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Pescadores de Jericoacoara


Descobri Jeri nas férias de 1998, seguindo a dica de um “bugueiro” na praia de Cumbuco, em Fortaleza. Nessa época, Jericoacoara já tinha sido eleita uma das dez praias mais bonitas do mundo pela Washington Post Magazine. Caí de amores pelo paraíso quase intocado,  onde só se chegava atravessando 15 quilômetros de uma imensidão de areia salpicada de dunas, a bordo de caminhões usados como transporte público (ou em carros com tração 4×4, o que não era o meu caso). Isso após percorrer 317 quilômetros de ônibus de Fortaleza a Jijoca. Dali, o caminho até a Vila de Jericoacoara era feito em trepidantes 45 minutos. Após a descoberta do paraíso, em 1998, voltei a ele outras seis vezes. E sempre preferia fazer a viagem à noite. Até hoje, guardo em minha memória as travessias na boleia de um caminhão, sob um céu imenso, coberto por um mar de estrelas.

Hoje, a viagem é muito mais rápida e fácil, pelas areias da praia de Preá, em ônibus comuns. O paraíso não é mais o mesmo, devido a uma vertiginosa especulação imobiliária na vila. Tentados por ofertas astronômicas por seus terrenos, pescadores abandonaram suas casas. Os filhos não querem mais seguir a profissão dos homens do mar. Os jovens preferem as atividades ligadas ao turismo, com lucros maiores e mais rápidos. Em duas das seis vezes em que estive lá, levei meu equipamento analógico e filmes em P&B. Agora, revendo o trabalho, me dou conta de que fiz fotos dos derradeiros momentos da atividade pesqueira na aldeia. Daí esse ensaio, em homenagem a eles, os pescadores de Jeri, símbolos de mais um trabalho de subsistência ameaçado de extinção, nesses tempos modernos e globalizados.

Paraíso perdido

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Escrito por Júlio César Guimarães

Júlio César Guimarães

Carioca, formado em Administração. Fotógrafo profissional desde 1988, trabalhou nos jornais O Dia, O Globo, Lance! e foi editor de fotografia no Uol por 7 anos. Como freelancer fotografou para as agências Reuters, AP, EFE e Getty Images. Ganhador dos prêmios V Imprensa Embratel 2003 e XXV Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos 2003. É flamenguista, pai da Taira e da Júlia, e avô do Luiz Phellipe.

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