A temperatura da água do Oceano Pacífico chegou a um nível recorde de 2.3º acima da média na semana passada, apontando mais uma vez para um El Niño muito forte, com tremendos impactos climáticos pelo menos até o começo de 2027. Com a frequência e a gravidade crescentes de eventos climáticos extremos colocam pelo menos 50 mil habitantes das nações insulares do Pacífico em risco de perder suas casas a cada ano. Neste cenário, ministros e negociadores climáticos se reúnem esta semana (de 5 a 8 de outubro) em Nadi, cidade das Ilhas Fiji, na pré-COP31, antecipando a Conferência do Clima da ONU, marcada para a novembro.
As reuniões em Fiji e também em Tuvalu, que abrigará um encontro de líderes, foram marcadas com o objetivo atrair atenção para danos do aquecimento global para as ilhas do Pacífico onde estão países diretamente ameaçados pela crise climática. “Precisamos que venham ver”, declarou no fim de agosto o ministro do Meio Ambiente de Palau, Steven Victor, durante a abertura do Fórum das Ilhas do Pacífico.
Líderes do Pacífico defendem que o mundo mantenha a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C, amplie o acesso a financiamento climático e dê mais atenção aos impactos nos oceanos. O nível do mar está subindo em ritmo recorde, impulsionado pelo aquecimento dos oceanos e pelo derretimento de geleiras, segundo um relatório da ONU.
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Com quase 1 milhão de habitantes, as Ilhas Fiji são o segundo país em população do grupo de nações insulares do Pacífico (Papua Nova Guiné tem 10 milhões de pessoas) e já sofre severamente os efeitos da crise climática: desde a década passada. Desde 2014, o governo de Fiji vem desenvolvendo programas de realocação de vilas litorâneas inteiras, ameaçadas pela elevação do nível do mar e por eventos climáticos extremos como Vunidogoloa, na ilha de Cakaudrove, Cogea Village, em Wainunu, Bua e Nabavatu Village, em Dreketi, Macuata.
Em um evento de boas-vindas nesta segunda (5/10), o primeiro-ministro de Fiji, Sitiveni Rabuka, afirmou que era importante que as histórias do Pacífico fossem contadas. Ele disse que o Oceano Pacífico cobre cerca de um terço da Terra e “era o motor do clima mundial”. Quando as águas estão quentes e um fenômeno El Niño está se formando, isso pode causar “devastação em todos os países”, salienou. “Não estou pedindo que olhem para o Pacífico com compaixão”, disse Rabuka. “Estou pedindo que nos vejam como um indicador, que sinaliza a dimensão dos desafios que estão por vir.
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Veja o que já enviamosOs principais ministros e delegados presentes na Pré-COP31 participarão de um encontro de um dia em Tuvalu, uma pequena nação insular de baixa altitude que planeja realocar sua população inteira caso o território seja engolido pelo oceano. “A elevação do nível do mar não é uma ameaça futura; é uma realidade presente”, afirmou o primeiro-ministro de Tuvalu, Feleti Teo, à Assembleia Geral da ONU antes das negociações climáticas.
Os visitantes serão levados a conhecer os esforços de recuperação de terras realizados em Tuvalu. O ponto mais alto de Funafuti, a capital do país, fica a apenas dois metros acima do nível do mar, e dois de seus nove atóis de coral já estão amplamente inundados pelo avanço das águas. “A mensagem de Tuvalu é clara: o mundo deve agir agora, de forma decisiva, coletiva e urgente, para proteger o futuro das próximas gerações” No ano passado, a Austrália desistiu de disputar com a Turquia a sede da conferência COP31, em um acordo que lhe permitiu presidir as negociações e trazer as discussões preparatórias para a região do Pacífico.
Co-organizadora da COP31, a Austrália lidera, ao lado dos países insulares, esse encontro. Chris Bowen, ministro do Clima e presidente das negociações da COP31, assegura que 4 mil pessoas de 60 nações estarão nas reuniões no Pacífico. Mas os líderes mundiais serão poucos – a maioria da própria região do Pacífico. “Normalmente, não é uma reunião de líderes”, disse Bowen a jornalistas antes das discussões, que geralmente ocorrem em nível ministerial e de negociadores seniores.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, confirmou que participará da reunião climática do Pacífico, após o desastre causado pelas inundações no Himalaia em 26 de agosto, quando o deslocamento de uma geleira provocou um tsunami de água, lama e gelo na fronteira entre o Nepal e a China em 26 de agosto, matou quase 1.500 pessoas e deixou 5.800 desaparecidas nos dois países. “O que estamos tentando transmitir ao mundo é isto: essas questões relacionadas às mudanças climáticas não são mais teóricas”, disse Khanal à AFP em uma entrevista em Nova York.
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