covid. A metáfora da pandemia da extrema direita carrega essa memória! Enquanto uma doença matava, decisões políticas também colocavam povos inteiros em risco.

O avanço da extrema direita no Legislativo também aumenta a pressão sobre o Judiciário. O Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2025 anulou o Marco Temporal, considerando a tese inconstitucional, tem sido uma instância importante na defesa dos direitos indígenas.

Setores bolsonaristas que ampliaram sua presença no Senado fizeram da derrubada de ministros do Supremo uma bandeira eleitoral. Para os povos indígenas, esse cenário coloca sob pressão uma instituição que tem desempenhado um papel importante na defesa dos direitos garantidos pela Constituição.

O cenário do Executivo também preocupa. Flávio Bolsonaro disputa a Presidência como sucessor político do pai, e marionete de Donald Trump. Para a APIB, sua eventual eleição representa o risco de retomada do projeto de morte que marcou o governo de Jair Bolsonaro e agravou a violência contra nossos povos.

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A disputa pelos minerais estratégicos reforça o alerta sobre os interesses dos Estados Unidos nas riquezas brasileiras. Para nós, soberania significa demarcar e proteger as Terras Indígenas. A ameaça ganha ainda mais força com a proposta de Flávio Bolsonaro de usar a nova composição do Congresso para mudar a Constituição brasileira, em que estão reconhecidos nossos direitos originários, conquistados após séculos de luta e sangue indígena derramado.

Uma possível reeleição de Lula também enfrentaria um cenário mais difícil. O avanço da extrema direita no Congresso amplia as pressões contrárias às demarcações e ameaça os compromissos assumidos com os povos indígenas. Ainda assim, a APIB reafirma, por meio do apoio declarado à reeleição de Lula, a importância de manter um campo democrático onde seja possível disputar os rumos do país e cobrar nossos direitos. Essa posição reconhece a importância de conter os retrocessos, mas exige compromissos concretos com a proteção dos territórios. A continuidade da luta indígena será fundamental diante de qualquer composição de governo.

É nessa força que encontramos esperança. O QUARTO PODER É A LUTA, que brota nos territórios e chega às ruas e redes para defender nossos direitos. Os povos indígenas já estavam aqui muito antes da formação do Estado brasileiro e atravessamos séculos de violência mantendo viva nossa resistência.

Se a extrema direita avança como uma pandemia política, nossos territórios vivos representam a maior barreira sanitária/política contra o retrocesso e o fascismo. É da força desses territórios que nasce a resistência capaz de enfrentar essa pandemia. Nossa existência é a resposta, e nossa luta seguirá! Nosso território, nossa vida!

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Dinamam Tuxá

Dinamam Tuxá é uma importante liderança indígena do povo Tuxá, originário de Rodelas, com atuação destacada na defesa dos direitos dos povos indígenas, do território e do meio ambiente.

Sua trajetória reúne não apenas militância, mas também sólida formação acadêmica e atuação institucional. Dinamam é bacharel em Direito, formado pela Universidade Vale do Rio Doce, mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília e doutor em Direito na mesma instituição. Além disso, atua como advogado indígena, com forte envolvimento em pautas relacionadas à demarcação de terras e aos direitos coletivos dos povos originários.

No campo institucional, ocupa o cargo de coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, principal organização do movimento indígena nacional, e também é assessor jurídico da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, onde contribui com a defesa jurídica dos povos indígenas da região.

Entre suas credenciais, destaca-se ainda sua atuação como Conselheiro Nacional de Meio Ambiente (2015) e sua participação em articulações internacionais, levando denúncias sobre violações de direitos indígenas a outros países e organismos globais.

Dinamam também se consolidou como uma liderança política e intelectual indígena, articulando saber jurídico, formação acadêmica e conhecimento tradicional. Sua formação foi, inclusive, parte de um projeto coletivo de seu povo, que incentivou sua qualificação como instrumento de defesa territorial e cultural.

Dinamam Tuxá

Dinamam Tuxá é uma importante liderança indígena do povo Tuxá, originário de Rodelas, com atuação destacada na defesa dos direitos dos povos indígenas, do território e do meio ambiente.

Sua trajetória reúne não apenas militância, mas também sólida formação acadêmica e atuação institucional. Dinamam é bacharel em Direito, formado pela Universidade Vale do Rio Doce, mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília e doutor em Direito na mesma instituição. Além disso, atua como advogado indígena, com forte envolvimento em pautas relacionadas à demarcação de terras e aos direitos coletivos dos povos originários.

No campo institucional, ocupa o cargo de coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, principal organização do movimento indígena nacional, e também é assessor jurídico da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, onde contribui com a defesa jurídica dos povos indígenas da região.

Entre suas credenciais, destaca-se ainda sua atuação como Conselheiro Nacional de Meio Ambiente (2015) e sua participação em articulações internacionais, levando denúncias sobre violações de direitos indígenas a outros países e organismos globais.

Dinamam também se consolidou como uma liderança política e intelectual indígena, articulando saber jurídico, formação acadêmica e conhecimento tradicional. Sua formação foi, inclusive, parte de um projeto coletivo de seu povo, que incentivou sua qualificação como instrumento de defesa territorial e cultural.

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