ODS 1
Brasil perde mais de R$ 100 bilhões do PIB por ano com crise do clima




Enchente em comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma das cidades escolhidas para o projeto C40: fortalecimento do orçamento climático (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil – 02/04/2022)
Projeto C40 Cidades, com o apoio de Instituto Clima e Sociedade e o Centro Internacional Celso Furtado, busca fortalecer orçamento climático em sete cidades brasileiras
A crise do clima não é apenas ambiental, é também econômica, fiscal e social. O custo da inação vem superando o da prevenção, enquanto os prejuízos decorrentes da mudança do clima pressionam o orçamento das cidades, à medida que os eventos extremos vêm mostrando seu poder de destruição. E é nas cidades que esses efeitos deletérios são sentidos, seja porque é onde a transição energética ganha infraestrutura, onde o combate ao desmatamento se operacionaliza, onde a recuperação de pastagens se transforma em política agrícola, onde o transporte coletivo é planejado, onde o saneamento é executado e onde a defesa civil atua diante de desastres.
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“Tirar os compromissos climáticos do papel passa, necessariamente, pelo orçamento. As metas climáticas precisam estar conectadas às decisões sobre onde e como os recursos públicos serão aplicados”, sustenta Sarah Irffi, coordenadora do HUB de Economia e Clima, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), comentando que os prejuízos bilionários decorrentes de eventos extremos pressionam os orçamentos estaduais, comprometem investimentos e ampliam desigualdades. “Planejamento climático não é despesa — é gestão de risco macroeconômico e social”, argumenta.
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Veja o que já enviamosUm estudo do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef) produzido com apoio do iCS indicou que o Brasil perde cerca de R$ 110 bilhões do PIB anualmente em razão de desastres ambientais ligados a chuva e seca. Em um cenário de aquecimento global de +2°C, esses prejuízos podem chegar a R$ 144,6 bilhões por ano, impulsionados por um aumento de 42% no número de municípios atingidos por secas extremas. Ao passo que, estima-se que os custos da inação ao combate das mudanças climáticas saltariam de R$48,1 bilhões para R$84,5 bilhões ao ano.
O iCS, o Cicef e a C40 Cidades, uma rede global que reúne quase 100 das maiores e mais influentes metrópoles do mundo com o compromisso de liderar ações urgentes para combater a crise climática e reduzir as emissões de gases de efeito estufa, lançaram, agora em agosto, o Projeto C40 Cidades. A parceria vai até março de 2027. O objetivo, explicou Irffi, é apoiar as cidades a incorporar a agenda climática ao planejamento e à gestão fiscal, criando condições para que ela faça parte das decisões de governo de forma permanente. As cidades escolhidas para deslanchar o projeto, em parceria com as prefeituras, foram Salvador, Fortaleza, Recife, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas.
O intuito do projeto é que, nesses meses que antecedem as eleições de outubro, seja possível fazer um inventário das informações dessas cidades e avaliar até que ponto os orçamentos já aprovados estão ou não conectados aos planos de ação climática. Ou seja, que compromissos previstos nos Planos de Ação Climática das cidades possam ser mais facilmente relacionados às políticas e despesas dos orçamentos municipais.
Como São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas já têm orçamento climático em andamento, essas cidades receberão apoio para aprimorar as metodologias utilizadas. As quatro outras capitais, Salvador, Fortaleza, Recife e Curitiba, serão submetidas a avaliações de orçamento climático a partir dos dados orçamentários de 2026 e o objetivo é apoiar a incorporação dessa dimensão à elaboração da Lei Orçamentária Anual de 2028.
“Em um momento em que eventos extremos deixam de ser exceção e passam a redesenhar territórios, economias e vidas, compreender como as diferentes unidades federativas estão respondendo à crise do clima tornou-se essencial”, cita Irffi, fazendo referência ao Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026, que já está na sua segunda edição, e fruto da entre o iCS e o Centro Brasil no Clima. É fato que o Brasil entrou na “era da governança climática subnacional”, comenta. É que a crise do clima deixou de ser uma agenda restrita às negociações internacionais ou aos compromissos federais e passou a moldar decisões concretas nos estados brasileiros — no planejamento orçamentário, na gestão territorial, na infraestrutura energética, na agropecuária e na proteção ambiental.
Em 2025, o Brasil avançou na governança climática: mais estados criaram planos, inventários e leis climáticas, e a COP30 em Belém acelerou a mobilização institucional, mas, segundo Irffi, a assimetria permanece. Segundo dados do anuário, 21 unidades federativas ainda não têm planos climáticos completos, embora alguns estados tenham planos específicos de mitigação ou de adaptação.
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