Eletrificação ganha força rumo à COP31 com apoio de governos de cinco continentes

Reunião na Semana Climática de Londres: eletrificação ganha força rumo à COP31 (Foto: COP31 / Divulgação)

Campanha lançada na Semana Climática de Londres busca elevar a participação da eletricidade no consumo final de energia para 35% até 2035

Por Instituto ClimaInfo | ODS 13ODS 7
Publicada em 24 de junho de 2026 - 12:22  -  Atualizada em 24 de junho de 2026 - 12:42
Tempo de leitura: 8 min

Reunião na Semana Climática de Londres: eletrificação ganha força rumo à COP31 (Foto: COP31 / Divulgação)
Reunião na Semana Climática de Londres: eletrificação ganha força rumo à COP31 (Foto: COP31 / Divulgação)

(Cínthia Leone*) – Nove governos, além da Comissão Europeia, lançaram nesta terça (23/06) a campanha Electrify Now durante a Semana de Clima de Londres. Entre os apoiadores estão a Turquia, anfitriã da COP31; a Austrália, presidente das negociações da COP31; a Etiópia, futura anfitriã da COP32; além de Coreia do Sul, Filipinas, Barbados, Canadá e Reino Unido. A iniciativa também recebeu apoio da Agência Internacional de Energia (IEA) e de mais de 40 organizações em todo o mundo.

O lançamento ocorreu após um discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, que afirmou que a eletrificação dos transportes, edifícios e da indústria está “entre as formas mais rápidas de reduzir emissões e romper a dependência de combustíveis fósseis importados”.

Guterres, que lançou iniciativa para enfrentamento da crise climátca e um chamado para ação contra o metano, destacou a urgência imposta pelas mudanças climáticas para o uso de energias renováveis. “Para a agenda climática, este é ao mesmo tempo o melhor e o pior dos tempos. O pior, porque os impactos climáticos estão se intensificando, pontos de não retorno se aproximam e a crise energética expôs os profundos riscos da dependência dos combustíveis fósseis. Mas também o melhor, porque a revolução das energias renováveis está em pleno andamento. Uma revolução de energia limpa, eletrificação, redução de custos, aumento da ambição e enormes oportunidades,”

Leu essa? Países denunciam ataques à ciência em reunião climática da ONU em Bonn

A eletrificação vem sendo apresentada como um dos principais temas da COP31, em Antalya. Murat Kurum, presidente da COP31 pela Turquia, anunciou uma meta global para que a eletricidade represente 35% do consumo final de energia até 2035, como parte da Agenda de Ação da presidência. “Hoje faço um chamado a todos os governos, empresas e instituições financeiras: escolham a transformação em vez da turbulência. Participem desta plataforma e da revolução da eletrificação. Não se trata apenas de uma tarefa climática, mas de um imperativo de segurança energética, uma estratégia de competitividade e uma oportunidade econômica”, enfatizou Dan Jørgensen, comissário europeu para Energia e Habitação.

Gostando do conteúdo? Nossas notícias também podem chegar no seu e-mail.

Veja o que já enviamos

A Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) afirma que a eletrificação representa uma “oportunidade ganha-ganha para países de todo o mundo”, à medida que solar e eólica se tornam cada vez mais competitivas em custo. Segundo a agência, as energias renováveis podem responder por 92% da geração global de eletricidade até 2050. “Espero muito que, em Antalya, todos os países do mundo se unam e concordem com uma meta global: alcançar uma participação de 35% da eletricidade no consumo final de energia até 2035. Esse será um dos grandes legados da COP31”, disse Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA).

Para Claudio Ângelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, a economia real está mandando sinais na Semana Climática de Londres que a diplomacia não conseguiu dar semana passada na conferência de Bonn. “Enquanto a segunda onda de calor em poucas semanas varre a Europa, a eletrificação desponta como palavra de ordem da Semana do Clima aqui na Inglaterra e pode vir a ser um atalho para sair das duas crises a que se referiu o secretário-geral António Guterres: a energética e a climática, ambas causadas pelos combustíveis fósseis. Os governos precisam agora captar esses sinais e transformar em ação acelerada”, afirmou.

Stientje van Veldhoven e Irene Vélez Torres, ministras do Meio Ambiente dos Países Baixos e da Colômbia, entregam relatório da Conferência de Santa Marta à diretora executiva da COP30, Ana Toni: caminho para transição para longe dos combustíveis fósseis (Foto: Wilder García / Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia)
Stientje van Veldhoven e Irene Vélez Torres, ministras do Meio Ambiente dos Países Baixos e da Colômbia, entregam relatório da Conferência de Santa Marta à diretora executiva da COP30, Ana Toni: caminho para transição para longe dos combustíveis fósseis (Foto: Wilder García / Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia)

Transição para longe dos fósseis

O dia também marcou a divulgação do relatório da Conferência de Santa Marta sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis. Colômbia e Países Baixos, copresidentes da conferência, entregaram o documento à diretora-executiva da COP30, Ana Toni. “A entrega do relatório à presidência da COP30 marca um passo importante para enfrentar tanto a crise climática quanto a insegurança energética, profundamente ligadas à dinâmica dos mercados de combustíveis fósseis. A transição para longe dos combustíveis fósseis já não está em debate, nem é uma aspiração distante. Ela se tornou uma agenda global, baseada na ciência e impulsionada pela sociedade civil”, disse Irene Vélez Torres, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia.

O relatório da Conferência de Santa Marta traz cinco inovações centrais: 1. Transição como transformação econômica e soberania energética;
2. Coerência entre clima e economia, destacando que a ambição climática não pode avançar isoladamente, e é necessário alinhar os processos da Convenção do Clima da ONU com debates internacionais sobre comércio, dívida, tributação, financiamento e investimento; 3. Coalizão aberta para implementação, com a reunião de 57 nações, 14 capítulos temáticos de partes interessadas e três frentes de trabalho voltadas à transformação da ambição em ação concreta; 4. Dos diagnósticos às soluções, com a identificação de caminhos concretos para acelerar uma transição justa e ordenada; e 5. Renovação do multilateralismo: o processo de Santa Marta é apresentado como uma demonstração de que atores diversos ainda podem convergir em torno de soluções comuns, fortalecendo a confiança, a solidariedade e a cooperação em um contexto geopolítico fragmentado.

O Brasil lançou, durante a COP30 em Belém, um processo internacional de elaboração de roadmaps para a transição para longe dos combustíveis fósseis (TAFF Roadmaps). O governo brasileiro afirma esperar que a agenda de eletrificação se conecte a essa iniciativa.

Também nesta terça (23), Cazaquistão, Chade e Trinidad e Tobago anunciaram que trabalharão com a Beyond Oil and Gas Alliance (BOGA) e a NDC Partnership no desenvolvimento de seus planos de transição para longe da dependência de petróleo e gás. A nova parceria oferecerá apoio ampliado a países produtores que desejam fortalecer seu planejamento para reduzir a dependência econômica dos combustíveis fósseis.

*Cinthia Leone é jornalista, doutora em Ciência Ambiental pela USP (Universidade de São Paulo) e coordenadora de diplomacia climática do ClimaInfo

Apoie o #Colabora.

Queremos seguir apostando em grandes reportagens, mostrando o Brasil invisível, que se esconde atrás de suas mazelas. Contamos com você para seguir investindo em um jornalismo independente e de qualidade.

Instituto ClimaInfo

O Instituto ClimaInfo, organização sem fins lucrativos, tem o objetivo de oferecer um ambiente livre de especulações e fake news sobre mudanças climáticas para contribuir com um debate produtivo, baseado em fatos e dados reais, sobre ações e políticas para a mitigação e a adaptação às consequentes mudanças climáticas globais

Newsletter do #Colabora

A ansiedade climática e a busca por informação te fizeram chegar até aqui? Receba nossa newsletter e siga por dentro de tudo sobre sustentabilidade e direitos humanos. É de graça.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *