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Os números de um Brasil contra os direitos humanos

Relatório da Human Rights Watch diz que governo coloca em risco mais vulneráveis e dá carta branca a criminosos na Amazônia


Maria Laura Canineu, diretora da Human Rights Watch no Brasil durante coletiva para a apresentação do relatório mundial: governo Bolsonaro assumiu agenda contra os direitos humanos (Foto: Divulgação)
Maria Laura Canineu, diretora da Human Rights Watch no Brasil durante coletiva para a apresentação do relatório mundial: governo Bolsonaro assumiu agenda contra os direitos humanos (Foto: Divulgação)

O capítulo do relatório da ONG Human Rights Watch – a maior entidade de defesa dos direitos humanos do mundo – sobre o Brasil é uma longa lista  de números assustadores sobre o país. O relatório é duro com governo. “Durante seu primeiro ano de mandato, o presidente Jair Bolsonaro assumiu uma agenda contra os direitos humanos, adotando medidas que colocariam em maior risco populações já vulneráveis. Os tribunais e o Congresso impediram algumas dessas políticas”, afirma o relatório.

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Suas políticas ambientais na prática deram carta branca às redes criminosas que praticam extração ilegal de madeira na Amazônia e usam intimidação e violência contra povos indígenas, comunidades locais e servidores de agências ambientais que tentam defender a floresta

Human Rights Watch
Trecho do relatório sobre o Brasil e o governo Bolsonaro
O relatório e seu capítulo brasileiro foram apresentados, nesta quarta-feira (15/01), pela diretora da diretora da Human Rights Watch no Brasil, Maria Laura Camineu, em entrevista coletiva. “O governo tem culpado ONGs, voluntários brigadistas e povos indígenas pelos incêndios na Amazônia e, ao mesmo tempo, fracassado em agir contra as redes criminosas que estão derrubando árvores e queimando a floresta para dar lugar à criação de gado e agricultura, ameaçando e atacando aqueles que estão no caminho”, afirmou Laura Camineu.

A parte do Brasil ocupa nove páginas com críticas ásperas ao presidente Bolsonaro sobre segurança pública, violações de direitos humanos, perseguições à mídia e a ONGs e falta de políticas públicas para mulheres e crianças . “Suas políticas ambientais na prática deram carta branca às redes criminosas que praticam extração ilegal de madeira na Amazônia e usam intimidação e violência contra povos indígenas, comunidades locais e servidores de agências ambientais que tentam defender a floresta”,  aponta a Human Rights Watch antes de botar os números das ameaças aos direitos humanos no país.

O desmatamento na Amazônia aumentou em mais de 80%, de janeiro a outubro de 2019, em comparação com o mesmo período de 2018

Foram relatados 160 casos de extração ilegal de madeira, invasões e outras infrações nos territórios indígenas de janeiro a setembro.

De janeiro a 3 de outubro, o governo Bolsonaro havia aprovado 382 novos agrotóxicos, muitos deles restritos ou proibidos nos Estados Unidos e na Europa por sua toxicidade

Cerca de 1 milhão de casos de violência doméstica aguardavam julgamento em 2018, incluindo 4.400 feminicídios

As mortes cometidas pela polícia aumentaram 20% em 2018, atingindo 6.220 

Em São Paulo, as mortes por policiais em serviço aumentaram 8% de janeiro a setembro de 2019.

No Rio de Janeiro, a polícia matou 1.402 pessoas de janeiro a setembro, o maior número já registrado para o período.

Até junho de 2019, as unidades socioeducativas no Brasil acolhiam mais de 21.000 crianças e adolescentes.

Mais de 830.000 adultos estavam presos nas instalações prisionais brasileiras: mais de 40% deles aguardavam julgamento

Em julho de 2019, mais de 5.100 mulheres com direito a prisão domiciliar, 310 delas grávidas, ainda aguardavam julgamento atrás das grades

Mais de 224.000 venezuelanos viviam no Brasil, dos quais mais da metade havia solicitado refúgio


Escrito por Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Está de volta ao Rio após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. É criador da página no Facebook #RioéRua, onde publica crônicas sobre suas andanças pela cidade.

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