Os Mapas do Caminho apresentados pela presidência brasileira da COP30 foram recebidos de forma positiva por ambientalistas, organizações da sociedade civil e organismos internacionais. Os roteiros têm o objetivo de ajudar a direcionar as Conferências da ONU sobre Mudança do Clima (COPs) – já a partir da COP31, que começa segunda-feira na Turquia – para que os eventos deixem de ficar concentrados na negociação de acordos globais para enfrentar a crise climática e passem a priorizar a implementação das metas já acordadas. “A COP31 precisa agora dar continuidade a esse trabalho, com a Presidência colocando a transição para longe dos combustíveis fósseis no centro de sua agenda de eletrificação”, destacou a diplomata francesa Laurence Tubiana, CEO da European Climate Foundation e reconhecida como uma das arquitetas do Acordo de Paris.
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Para além da liderança global no enfrentamento às mudanças climáticas, Ricardo Fujii, especialista em transição energética da organização ambiental WWF-Brasil, destacou a capacidade do país de ser um exemplo a ser seguido no distanciamento dos combustíveis fósseis e no uso do mapa do caminho como uma estratégia de desenvolvimento. “Temos uma matriz predominantemente renovável, diversidade de fontes – hidrelétrica, eólica, solar, biomassa e biocombustíveis – e cadeias industriais já instaladas. Ampliar o uso dessas fontes é uma escolha competitiva, que gera emprego, renda e desenvolvimento em diferentes regiões do país’, avaliou
Para Stela Herschmann, líder em política internacional do Observatório do Clima, o mapa para longe dos combustíveis fósseis chega em resposta à urgência e à complexidade da transição, com caminhos possíveis. “Acabaram as desculpas. Cada país pode e deve fazer seu diagnóstico para se situar nesse mapa e começar a lição de casa já”, defendeu. “A transição para longe dos combustíveis fósseis é urgente, necessária e complexa, mas não é um bicho de sete cabeças e o mapa mostra vários caminhos para chegar até ela”, adicionou.
O Observatório do Clima destacou ainda que o mapa do caminho global para a transição para longe dos combustíveis fósseis, sugerido pela presidência da COP30, propõe um calendário para o que o mundo precisa fazer em comum, em prazos que são viáveis e que se conectam aos marcos do Acordo de Paris que exigem ação coletiva: o segundo Balanço Global (2028), a nova rodada de NDCs (2030) e o terceiro Balanço Global (2033). “É o Brasil mostrando o caminho e o passo a ser seguido e esperamos que o mundo abrace mais esse mutirão. Também esperamos que o Brasil seja o primeiro a dar o exemplo: publicando seu próprio mapa do caminho nacional”, apontou a organização.
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Veja o que já enviamosOs mapas do caminho criam expectativa para os debates da COP31. “À medida que os governos se dirigem a Antália, a tarefa agora é da presidência da COP31, que deverá dar continuidade ao trabalho do Brasil e dos países, que precisam demonstrar seus próprios planos para desenvolver roteiros nacionais como caminhos para economias limpas e resilientes — além de apoiar outros países a fazerem o mesmo”, afirmou Kat Peterson, que lidera o programa de diplomacia para energia limpa do think tank E3G.
O secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), Simon Stiell, também elogiou a iniciativa brasileira. “Os roteiros da Presidência brasileira da COP30 são uma contribuição valiosa para ajudar a reduzir mais rapidamente a poluição causada pelos combustíveis fósseis e interromper e reverter o desmatamento, respeitando, ao mesmo tempo, o caráter nacionalmente determinado dos esforços climáticos de cada país e as realidades enfrentadas por muitos países em desenvolvimento, que lidam com desafios financeiros e de outras naturezas”, disse Stiell.
Defesa das florestas
O Mapa do Caminho para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030 também foi celebrado pelos ambientalistas com contribuição para a COP31. A diretora-executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, lembrou que o mapa para o fim do desmatamento e degradação florestal chega com a credibilidade de um país que foi capaz de atingir a menor taxa de desmatamento de sua história. “A parte mais desafiadora começa agora -] garantir um processo de seguimento para o mapa do caminho que seja capaz de elevar a centralidade política dessa agenda e, ao mesmo tempo, acelerar sua implementação, com participação direta e real da sociedade civil, em especial dos Povos Indígenas e comunidades tradicionais”, destacou Carolina Pasquali.
A organização ressaltou ainda a importância de uma ação coletiva, global e coordenada para acabar com a destruição florestal. “A parte mais desafiadora começa agora: garantir um processo de seguimento para o Mapa do Caminho que seja capaz de elevar a centralidade política dessa agenda ao mesmo tempo que acelera sua implementação, com participação direta e real da sociedade civil, em especial dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais”, afirmou a diretora do Greenpeace Brasil.
O roteiro identifica cinco áreas de ação complementares nas estratégias nacionais: conservação; manejo florestal sustentável, agrofloresta e bioeconomia; combate à degradação florestal; combate ao desmatamento; e restauração, reflorestamento e florestamento. “O Mapa do Caminho para as Florestas acerta em muitos aspectos fundamentais: governança, fiscalização, direitos, financiamento e a necessidade de se enfrentar tanto a degradação quanto o desmatamento. O desafio agora é velocidade. Com 2030 a apenas alguns anos de distância, a implementação não pode continuar sendo voluntária em sua essência e fragmentada na prática”, destacou Damian Fleming, diretor sênior de florestas do WWF Internacional.
Para Claudio Providas, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (Pnud) e anfitrião da apresentação da presidência da COP30 na terça-feira, os mapas avançam para a implementação de tudo que já foi negociado nos espaços multilaterais que tratam de mudanças climáticas. “Com esses dois mapas do caminho, o Brasil faz uma contribuição importantíssima no multilateralismo. Em vez de reabrir negociações sobre compromissos já assumidos, propõe caminhos para transformar consensos existentes em ação”, ressaltou.
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