ODS 1
Ecos da escravidão: da senzala para as cozinhas


Mais de um século após a abolição, trabalho de mulheres pretas como empregadas domésticas é marcado por subalternidade e afeto disfarçado


No documentário Babás, dirigido por Consuelo Lins, uma frase ecoa durante toda a história: “O Brasil todo cabe nessa foto”. Ela se refere a um retrato feito em 1860, no qual um menino branco posa ao lado de sua ama de leite, uma mulher negra escravizada que, após ter seus próprios filhos arrancados de si, era forçada a amamentar crianças brancas em um gesto que deveria simbolizar afeto. O retrato foi feito no século XIX, mas não parece tão distante. Ele continua presente nas cozinhas e nos quartos dos fundos de muitas casas brasileiras.
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Se essa foto tivesse sido feita em meados dos anos 1960, poderia retratar minha avó, com o olhar firme e longe, carregando tristezas e saudades. Ao lado de uma criança que não é seu filho, mas que já lhe trazia responsabilidade, afeto e cuidado. Essa herança, que parecia um passado muito distante nos livros de história, atravessa a minha própria família. Minha avó, Sebastiana dos Santos, que prefere ser chamada carinhosamente de Tiana, tem 83 anos e trabalhou como empregada doméstica a vida inteira. Mudou-se ainda jovem de Trajano de Moraes, interior do Rio de Janeiro, onde, desde os sete anos, trabalhava na lavoura de feijão e café, para Niterói, na Região Metropolitana do Estado do Rio.
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Veja o que já enviamosTinha apenas 20 anos quando um amigo de seus pais lhe ofereceu um trabalho como babá em uma casa de família. Naquela época, para muitas mulheres negras, esse era um dos poucos caminhos possíveis de inserção no mercado de trabalho urbano, reflexo das desigualdades herdadas do período escravocrata. “Eu vim para trabalhar como babá e acabei ficando a vida toda”, conta ela, com o olhar distante, como quem revive cada detalhe da menina que chegou para trabalhar há 60 anos, cheia de sonhos.
Quando comecei a trabalhar, falei para minha patroa que queria voltar a estudar, e ela me falou que a empregada dela não estudava à noite, porque atrapalhava o trabalho
A ideia de deixar a cidade de origem em busca de melhores oportunidades de vida era comum em uma sociedade que passava por transformações estruturais, valorizando o trabalho urbano e as novas formas de relação laboral. Mas esse movimento não ocorreu de forma igual para todos. A herança de uma sociedade construída a partir do patriarcalismo e da escravidão definia os espaços ocupados por cada grupo. Se, para as mulheres brancas, o ócio era possível, viabilizado pela trabalho alheio, as mulheres negras passaram a ocupar majoritariamente o espaço do serviço doméstico nas casas de famílias brancas, relembrando, de certa forma, a lógica escravocrata: trabalho como retribuição por casa, roupa e alimentação.
Descendentes de indivíduos negros, que no período da escravidão foram forçados a se deslocar, no pós-abolição, migravam de forma espontânea, movidos pela esperança e necessidade de mudança. A campanha que culminou com a abolição da escravidão, em 13 de maio de 1888, mobilizou pessoas de todas as camadas sociais brasileiras. No entanto, passado o 13 de maio, os negros foram abandonados à própria sorte, sem reformas que os integrassem à sociedade baseada no trabalho assalariado. Por trás disso, havia um projeto de modernização conservadora que manteve o latifúndio e exacerbou o racismo como forma de discriminação. Sem vínculos com o novo lugar, muitos acabavam experimentando uma espécie de distanciamento da realidade, refletindo ainda na trajetória das mulheres negras no trabalho doméstico.
O emprego, que começou com o cuidado das crianças, foi aumentando para outras funções dentro de casa: lavar, passar, cozinhar, fazer compras. O salário, no entanto, não acompanhava o aumento de tarefas exercidas. Tiana se lembra de que, nos primeiros anos, morou na casa em que trabalhava. “Eu comia, bebia, dormia, tudo lá. Eu tinha um quarto separado, com guarda-roupa e cama, tudo direitinho. Ninguém dormia com a mãe. Quando as crianças choravam, era para cima de mim que vinham”, disse. Enquanto ela descrevia o quarto, percebi as contradições de um local que parecia lhe dar “conforto”, mas que, na verdade, a isolava. Faltava o essencial: o direito de descansar como mãe, mulher e filha. Era como se tudo estivesse “direitinho”, menos a vida que ela poderia ter, sem as oportunidades que lhe foram negadas.
Minha mãe trabalhava de domingo a domingo, não tínhamos momentos de lazer em família. Até os dias atuais, ela não aceita o lazer e acredita que é coisa de preguiçoso. Para a minha mãe, o pouco que ela entende como lazer está relacionado a servir, como cozinhar
A Lei Áurea, de 1888, tinha o intuito de banir a escravidão do país. Mas, nem ela, nem as leis anteriores – Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885) – garantiram liberdade plena às pessoas negras. Ouvir suas histórias revela como o fim oficial da escravidão nunca significou, de fato, liberdade plena para mulheres negras. Muitas empregadas domésticas, como minha avó, Tiana, seguiram deixando suas cidades de origem em busca de oportunidades melhores, mas encontraram vínculos frágeis, sem direitos assegurados, cercados por um tipo de afeto que mais mascarava a exploração.
“Era de dia, de noite eu tomava conta de criança, lavava, passava, fazia compra… Eu trabalhei até de resguardo. Não tinha ninguém para olhar as crianças, eu vinha e trazia minha filha mais velha, pequenininha, desde que nasceu. Virou tudo uma família só. Eu era a mãe deles. Eles me chamavam de mãe. Meus patrões foram padrinhos da minha filha”, contou.
Esse discurso da empregada “como parte da família” atravessou gerações. Mas, na prática, o que se consolidava era uma relação de desigualdade racial e social disfarçada de afeto. Ao ouvir minha avó, compreendi como esse mecanismo de chamar de “mãe” e de se colocar como “família” servia e serve, na verdade, para silenciar direitos e normalizar a exploração.
Uma vida inteira em serviço
Durante a escravidão, as amas de leite tinham seus filhos arrancados de forma cruel e eram obrigadas a criar os filhos dos senhores de engenho. A sociedade da época legalizava a posse dos corpos negros para servir às famílias brancas. Com a abolição, essa posse deixou de ser formalmente reconhecida, mas suas marcas se perpetuaram. O pensamento de controle e de submissão continuou vivo na relação entre patrões brancos e empregados negros. Basta pensar: enquanto mulheres como minha avó passavam dias sem voltar para casa, cuidando dos filhos dos patrões, quem cuidava dos filhos delas? Essa lógica, herdada diretamente do período escravocrata, hierarquiza os corpos de acordo com a posição social, definindo quem serve e quem é servido, e quase sempre negando dignidade e igualdade.
Os dados confirmam essa realidade. Um estudo publicado em 2025 pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), disponível no portal do instituto, mostra que mulheres negras representam 69,9% do trabalho doméstico ou de cuidados no Brasil, e que 52,4% dessas trabalhadoras não concluíram o ensino médio. A falta de acesso à educação as empurra para empregos marcados pela vulnerabilidade e exploração. Quando perguntei à minha avó sobre sua escolaridade, ela respondeu com uma lembrança dolorosa: “Eu estudei até a oitava série. Quando comecei a trabalhar, falei para minha patroa que queria voltar a estudar, e ela me falou que a empregada dela não estudava à noite, porque atrapalhava o trabalho.”
Quando li a pesquisa do IPEA, percebi que são mais que estatísticas: são reflexos de vidas como a da minha avó, e de tantas outras mulheres negras que sustentam casas com seu trabalho, mas têm suas individualidades silenciadas.
Estudei em escolas com crianças de condições sociais muito diferentes da minha, éramos cinco pretos na escola. O fato de eu ser preta e filha de empregada moldou as minhas relações no espaço escolar
Esse episódio me faz pensar em como a narrativa da “empregada da família” se revela em suas contradições: elas são “da família” para criar laços de afeto com os filhos dos patrões e para garantir o funcionamento da casa, mas não para ter direitos, oportunidades de lazer ou acesso à educação. Impedir uma mulher negra de estudar é limitá-la à função servil, perpetuando o ciclo da desigualdade. “Eu não ia no cinema, não ia no teatro, nada disso… Às vezes ia na missa com uma tia minha”, minha avó recordou. Para ela, a vida era apenas trabalho.
Essa mentalidade atravessou gerações. Minha mãe, Cristiane Viegas, mulher negra, advogada e filha mais velha de Tiana, lembra: “Minha mãe trabalhava de domingo a domingo, não tínhamos momentos de lazer em família. Até os dias atuais, ela não aceita o lazer e acredita que é coisa de preguiçoso. Para a minha mãe, o pouco que ela entende como lazer está relacionado a servir, como cozinhar.”
As palavras da minha mãe, Cristiane Viegas, revelam como o racismo e a desigualdade social roubaram não só os direitos básicos das mulheres negras, mas também a possibilidade de descanso, de prazer, de pausa. O corpo da empregada doméstica, assim como o da escravizada, na senzala, sempre foi visto como disponível, sempre à disposição do outro.


Antes de atingir consciência racial era muito difícil entender o porquê de minha avó não se permitir descansar e relaxar o corpo, ainda que de forma rápida. De certa forma, essa necessidade de sempre estar em movimento criou o hábito mais forte da família da minha avó: a comida como ponto de encontro. Tiana está sempre servindo a todos e essa é a sua principal forma de afeto, mas entender que esse afeto surgiu a partir da necessidade e obrigação de servir é doloroso e cruel.
Solidão nos fundos da casa
A desvalorização histórica do trabalho doméstico não atinge apenas as mulheres que o exercem, mas também seus filhos. Tiana lembra que, muitas vezes, sua filha passava a semana inteira na casa dos patrões. “Minha filha ia comigo trabalhar, ficava na casa do patrão durante a semana e fim de semana eu trazia ela para a minha casa… eles pagavam a escola dela, aí ela ficava durante a semana porque a escola era perto”, contou.
Cristiane cresceu junto com os filhos da patroa, estudou na mesma escola e, na convivência, parecia ser tratada como igual. Mas a condição de ser “a filha da empregada” sempre vinha à tona. “Eu trabalhava na loja de Dindo para pagar a faculdade, eu trabalhava em troca da faculdade”, lembra ela. A narrativa de que a empregada é “da família” aparece novamente, agora atravessando a vida da filha. O que deveria ser direito se transforma em favor, e o afeto serve mais uma vez para encobrir a exploração.
O percurso desafiador dos direitos das trabalhadoras domésticas representa uma clara perspectiva e noção de que muitas vezes existe uma tentativa de esquecimento e negligência por parte dos grandes políticos nas questões que realmente remetem à vivência e ao bem-estar social de uma camada da população, muitas vezes no recorte da população negra
Na escola, minha mãe também sentiu a distância invisível que o racismo estrutural impõe. “Estudei em escolas com crianças de condições sociais muito diferentes da minha, éramos cinco pretos na escola. O fato de eu ser preta e filha de empregada moldou as minhas relações no espaço escolar”, conta Cristiane. Crescer nesse ambiente significava conviver com a sensação constante de não pertencimento. Seu corpo, sua origem e sua posição social estavam sempre sob suspeita, mesmo que, na época, ela não tivesse plena consciência disso.
Essa experiência, tão comum a jovens negros, revela como a consciência racial muitas vezes chega de forma tardia. A desigualdade não aparece apenas na falta de recursos materiais, mas também na solidão, na percepção de que existe uma barreira invisível entre você e os outros. Minha mãe não era vista como igual. E, como tantas histórias atravessadas pelo racismo estrutural, demorou a compreender que aquilo que parecia individual era, na verdade, coletivo, histórico e político.
Quando pedi que ela me contasse uma lembrança da infância acompanhando minha avó no trabalho ela disse: “Eu ia trabalhar com ela quando eu tinha uns 6 ou 7 anos e ficava geralmente no quartinho dos fundos. Tinha uma casa que tinha uma garagem e um quadro negro imenso, eu ficava sozinha brincando com meus amigos imaginários. Eu adorava aquele quadro.” Enquanto ela falava percebi que a infância da minha mãe, Cristiane, também foi escondida nos fundos das casas, longe de ocupar um espaço realmente seu. O olhar distante ao recordar essa cena denunciava o peso da memória. A solidão, mais do que uma lembrança, parece ser um sentimento inevitável para quem cresceu à sombra do emprego doméstico, que ainda é invisibilizado.
Antes da consciência, o desconforto
Quando perguntei à minha avó sobre a relação entre o trabalho doméstico e o passado escravocrata, ela respondeu sem pensar duas vezes: “Onde eu trabalhei, pela minha cor não me tratavam diferente… a história de racismo não tinha relação porque eu não dava colher de chá, respondia na lata mesmo. Teve pessoas que eu trabalhei que eram escravas do patrão, mas isso não acontecia comigo”. Para nós, gerações posteriores, é impossível ignorar como a racialidade molda as experiências. Ao ouvi-la, sinto um misto de força, pelo que ela viveu, e angústia imaginando que a ausência de percepção pode ter sido uma forma de se proteger e transformar a dor em silêncio para viver.
A fala dela mostra um ponto comum entre muitas mulheres que viveram a mesma experiência: a ausência de identificação com a opressão racial. Para minha avó, o trabalho era necessidade e responsabilidade. Foi ensinada a agradecer, a servir, e a não ver nas privações, o quarto de empregada, a falta de lazer, a rotina pesada, sinais de um passado escravocrata que insistia em se atualizar. Aquilo, para ela, era simplesmente a vida.
Já para a geração dos filhos, netos e bisnetos de empregadas, como a minha mãe, essa relação entre o trabalho doméstico e os costumes herdados da escravidão é mais visível. O acesso à educação crítica permitiu questionar o que antes era naturalizado: a exploração, o cansaço, a ausência de tempo livre, a sensação de servidão. Com isso, surgiu a possibilidade de enxergar que havia, sim, um fio histórico ligando a senzala ao quartinho dos fundos.
Para a minha geração, essa relação do trabalho doméstico e da escravidão não é só visível, mas também questionável e passível de cobranças e quebras de costume. As gerações que entendem a base familiar formada por mulheres pretas compreendem a necessidade de lutar e reafirmar direitos recentes e outros que ainda precisam ser conquistados.
Minha mãe reconhece esse processo em sua própria trajetória: “Na época, como eu precisava e queria estar ali naquele momento, eu suavizava a ideia do racismo. Acho que se aproveitaram da minha mãe pela vulnerabilidade do momento em que ela estava, precisando criar os filhos. Hoje eu consigo entender essa exploração de forma mais clara, com relação ao racismo. Escolhi estudar Direito como forma de poder lutar por esses direitos.”
Entre gerações, o silêncio foi rompido. O que antes parecia apenas desconforto, agora ganha nome, cor e história: racismo estrutural.


Trabalho doméstico e a ilusão da igualdade
Em uma das entrevistas que realizei, Henrique Lázaro Leite, graduando em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e neto de uma ex-empregada doméstica, que pensa a relação escravocrata do trabalho doméstico de forma histórica e estrutural no Brasil, afirmou: “Acredito que o que podemos falar sobre a inserção da mulher negra no mercado de trabalho pós-abolição é sobre os preconceitos e desafios que ela ainda iria enfrentar, porque além de ser mulher num período sufocado pelo machismo, existe também um recorte racial: existiu a libertação, mas o racismo ainda estava impregnado em quase todos os espaços do Brasil, desde o público ao privado. Com suas capacidades desvalorizadas e muitas vezes reduzidas ao trabalho do lar, as mulheres negras foram forçadas a encontrar atividades com baixa remuneração, com pouca ou nenhuma proteção, como os trabalhos informais ou os serviços domésticos, que não tinham qualquer tipo de política pública que pudessem protegê-las”.
As palavras de Henrique me ajudaram a compreender melhor a trajetória da minha avó e de tantas outras mulheres negras que vieram antes de mim. “Libertas” pela lei Áurea, e aprisionadas pela estrutura social, as mulheres que exercem a função de empregada doméstica se viram presas em um paradoxo: livres no papel, mas mantidas nas margens, na prática. Escrever e pensar sobre essas mulheres negras é pensar a ancestralidade.
Esse abismo histórico fica ainda mais evidente quando lembramos que só em 2013, mais de 120 anos após a abolição, foi aprovada a PEC das Domésticas. “O percurso desafiador dos direitos das trabalhadoras domésticas representa uma clara perspectiva e noção de que muitas vezes existe uma tentativa de esquecimento e negligência por parte dos grandes políticos nas questões que realmente remetem à vivência e ao bem-estar social de uma camada da população, muitas vezes no recorte da população negra”, destacou Henrique Leite. “O atraso da conquista não remonta a uma desmobilização da luta, mas demonstra uma clássica e permanente tentativa de ignorar aqueles que mais necessitam, excluí-los da sociedade e a negligência quanto à dignidade do trabalho e da vida’, acrescentou.
A história da minha avó, aqui colocada como personagem principal para representar diversas outras, se insere nesse silenciamento imposto às trabalhadoras domésticas. O longo caminho até o reconhecimento legal dos direitos básicos dessas mulheres explica muito do descaso de uma elite que sempre preferiu calar quem as serve, mantendo o conforto sustentado pelo trabalho invisível.
Hoje, mesmo com mudanças na lei e avanços importantes, o trabalho doméstico ainda carrega os resquícios de um passado que insiste em não passar. A senzala pode ter desaparecido, mas permanece em símbolos como o quartinho dos fundos, a falta de lazer e a negação do direito de estudar. O afeto, tantas vezes usado como disfarce, transforma a exploração em “gratidão”. A ideia de que a empregada é “da família”, significa desconhecer o nome de Sebastiana dos Santos e seus 83 anos de luta. É negar os mais de 350 anos de escravidão que segue justificando a falta de direitos, principalmente de mulheres pretas e dos seus. E, assim, todos os dias, dentro das casas grandes modernas, continuam se reproduzindo os ecos da escravidão.
Hoje, refletir sobre a racialidade a partir da vivência da minha vó me fez perceber a força da ancestralidade e a memória de situações sociais que nos parecem distantes, mas ainda estão presentes no cotidiano. Escrever essa reportagem foi o meu modo de honrar mulheres que, assim como Tiana e Cristiane, tiveram e ainda têm vivências atravessadas pelas mazelas da escravidão e que, com a força da memória, transformam essas dores em conhecimento, respeito e luta.
(*) Trabalho produzido para a disciplina Reportagem I, do curso de Jornalismo da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ), sob a orientação dos professores Luan Pazzini Bittencourt e Marcelo Kischinhevsky.
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Vitoria Viegas
Vitória Viegas é graduanda em Jornalismo pela UFRJ. Apaixonada por música, tem interesse nas áreas cultural e política. Acredita que a comunicação social pode ser um meio de dar visibilidade às diferentes vivências sociais.







































