Lixo plástico: um campeão de vendas da Amazon

Embalagem com plástico bolha: uso pela Amazon do plástico bolha bastaria para circundar a Terra mais de 500 vezes (Foto: Mint Images/AFP)

De acordo com estudo, gigante de tecnologia e comércio eletrônico despejaou no ambiente cerca de 250 milhões de toneladas de plástico em 2019

Por José Eduardo Mendonça | ODS 12ODS 13 • Publicada em 25 de janeiro de 2021 - 09:22 • Atualizada em 11 de fevereiro de 2021 - 16:15

Compartilhe

Embalagem com plástico bolha: uso pela Amazon do plástico bolha bastaria para circundar a Terra mais de 500 vezes (Foto: Mint Images/AFP)

O engenheiro Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, tornou-se recentemente o homem mais rico do mundo, chegando a uma fortuna de 188.5 bilhões de dólares. Ultrapassou Jeff Bezos em 1.5 bilhão, que perdeu o posto da maior fortuna do planeta. Mas, enquanto Musk fabrica foguetes e carros elétricos, Bezos tem, com sua Amazon, um modo de cooperar com a destruição do planeta – jogando fora plástico, muito plástico.

Nosso estudo mostra que as embalagens plásticas e o lixo gerado pela Amazon não são destinados à reciclagem mas para aterros sanitários ou o ambiente, incluindo tristemente nossos cursos de água e mares, onde o plástico pode prejudicar a vida marinha

Matt Littlejohn
Vice-presidente da Oceana
Este mês a consultoria ambiental Oceana publicou um relatório segundo o qual a Amazon foi responsável por despejar no ambiente cerca de 250 milhões de toneladas de plástico no ano passado. A resposta da empresa? A conta foi sobrestimada em 350%. O lixo vem principalmente de plástico bolha utilizado para impedir que itens se movam dentro da embalagem ou embalagens de plástico para postagem de envelopes.

Junto com outros itens plásticos de embalagem, foram 7 bilhões de pacotes entregues em 2019, ano mais recente com dados fechados. Para se ter uma ideia, o desperdício de plástico apenas com plástico bolha bastaria para circundar a Terra mais de 500 vezes.

O estudo combinou também dados das embalagens de e-commerce com um estudo recente publicado na revista Science. Ele estima que 11 milhões dos detritos plásticos da Amazon entraram na água de solo e  nos ecossistemas, o equivalente a despejar uma van cheia de plástico nos oceanos a cada 70 minutos.

“A quantidade de lixo plástico gerado pela companhia é imenso e cresce numa taxa assustadora”, diz o vice-presidente da Oceana, Matt Littlejohn. “Nosso estudo mostra que as embalagens plásticas e o lixo gerado pela Amazon não são destinados à reciclagem mas para aterros sanitários ou o ambiente, incluindo tristemente nossos cursos de água e mares, onde o plástico pode prejudicar a vida marinha. É hora de a Amazon ouvir os consumidores que, de acordo com pesquisas recentes, querem uma alternativa para o plásticos”, acrescenta.

Mesmo antes da atividade febril das compras online de 2020, o lixo plástico produzido pela Amazon já era uma série ameaça à saúde do planeta.

Em um relatório de sustentabilidade de setembro com o compromisso da companhia de zero carbono em seus negócios até 2040, a Amazon mencionou que filme de plástico é difícil de reciclar em plantas locais. A companhia não revela seu uso total de plástico, e disse que lançaria centros de reciclagem em 55 armazéns de distribuição em sua rede, para reciclar mais de 7 mil toneladas do material por ano, além das 1.500 toneladas de plástico sendo recicladas por ano na Europa.

Apesar dos protestos da Amazon, a Oceana mantém seus dados e recomenda em seu relatório que a varejista foque menos em reciclar plástico e mais em reduzir seu uso. “A Amazon já demonstrou que pode rapidamente reduzir o uso de embalagens plásticas em grande escala quando eliminou plástico não reciclável de seus centros de distribuição na Índia”, afirma o relatório.  Os dados foram coletados por analistas da indústria de embalagens na China, Estados  Unidos, Grã-Bretanha, Japão, Índia, Alemanha, Canadá, Brasil, Espanha e México. Globalmente, o e-commerce consome por ano mais de um bilhão de toneladas de plástico.

José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

Newsletter do Colabora

Nossa newsletter é enviada de segunda a sexta pela manhã, com uma análise do que está acontecendo no Brasil e no mundo, com conteúdo publicado no #Colabora e em outros sites.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *