Queda no desmatamento é conquista histórica para o Brasil

Vegetação amazônica preservada na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará: Amazônia registrou em 2026 um recorde histórico de queda no desmatamento, com o menor valor desde que as medições por satélite tiveram início, em 1988 (Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil - 14/05/2026)
Vegetação amazônica preservada na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará: Amazônia registrou em 2026 um recorde histórico de queda no desmatamento, com o menor valor desde que as medições por satélite tiveram início, em 1988 (Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil - 14/05/2026)
Vegetação amazônica preservada na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará: Amazônia registrou em 2026 um recorde histórico de queda no desmatamento, com o menor valor desde que as medições por satélite tiveram início, em 1988 (Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil – 14/05/2026)

Números do Inpe mostram que zerar e reverter perda de floresta na Amazônia até 2030 é possível e alcançar a meta só depende da vontade do governo e da sociedade

Por #Colabora | ODS 15

Publicado em 17/10/2026 - 13h00 (Atualizado há 13 minutos)

Tempo de leitura: 8 min

Números divulgados ontem (16/10) permitem dizer com orgulho: nunca na história deste país o desmatamento na Amazônia e no Cerrado foi tão baixo. Ou, mais precisamente, nunca na história do sistema PRODES, do INPE, de monitoramento do território brasileiro.

A Amazônia registrou entre agosto de 2025 e julho de 2026 um recorde histórico de queda no desmate: 3.335 km², o menor valor desde que as medições por satélite tiveram início, em 1988. O número é 42% menor do que o do ano passado (5.731 km²) e representa uma queda de 71%, considerando os últimos quatro anos. No Cerrado, bioma mais rapidamente devastado no Brasil, a área desmatada também foi a menor da história, 5.516 km². É uma queda de 23,7% em relação ao ano passado (7.235 km²) e de 48,4% nos últimos quatro anos.

Esses números não caíram do céu ou ocorreram por milagre. São o resultado do tremendo esforço do governo Lula, com Marina Silva como ministra do Meio Ambiente, não apenas em reverter a destruição da gestão de Jair Bolsonaro, mas também em cumprir a meta de zerar o desmatamento no país até 2030. Um trabalho que pode virar cinzas — literalmente —, dependendo do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, no dia 25 de outubro.

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A redução do desmatamento na Amazônia durante todo o governo Lula (ou seja, a partir de janeiro de 2023) evitou a emissão de cerca de 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa, estima o físico Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo. É um volume comparável às emissões totais da França acumuladas entre 2023 e 2025, que totalizaram cerca de 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente, segundo dados do inventário nacional francês.

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Os dados do INPE representam uma vitória da sociedade brasileira e são motivo de celebração. E também passam três recados claros, como destaca a análise do Observatório do Clima.

O primeiro é que zerar o desmatamento é possível. A atual administração assumiu após quatro anos da política antiambiental deliberada do governo de Jair Bolsonaro, que provocou a maior alta do desmate em um mandato presidencial desde o início da série histórica — 60% de aumento em relação ao período anterior — e devolveu a devastação ao menor patamar já registrado em quase quatro décadas. Nos quatro anos do atual governo Lula, a Amazônia perdeu 24.648 km², 46% a menos do que o total desmatado no governo Bolsonaro, de 45.586 km².

O segundo é que é preciso vontade política para que isso aconteça. Os números divulgados ontem são fruto de uma determinação clara e sustentada de proteção ambiental implementada pelo governo, que envolveu um conjunto de políticas públicas de combate aos crimes ambientais, estruturado sob a liderança de Marina Silva. Ações do IBAMA, como os embargos coletivos de áreas desmatadas e os embargos remotos por satélite, bem como a ampliação de instrumentos de financiamento, como o Fundo Amazônia e programas de apoio a municípios, foram fundamentais para os resultados.

O terceiro é que controlar o desmatamento é uma boa notícia não só para o meio ambiente. É bom para o clima, como mostrado acima, pois o controle da destruição da floresta evita a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. E é bom para o agronegócio, cujo PIB para 2026 é estimado em R$ 3,13 trilhões — uma alta de 17,67% em relação ao de 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro.

“Esses números são uma conquista histórica. Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa”, reforça Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

O Rio Itapecuru entre as matas no Maranhão onde suas águas abastecem mais de 50 municípios: Cerrado teve redução de 23% no desmatamento em um ano (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil - 12/10/2025)
O Rio Itapecuru entre as matas no Maranhão onde suas águas abastecem mais de 50 municípios: Cerrado teve redução de 23% no desmatamento em um ano (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil – 12/10/2025)

Ações na Amazônia e no Cerrado

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, também comemorou os números, que classificou como “um sonho para ambientalistas como ele”, durante a apresentação dos dados do PRODES. “Quantas vezes não ouvimos essa frase de que é impossível obter o desmatamento zero? Estamos trazendo resultados concretos para os biomas Amazônia e Cerrado”, afirmou.

A redução gradativa, ano a ano, pode ser explicada com base em três “pilares essenciais”, que garantem a execução de políticas de combate ao desmatamento, explicou o ministro à Agência Brasil. Capobianco disse que o primeiro pilar é seguir a ciência, respeitando dados e estudos; o segundo é a democracia, trazendo a sociedade para participar dos debates, com conselhos estaduais e municipais; e o terceiro pilar é o pacto federativo, com prefeitos e governadores aderindo ao plano de combate ao desmatamento, não importando o partido ou se são políticos de oposição ou da base do governo federal.

De acordo com o governo federal, entre as ações que contribuíram para a queda no desmatamento, estão o fortalecimento das operações da Polícia Federal, com quase 8 mil inquéritos instaurados sobre crimes contra o meio ambiente entre 2023 e 2026. Também foi citado o aumento do investimento no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a criação de 18 novas unidades de conservação e a homologação de 20 terras indígenas.

Também destacadas as ações do Ibama desde 2023. “Temos hoje planos para enfrentar desafios em todos os biomas brasileiros. Estamos fortalecendo as ações do Ibama, ampliando o quadro de pessoal e os recursos para melhorar a fiscalização, com mais tecnologia e inteligência”, afirmou André Lima, secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou no país 76.095 ações de fiscalização e lavrou 25.101 autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo período, embargou 18.630 km², lavrou 15.306 termos de apreensão, com valor de R$ 2,6 bilhões, e 4.088 termos de destruição, com valor de R$ 1,26 bilhão. O ICMBio, também entre 2023 e 2026, lavrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, com R$ 2,4 bilhões em multas, e mais de 5 mil termos de embargo, que somam mais de 5 mil km² de área embargada.

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