ODS 1
Países denunciam ataques à ciência em reunião climática da ONU em Bonn


Negociadores protestam contra ação coordenada de países interessados em defender a exploração dos combustíveis fósseis


Dezenas de países denunciaram os crescentes “ataques coordenados” de interesses ligados aos combustíveis fósseis, com o objetivo de minar o papel da ciência climática nas negociações da ONU durante as conversas de meio de ano em Bonn, a 64ª sessão dos Órgãos Subsidiários da UNFCCC (SB64), conferência preparatória para a COP31.
Sob a bandeira dos “Amigos da Ciência”, numa sala lotada de negociadores e apoiadores da sociedade civil, diplomatas de Fiji, Nepal, União Europeia, Suíça, Serra Leoa e Panamá prometeram garantir que a tomada de decisões no processo climático da ONU continue baseada na “melhor ciência disponível”. Isso inclui os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o órgão científico da ONU para o clima, defenderam os líderes do movimento.
“Existem interesses poderosos desesperados para proteger sua riqueza e influência”, disse o chefe da delegação de Fiji, Sivendra Michael, ladeado por apoiadores com camisetas estampadas com o slogan “A ciência não é negociável”. “Estamos vendo certos países sequestrando o processo enquanto pessoas vulneráveis sofrem com o estresse térmico, marés altas, tempestades, secas e fome”, completou.
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Embora evitassem apontar qualquer país específico, os porta-vozes disseram que os esforços para lançar dúvidas sobre conceitos científicos estabelecidos, como o limite de aquecimento global de 1,5°C, são liderados pelos “suspeitos de sempre” e por aqueles que pensam que “a ciência ameaça suas perspectivas econômicas”.
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Veja o que já enviamosApesar da ausência de nomes, o boletim independente Earth Negotiations Bulletin informou que a Arábia Saudita opôs-se à linguagem que expressava preocupação com o El Niño e solicitava ao IPCC que fornecesse atualizações regulares sobre a ciência climática. E a Índia sugeriu eliminar qualquer referência a “mudanças irreversíveis”. A Arábia Saudita depende das exportações de petróleo e gás, enquanto a Índia ainda usa muito carvão na geração de eletricidade e em processos industriais.
Em nome da Associação Independente da América Latina e do Caribe (AILAC), a panamenha Ana Aguilar disse que estes países foram a Bonn para negociar posições, não os fatos apresentados pela ciência. “Observamos esforços coordenados para lançar dúvidas sobre a melhor ciência disponível, motivados por um conjunto restrito de interesses, e não pelas necessidades do nosso povo”, acrescentou. “Já vimos essa estratégia antes… fabricar dúvidas, atrasar a resposta e deixar que as pessoas vulneráveis paguem a conta.”
A Arábia Saudita e a Índia se opuseram aos apelos presentes nas versões preliminares dos textos para incentivar pesquisas científicas sobre cenários que minimizem a magnitude e a duração de qualquer ultrapassagem de 1,5°C, de acordo com um negociador presente na reunião e resumos de discussões a portas fechadas publicados por uma agência de notícias.
A coalizão “Amigos da Ciência” enfatizou que a meta de 1,5°C do Acordo de Paris não é negociável, pois a sobrevivência das comunidades mais vulneráveis às mudanças climáticas está em risco caso essa meta seja permanentemente ultrapassada. “A ciência nos diz que 1,5°C é um limite intransponível para muitos países, incluindo os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos”, afirmou Manjeet Dhakal, negociador do Nepal. “Ainda temos uma chance de manter o limite de 1,5°C ao nosso alcance e minimizar o impacto negativo se agirmos com rapidez e de forma drástica.”
O secretário-geral da ONU, António Guterres, admitiu no ano passado que uma violação temporária do limite crítico de aquecimento é inevitável, ao mesmo tempo em que instou os países a redobrarem os esforços para reduzir as temperaturas.
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Oscar Valporto
Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade





































