ODS 1
Copa do Mundo 2026 entra em alerta com onda de calor nos EUA e Canadá


Cidades, estádios e a própria Fifa estão preparando medidas preventivas extras devido à previsão de temperaturas próximas a 40 graus


Pausas para hidratação nos jogos da Copa do Mundo 2026 vêm sendo sistematicamente vaiadas desde o começo da competição, principalmente em estádios com sistemas climatizados ou em locais, como a Cidade do México, onde as temperaturas andam amenas. Vistas como estratégia comercial da Fifa para criar mais espaços comerciais nos jogos, as pausas para hidratação, entretanto, serão fundamentais a partir desta quinta-feira (02/07) quando uma onda de calor vai atingir os Estados Unidos e o Canadá, com temperaturas perto de 40 graus. O clima só começará a ficar um pouco mais ameno no domingo (05/07), dia do jogo do Brasil contra a Noruega, em Nova Jersey – ainda assim a temperatura deve rondar os 30 graus.
Leu essa? Como o calor pode afetar desempenho e saúde de atletas na Copa do Mundo 2026
De acordo com o National Weather Service (NWS), o serviço meteorológico estadunidense, um “domo de calor” ameaçador tomará conta do centro e do leste dos EUA nesta semana, com as temperaturas do índice de calor — que combinam a temperatura do ar com a umidade — atingindo a casa dos 38°C (100°F) ou mais em algumas áreas. Na parte leste do Canadá, as cidades já estão sob alerta de calor desde quarta-feira (01/07).
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Veja o que já enviamosAs condições trarão temperaturas acima da média para cidades-sede da Copa do Mundo, como Boston, Filadélfia e Kansas City, todas com estádios a céu aberto. “Esta semana será muito, muito quente”, disse Geoff Cornish, meteorologista-chefe assistente de vídeo da empresa de previsão do tempo AccuWeather, à agência AP. “Será uma onda de calor significativa, do tipo que não vemos todos os anos”.
As preocupações com o calor extremo durante os jogos realizados nos EUA, no Canadá e no México vêm crescendo há meses. O agravamento da crise climática está intensificando ondas de calor perigosas em todo o mundo. Já nos primeiros dias do verão no Hemisfério Norte, a Europa enfrentou uma onda de calor que provocou dezenas de mortes
Nos Estados Unidos, o calor mata mais pessoas a cada ano do que todos os outros eventos meteorológicos — incluindo furacões, inundações e tornados —, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). Com a previsão do domo de calor até domingo. As cidades, os estádios e a FIFA se prepararam para esse extremo climático.
No Canadá, torcedores que vão assistir à partida entre Portugal e Croácia — válida pela segunda fase da Copa do Mundo 2026 — em Toronto, nesta quinta-feira, estão sendo aconselhados a manter a hidratação e a moderar o consumo de álcool, após um alerta de calor emitido pela Environment Canada. “Não esperem sentir sede; continuem bebendo água ao longo do dia e tentem moderar o consumo de álcool — afinal, o álcool pode, de fato, causar mais desidratação”, afirmou Michelle Murti, autoridade de saúde pública da cidade de Toronto.
A sensação térmica em Toronto pode chegar a 40 graus Celsius devido à umidade, disse Murti à agência Reuters. Autoridades de saúde também se preparavam para uma possível tempestade, o que poderia levar ao cancelamento de alguns eventos de exibição pública. O Environment Canada alertou que as temperaturas deveriam ultrapassar os 35º C no leste do Canadá, com possibilidade de tempestades. Os outros jogos desta quinta – Espanha x Áustria, em Los Angeles (EUA), e Suíça x Argélia, em Vancouver (Canada) – são em cidades no oeste da América do Norte, onde as temperaturas estão mais amenas.
Nos Estados Unidos, a preocupação é maior com os jogos desta sexta-feira (03/07) marcados para Miami (Argentina x Cabo Verde), Kansas City (Colômbia x Gana) e Dallas (Egito x Austrália) e os primeiros jogos das oitavas de final, marcados para o sábado, 4 de julho, feriado da Independência nos EUA, na Filadélfia (França x Paraguai) e em Houston (Marrocos x Canadá).
O NWS emitiu um alerta de calor extremo para a Filadélfia e regiões vizinhas, válido da tarde de quarta-feira até a noite de sábado, com temperaturas de sensação térmica — outro termo para o índice de calor — chegando a 43,3°C durante o dia. Como resultado, o Fan Festival da FIFA na Filadélfia alterará seus horários nesta semana, incluindo o evento de exibição do jogo de sábado, que terminará logo após o fim da partida das 13h.
“O calor será sufocante e perigoso para qualquer pessoa que passe muito tempo ao ar livre sem estar preparada para essas condições”, disse o meteorologista Geoff Cornish. Um aviso de calor extremo também está em vigor para Kansas City e outras áreas do centro-oeste do Missouri até a noite de sexta-feira, com previsão de índices de calor variando entre 40,6°C e 43,3°C (105°F a 110°F).
A região da cidade de Nova York, onde o Brasil está treinando para o jogo contra a Noruega no domingo, poderá registrar temperaturas máximas próximas a recordes, chegando a 42,8°C (109°F), com pouco alívio durante a noite. Um alerta de calor extremo vigorará da tarde de quarta-feira até a noite de sábado. “Esse nível de calor pode ser fatal para quem não dispõe de refrigeração e hidratação adequadas”, afirmou, em nota, o Serviço Nacional de Meteorologia, acrescentando que a situação também pode afetar os transportes e os sistemas de energia elétrica e abastecimento de água.


Ameaças do calor extremo
Especialistas e médicos apontam que os jogadores vão precisar mais do que nunca das pausas para hidratação – pausas de três minutos para resfriamento no meio de cada tempo, independentemente da temperatura — e alertam para a necessidade de outras medidas de proteção contra o calor. Originalmente, o calor extremo era a causa dessas pausas, que acontecem, inclusive, no Campeonato Brasileiro de Futebol, mas apenas em partidas disputadas em partidas com temperaturas acima de 30º C e muita umidade. Foi a Fifa que tornou a parada obrigatória em todas as partidas da Copa do Mundo 2026
No entanto, mesmo atletas de elite altamente treinados, com assistência médica e física permanentes como os das seleções na Copa do Mundo 2026, estão vulneráveis ao que a ciência chama de doença térmica por esforço. Isso ocorre quando a temperatura corporal sobe excessivamente, acompanhada de um esforço físico intenso em um dia de calor abrasador. De acordo com os médicos, os sintomas incluem fadiga extrema, queda de desempenho, dor de cabeça, irritabilidade, náusea, tontura, cãibras e desidratação. A insolação por esforço exige atendimento médico imediato e é a terceira maior causa de morte entre atletas.
O calor também reduz a intensidade do jogo. Os jogadores se adaptam, por exemplo, diminuindo a frequência de arrancadas, a distância percorrida ou os riscos assumidos. Em uma pesquisa de 2023 realizada pela World Athletics, uma federação esportiva global, 75% dos atletas entrevistados afirmaram que os impactos das mudanças climáticas estão afetando negativamente sua saúde e seu desempenho esportivo.
Autoridades americanas e canadenses alertam que, para espectadores, voluntários e trabalhadores, os maiores perigos podem estar fora dos estádios — em áreas de torcedores, rotas de transporte, estacionamentos e celebrações ao ar livre —, onde é mais provável que fiquem expostos ao calor por horas. Muitos torcedores de futebol também consomem álcool enquanto acompanham a Copa do Mundo; médicos destacam que fazer isso sob calor intenso é arriscado.
Algumas cidades e estádios ampliaram o acesso a áreas sombreadas, locais de resfriamento e água para espectadores e trabalhadores, além de anunciarem que emitirão alertas sobre o calor para o público. Equipes médicas também estarão posicionadas e disponíveis nos Fan Festivals da Fifa e nas imediações dos estádios durante as partidas para tratar casos de doenças relacionadas ao calor.
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Oscar Valporto
Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade







































