ODS 1
Após recorde: Amazônia registra menor área queimada de série histórica em 2025




Floresta em chamas no Sul do Amazonas: temporada de queimadas, seca extrema e fumaça (Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace – 01/08/2024)
Dados do MapBiomas apontam que área queimada no Brasil ficou 31% abaixo de média histórica
A Amazônia queimou menos e puxou a redução da área perdida para o fogo no Brasil, em 2025. Um ano depois do recorde de maior área queimada da série histórica (15,8 milhões de hectares, em 2024), o bioma teve 3,1 milhões de hectares queimados em 2025, menor área observada em 41 anos.
A redução na Amazônia explica a diminuição da área queimada total no país. Foram 12,7 milhões de hectares no Brasil em 2025, quase metade do valor registrado no ano anterior e 31% abaixo da média histórica, que é de 18,4 milhões de hectares ao ano. Os dados fazem parte da 2° edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado nesta terça-feira (21/07), pelo MapBiomas.
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Pesquisadora do MapBiomas, Ane Auxiliadora Costa Alencar elenca a questão climática como uma das explicações para o menor número de queimadas na Amazônia, com uma estação chuvosa mais longa, além de melhorias na estrutura de prevenção e combate ao fogo no bioma.
“Outro ponto é que tivemos uma redução do desmatamento, o que reduz as fontes de ignição para o fogo”, acrescenta Ane, também diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
Apesar da queda de quase 80% no total de área queimada no último ano, a Amazônia segue concentrando, ao lado do Cerrado, a maior parte de tudo o que já queimou no país. Os dois biomas juntos respondem por 86% de toda a área atingida pelo fogo desde 1985.
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Veja o que já enviamosUm outro dado também desperta preocupação em relação à recorrência do fogo nas florestas do bioma. Na Amazônia, os intervalos entre as queimadas estão mais curtos: 31,6% de sua área queimada volta a pegar fogo em até dois anos, um sinal de que a vegetação tem cada vez menos tempo para se recuperar entre um evento e outro.
Pesquisador da equipe MapBiomas e do IPAM, Luiz Felipe Martenexen explica que a maior parte da vegetação da Amazônia não é adaptada ao fogo. “Esse processo pode comprometer progressivamente a regeneração e tornar a floresta cada vez mais vulnerável ao fogo”, alerta o cientista.


Potencial e intervalo do fogo
O Cerrado também recuou em relação à média histórica, mas segue como o bioma mais afetado pelo fogo em todos os anos, com 8,7 milhões de hectares queimados em 2025 e uma média anual de 9,6 milhões de hectares.
Já o Pantanal teve a maior queda proporcional entre todos os biomas: com 121 mil hectares queimados em 2025, uma redução de 85,6% frente à sua média histórica e a menor área perdida para o fogo já registrada no bioma. Por outro lado, a Caatinga registrou queimadas acima da média em 2025, com 505 mil hectares. No Pampa, foram 10,1 mil hectares perdidos.
A nova edição do Relatório Anual do Fogo traz dois índices novos: a severidade potencial do fogo, que estima o grau de impacto do fogo sobre a vegetação em cinco níveis, e o intervalo de retorno do fogo, que quantifica o número de anos entre as ocorrências de fogo em uma mesma área.
Os dados do MapBiomas indicam que 64% da área queimada no país teve severidade moderada ou baixa. Porém, em biomas como Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, as classes de severidade alta e muito alta já respondem por metade ou mais da área queimada.
No caso do Pampa, esse percentual foi de 37% em 2025, o maior entre todos os biomas. Alerta para o impacto da agropecuária. “É um bioma que queima pouco, mas quando isso ocorre, a queimada é intensa, o que demanda pensar no manejo”, aponta Ane Alencar.
Em relação ao intervalo entre as queimadas, o levantamento aponta que 64% de toda a área queimada no Brasil nos últimos 41 anos pegou fogo mais de uma vez. Além disso, 52% das áreas com recorrência voltam a queimar em até quatro anos.
Distribuição das queimadas
Em nível estadual, o levantamento mostra que 47% de toda a área queimada no Brasil desde 1985 está concentrada em três estados: Mato Grosso (45,1 milhões), Pará (31,6 milhões) e Maranhão (20,7 milhões). Juntas, essas três unidades da federação somam 97,4 milhões de hectares queimados nos 41 anos monitorados.
Em nível municipal, 11% de toda a área queimada do país está concentrada em 15 municípios, com destaque para Corumbá (MS), com 3,7 milhões de hectares, e São Félix do Xingu (PA), com 3,1 milhões, que lideram o ranking histórico.
O mapeamento mostra ainda que 71,5% de toda a área queimada no país entre 1985 e 2025 ocorreu em vegetação nativa, contra 28,5% em áreas de uso antrópico, como pastagens e áreas agrícolas. A proporção, no entanto, muda bastante conforme o bioma: na Amazônia e na Mata Atlântica, o fogo causado pela ação humana já é predominante, respondendo por mais da metade das queimadas, principalmente por conta do fogo em pastagens.


El Niño
A diminuição da vegetação queimada em 2025 pode sofrer um revés neste ano e em 2027, principalmente, por conta do El Niño. Os dados da série histórica do MapBiomas revelam maior índice de área afetada pelo fogo em anos do fenômeno, a exemplo de 2010, 2015 e 2024.
“O El Niño não causa diretamente incêndios, mas deixa a vegetação mais seca e suscetível ao fogo”, explica Vera Laisa da Silva Arruda, pesquisadora do MapBiomas e do IPAM. O risco é maior justamente na Amazônia e nas porções mais ao norte do Cerrado.
Além disso, a tendência é de que o impacto do El Niño seja mais sentido em 2027, por conta da extensão do período seco em grande parte do país.
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