O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno das eleições, disputado neste domingo (25), e foi reeleito para o quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. A posse será no dia 5 de janeiro de 2027. Lula foi considerado reeleito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, com 97,69% da apuração concluída. Àquela hora, o petista tinha 62,6 milhões de votos (o equivalente a 51,74% dos válidos), contra 58,4 milhões (48,26%) do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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Em primeiro discurso após a vitória nas eleições presidenciais, o presidente Lula agradeceu ao povo brasileiro pela generosidade e afirmou que teve que vencer a interferência das plataformas digitais vinda do exterior. Lula disse que terá que regulá-las em seu novo mandato. “É uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual crime na vida real”, disse.
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Veja o que já enviamosLula, que completará 81 anos na próxima terça-feira (27), foi reeleito para o quarto mandato. Ele já presidiu o país de 2003 a 2010 e de 2023 a 2026. Lula destacou que é o único presidente sem diploma que conseguiu ser eleito quatro vezes. “Eu queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, neste segundo turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para rua para defender a democracia, quero agradecer às pessoas idosas”, afirmou Lula.
Durante o discurso após o resultado oficial, o presidente reeleito também destacou a redução do desmatamento durante o seu governo em todos os biomas, citando o trabalho da ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva e do atual ministro João Paulo Capobianco. Também lembrou que sua vitória foi uma derrota do negacionismo e da mentira.
Compromissos ambientais no plano de governo
O plano de governo de Lula como candidato à reeleição dedicou um capítulo exclusivo à questão ambiental que traz o balanço do que foi realizado nos últimos quatro anos, incluindo a reconstrução ds políticas desmanteladas pelo governo anterior, e os compromissos para o novo mandato. Análise do Observatório do Clima sobre as propostas dos presidenciáveis, ainda no primeiro turno, apontou que o plano refletia a continuidade do que foi a política ambiental e climática de Lula nos últimos quatro anos: “contraditória na área de energia, tímida na agenda de oceanos, mas marcada por uma importante reconstrução e pelo fortalecimento da governança ambiental após o governo Bolsonaro, que se refletiram na queda expressiva do desmatamento em todos os biomas, na retomada da agenda climática, em ações de proteção de povos e comunidades tradicionais, na elaboração do Plano Clima e na realização da COP 30 no país, reposicionando positivamente o Brasil na agenda climática global”.
O documento ressalta o objetivo de zerar o desmatamento líquido até 2030. “Trata-se de um dos destaques ambientais do terceiro mandato de Lula, como mostram os dados mais recentes do Deter: os alertas de desmatamento na Amazônia ficaram 55,6% abaixo da média dos últimos dez anos, enquanto o Cerrado registrou queda de 7,8% e o menor valor dos últimos cinco anos”, lembra a análise.
Para manter essa redução do desmatamento, o plano propõe assegurar a efetividade do Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica, implementar os planos de prevenção e controle do desmatamento e de manejo integrado do fogo e destinar terras públicas para unidades de conservação, territórios indígenas e quilombolas, além de assentamentos, bem como promover a regularização fundiária. “O ponto de atenção está no uso do termo “líquido”, uma vez que o governo não estabelece qual seria o limite de perda de vegetação nativa admitido sob a lógica de compensação”, alerta o Observatório do Clima.
Além do combate ao desmatamento, o plano também insere a Caatinga como ativo estratégico para adaptação e mitigação, a estruturação de mecanismos de financiamento climático para o Semiárido, o combate à desertificação e a valorização dos parques nacionais. “Esse último ponto é relevante considerando o avanço das mudanças climáticas, o risco de desertificação e as recentes tentativas no Congresso Nacional de fragilizar a proteção de unidades de conservação”, destaca a análise. O plano prevê, ainda, o fortalecimento e a implementação do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), com foco na sociobiodiversidade e na restauração biocultural como estratégia de Estado, para além da restauração ambiental dita tradicional.
Em relação às mudanças climáticas, a adaptação aparece como destaque no plano de governo de Lula, que propõe institucionalizá-la como eixo permanente do planejamento público, fortalecendo o planejamento de governo em adaptação climáticca, estimulando planos estaduais e municipais de enfrentamento ao calor extremo e aprimorando a prevenção e a resposta a eventos climáticos extremos. “Esses esforços dialogam com as ações já realizadas pelo governo, como a elaboração do Plano Clima, que passou a orientar a política climática brasileira com estratégias de mitigação e adaptação, e o planejamento de R$1,335 bilhão para ações de preparação para os impactos do El Niño”, lembra a análise,
O Observatório do Clima ressaltou como ponto de atenção o tema energia. “O governo tem combinado um discurso ambicioso no contexto internacional e a expansão das energias renováveis com o aumento da produção de petróleo e gás”, ressalta a análise. O plano de governo defende, por um lado, o aumento da participação das fontes renováveis, a eletrificação do transporte público, a substituição progressiva dos combustíveis fósseis por biocombustíveis e a participação do Brasil no debate internacional sobre um mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis. Por outro lado, exalta os recordes de produção de petróleo e gás. O documento do candidato do PT também defende ampliar os investimentos nos campos maduros, na capacidade de refino e na logística de gás natural liquefeito.
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