Em um ano de super El Niño e agravamento da crise climática, o meio ambiente foi um dos temas praticamente ausentes na campanha eleitoral, nos debates, nas sabatinas, nos comícios. O resultado das eleições não poderia ser um Congresso Nacional mais hostil as pautas ambientais e indígenas. Levantamento do Observatório do Clima (OC) mostra que 68,9% dos parlamentares eleitos para o Senado e para a Câmara dos Deputados possuem baixa convergência ambiental. Ou seja, o quanto esses congressistas atuam (ou não atuam) em prol das agendas de clima e meio ambiente.
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Sete em cada dez parlamentares eleitos são avessos as pautas socioambientais. E caberá a esses novos congressistas votar em projetos de lei que poderão levar ao desmonte do sistema de licenciamento ambiental, ao estímulo do desmatamento e ao acirramento da crise climática — um conjunto de medidas que já ficou conhecido como “pacote da destruição”. O Congresso atual já ficou marcado por seus ataques frequentes à legislação ambiental: na agressão mais violenta, foi aprovado o chamado PL da Devastação por implodir o licenciamento ambiental no Brasil.
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Veja o que já enviamos“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática. Somando com um governo negacionista de Flávio Bolsonaro, isso significará o caos ambiental”, afirma Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do OC.
O clima hostil no Senado será ainda pior do que na Câmara dos Deputados. Dos 64 senadores eleitos para a próxima legislatura (2027-2030), 79% deles estão nas faixas “Baixa” ou “Muito Baixa” convergência ambiental. Apenas 17 senadores (21%) estão nas faixas “Boa” ou “Muito Boa” de convergência. O novo perfil do Senado decorre do crescimento de partidos de extrema direita no Congresso — o PL, partido do candidato Flávio Bolsonaro, passou de 15 para 28 cadeiras (34,6%).
Na Câmara dos Deputados, 67,3% dos 513 deputados estão nas faixas “Baixa” ou “Muito Baixa”, acima dos 63% da legislatura anterior. O grupo “Boa/Muito Boa” cai de 181 para 168 cadeiras. O PL ampliou sua bancada de 98 para 121 deputados (23,6%).
O levantamento usou os dados do Farol Verde, plataforma do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS). A análise foi complementada com informações sobre a média da convergência de cada partido político apurada pela mesma plataforma. As faixas de convergência consideradas foram: “Muito Baixa” (0 a 25%), “Baixa” (26 a 50%), “Boa” (51 a 69%) e “Muito Boa” (70 a 100%).


Eleição da motoserra
Antes de liderar o 1º turno das eleições com 47,14%, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que “a melhor forma de proteger o meio ambiente é oferecer saneamento básico à população”. A análise negacionista se refletiu nas urnas, fazendo com que o candidato tenha sido o mais votado em oito dos dez municípios que mais desmataram na Amazônia Legal entre agosto de 2025 e julho deste ano. Cinco dessas cidades estão localizadas no Pará, o estado que sediou a Conferência do Clima, a COP30, em novembro passado.
No Pará, a vitória foi registrada em Altamira (63,25%), São Félix do Xingu (72,29%), Itaituba (69,07%), Novo Progresso (84,13%) e Pacajá (68,51%). Flávio Bolsonaro também liderou a votação em Apuí, no Amazonas (70,97%), Colniza, em Mato Grosso (76,7%), e Porto Velho, em Rondônia (59,37%). Lula ganhou apenas em duas das dez cidades que lideraram o ranking do desmatamento: Lábrea, no Amazonas (56,64%), e Portel, no arquipélago e região da Ilha de Marajó, no Pará (61,83%).
Altamira fez jus à tradição nessa eleição, porque, historicamente, é o município com a maior área desmatada no Brasil, se o período analisado for de 2020 a 2025. O rebanho bovino no munícipio é maior do que sua população. Desmatamento, queimada e grilagem formam o tripé característico da destruição da floresta no município.
Dos dez municípios que mais desmataram na Amazônia Legal, seis deles (Apuí, Colniza, Itaituba, Pacajá, Lábrea e a Portel) foram responsáveis por quase 30% da área destruída, entre agosto de 2024 e julho de 2025. Ainda que o desmatamento na Amazônia tenha tido queda de 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026, essa lista de municípios sofreu pouca alteração. Foram 2.874,38 km² de área sob alerta. Nesse último ano do governo Lula, esse é o menor valor desde 2016, quando teve início a série histórica.
Assim com Altamira, Novo Progresso também tem um histórico pouco louvável quanto o tema é desmatamento. O município o município foi o ponto central do Dia do Fogo, como ficou conhecido a ação de madeireiros e fazendeiros em 2019, quando atearam fogo na floresta no entorno da BR-163.
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