

Em verdade, é bem fácil escolher entre as duas faces da contenda eleitoral. Debeladas as relativizações, espanada a apatia, dissolvidas as mistificações, silenciada a parolagem, a diferença se oferece contundente, límpida, objetiva, cristalina. Expressa-se na distância – abissal – entre solidariedade e exclusão, empatia e intolerância, diálogo e violência, realidade e mentiras, democracia e arbítrio, cuidado e destruição, civilidade e barbárie, vida e morte.
Simples assim. Então, bora de feijão com arroz?
Leu essa? O Brasil fora do Mapa da Fome
Um lado tirou os brasileiros mais pobres da fome – duas vezes. O outro botou.
Um lado defende a ciência, acredita na vacina, investe na saúde pública. O outro matou ao menos 400 mil pessoas na pandemia, sabotou as medidas sanitárias e ainda zombou do martírio alheio.
Um lado defende e luta pela vida. O outro professa a morte de quem não o segue como gado – e mesmo o martírio de seus adeptos não lhe causa compaixão. Nada causa.
Um lado aceita as diferenças, acolhe os vulneráveis e fragilizados. O outro despreza, debocha, prega o extermínio.
Um lado luta contra o racismo. O outro pratica a discriminação.
Um lado respeita mulheres, LGBTQIAPN+ e outras minorias. O outro ataca, agride, silencia, fere, mata.
Um lado trabalha pelo bem estar de toda a população e batalha pela diminuição da brutal desigualdade que nos define como país e sociedade, pela via pacífica e institucional dos programas de transferência de renda. O outro se regozija da miséria alheia, exalta o individualismo, se alimenta da amargura e da desesperança.
Um lado aposta em soluções e avanços coletivos. O outro se agarra a conceito torto de meritocracia, para favorecer exclusivamente os seus.
Um lado se dedica à preservação e desenvolvimento do estado de direito, das individualidades e das liberdades. O outro investe na opressão violenta e sufoca quem pensa diferente dele.
Um lado sempre lutou pela democracia. O outro sonha e conspira por ditaduras.
Um lado trabalha pela soberania, a posse de suas riquezas e a autonomia sobre seu destino. O outro trama para entregar tudo ao colonizador ianque e pôr o país de joelhos diante dele.
Um lado tem a liderá-lo o homem que presidiu o Brasil por três vezes, sempre respeitando as regras democráticas. O outro endeusa um marginal que tentou iniciar nova ditadura e está em cana. Agora, quem tenta chegar ao poder é o filho do presidiário, metido em bandalheiras variadas, sempre atrás de embolsar mais dinheiro – seja de rachadinhas, lojas de chocolate, banqueiros dadivosos ou o que mais aparecer.
Um lado sempre pavimentou avanços sociais quando esteve no poder; mudou a cara da sociedade com programas de distribuição de renda e democratizou o acesso ao ensino superior e à saúde; aumentou o consumo e espalhou prosperidade. O outro disseminou desgraça, acentuou a pobreza e a desigualdade.
Um lado defende e promove a cultura, por meio do fomento público e da mediação com empresas e outros entes federativos. O outro vilaniza artistas e intelectuais, tem ojeriza à diversidade de pensamento e sonha com o fechamento de museus, teatros, cinemas e instituições em geral.
Um lado batalhou nos tribunais quando processado – e ao perder, acatou a sentença. O outro quer controlar a justiça e eliminar a independência dos poderes.
Um lado prega e pratica a transparência. O outro, corrupto até a medula, mente sem pudor.
Um lado mantém-se distante de assassinos, agressores e malfeitores em geral. O outro se associa a milicianos, exalta torturadores, protege matadores e promove o armamento.
Um lado toureia a devastação ambiental, reduz o desmatamento e reconhece a catástrofe climática. O outro defende sem constrangimento a destruição dos biomas, a exploração desenfreada e o fim das reservas e territórios indígenas e florestais; negacionista, debocha dos informes e estudos que identificam o aquecimento do planeta.
A lista de diferenças entre um lado e outro continua ao infinito. No próximo fim de semana, será daqueles momentos da existência no qual se decide o caminho que desenhará o futuro.
Tem um lado. E o outro.
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