Brasil e China podem liderar rastreabilidade de carne e soja livres de desmatamento

Rebanho de gado em área desmatada na Amazônia: enquanto perda de áreas naturais chegou a um terço do território do Brasil, área de pastagem aumentou 79% e a de agricultura cresceu 228% desde 1985 (Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace - 30/07/2024)
Rebanho de gado em área desmatada na Amazônia: enquanto perda de áreas naturais chegou a um terço do território do Brasil, área de pastagem aumentou 79% e a de agricultura cresceu 228% desde 1985 (Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace - 30/07/2024)
Rebanho de gado em área desmatada na Amazônia: Brasil e China podem liderar rastreabilidade de carne e soja livres de desmatamento (Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace – 30/07/2024)

Estudo do WRI Brasil propõe o aperfeiçoar o monitoramento socioambiental para fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro. O documento aponta o importante papel dos chineses na construção de cadeias de commodities mais sustentáveis.

Por Liana Melo | ODS 12

Publicado em 28/07/2026 - 09h52 (Atualizado há 50 segundos)

Tempo de leitura: 6 min

Maior exportador de carne bovina e soja do mundo, o Brasil tem todas as condições – e deve liderar pelo exemplo – de assumir o protagonismo na construção de um padrão internacional de rastreabilidade. Essa é a conclusão do estudo “Rastreando a responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil”. De autoria de pesquisadores do WRI Brasil e da China, o levantamento conta ainda com apoio da BV Rio, da Amigos da Terra, dos Principles for Responsible Investment (PRI, de Londres) e da Proforest, da China.

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Juntas, essas duas cadeiras produtivas foram responsáveis, em 2024, por 60% das exportações agropecuários do Brasil. Naquele ano, a China foi o principal comprador mundial dessas commodities. À medida que o cerco internacional contra a carne bovina e a soja associadas ao desmatamento aumenta, a rastreabilidade completa e confiável da produção agropecuária virou um diferencial competitivo, deixando de ser apenas uma exigência regulatória.

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Na visão dos pesquisadores envolvidos no estudo, não se trata apenas de preservação do meio ambiente, mas de uma questão econômica e estratégica. Cadeias produtivas rastreáveis e transparentes fortalecem a confiança dos mercados, reduzem incertezas para exportadores e importadores, possibilitam o acesso a mercados mais exigentes e contribuem para a estabilidade das relações comerciais de longo prazo.

Em 30 de dezembro deste, por exemplo, entra em vigor a lei antidesmatamento da União Europeia, o que obrigará países exportadores de carne e soja, e também de café e madeira, como é o caso do Brasil, comprovarem, por meio de dados de geolocalização, a origem dos produtos. É fato que o comércio global de alimentos vem passando por uma transformação importante. Há uma clara tendência de compradores, governos e instituições financeiras ampliarem as exigências e buscarem maiores garantias de que produtos agrícolas, como soja e carne bovina, sejam produzidos em conformidade com critérios socioambientais e sem desmatamento.

O estudo do WRI propõe a criação de um marco de referência unificado, baseado na legislação brasileira e alinhado aos principais padrões internacionais para cadeias livres de desmatamento e conversão.

Uma das conclusões do trabalho é que “o atual conjunto de iniciativas do Brasil é fragmentado, apresentando inconsistências em aspectos fundamentais do monitoramento, como datas de cortes divergentes, fiscalização desigual e cobertura limitadas de fornecedores indiretos, o que comprometem a conformidade efetiva ao longo das cadeiras de suprimentos.”

Foram analisadas 21 iniciativas, das quais dez delas voltadas para a soja e 11 para a carne bovina, concebidas para apoiar o monitoramento e a verificação de cadeiras de suprimentos sustentáveis nos biomas Amazônia e Cerrado. Três iniciativas de rastreabilidade bem-sucedidas chamaram a atenção dos pesquisadores: o Protocolo de Monitoramento de Fornecedores de Gado da Amazônia, o Protocolo Grãos Verdes do Pará e as plataformas Selo Verde, analisadas nos estados do Pará, Minas Gerais e Maranhão.

O estudo ressaltou a importância da criação de um protocolo nacional integrado. Essa unificação de normas e regras, segundo os pesquisadores, melhoraria a capacidade de diferentes sistemas, aplicativos ou máquinas trocarem e usarem dados entre si. Com isso, as auditorias seriam simplificadas, aumentaria a transparência e fortaleceria a credibilidade das exportações brasileiras de soja e carne bovina.

O WRI também destaca a importância da China para unificar os protocolos: fortalecer os marcos legais e o comércio sustentável entre Brasil e China poderia trazer grandes benefícios para a conservação das florestas. Na avaliação da WRI, um protocolo bilateral criaria uma ‘linguagem comum’ entre os dois países, reduzindo incertezas para importadores e aumentando a credibilidade das cadeias brasileiras de soja e carne.

O estudo diz que desenvolver um protocolo comum é uma oportunidade estratégica para fortalecer a cooperação ambiental entre Brasil e China, ancorar o comércio na legalidade e na transparência e atender à crescente demanda global por cadeias de suprimento sustentáveis.

 

 

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Liana Melo

Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Especializada em Economia e Meio Ambiente, trabalhou nos jornais “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “Jornal do Brasil”, “O Dia” e na revista “IstoÉ”. Ganhou o 5º Prêmio Imprensa Embratel com a série de reportagens “Máfia dos fiscais”, publicada pela “IstoÉ”. Tem MBA em Responsabilidade Social e Terceiro Setor pela Faculdade de Economia da UFRJ. Foi editora do “Blog Verde”, sobre notícias ambientais no jornal “O Globo”, e da revista “Amanhã”, no mesmo jornal – uma publicação semanal sobre sustentabilidade. Atualmente é repórter e editora do Projeto #Colabora.

Liana Melo

Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Especializada em Economia e Meio Ambiente, trabalhou nos jornais “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “Jornal do Brasil”, “O Dia” e na revista “IstoÉ”. Ganhou o 5º Prêmio Imprensa Embratel com a série de reportagens “Máfia dos fiscais”, publicada pela “IstoÉ”. Tem MBA em Responsabilidade Social e Terceiro Setor pela Faculdade de Economia da UFRJ. Foi editora do “Blog Verde”, sobre notícias ambientais no jornal “O Globo”, e da revista “Amanhã”, no mesmo jornal – uma publicação semanal sobre sustentabilidade. Atualmente é repórter e editora do Projeto #Colabora.

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