Calor extremo será protagonista na Copa do Mundo de 2026, aponta estudo

Foto colorida que mostra bola de futebol e jogador da seleção brasileira em partida da Copa do Mundo de 2014. Na imagem, o jogador aparece apenas da cintura para baixo e se desloca em direção à bola

Dados indicam que um em cada quatro jogos ocorrerá em condições que tornam o estresse térmico um risco real

Por #Colabora | ODS 13
Publicada em 21 de maio de 2026 - 09:00
Tempo de leitura: 6 min

Foto colorida que mostra bola de futebol e jogador da seleção brasileira em partida da Copa do Mundo de 2014. Na imagem, o jogador aparece apenas da cintura para baixo e se desloca em direção à bola
Estudo alerta para riscos à saúde dos jogadores e do público diante do calor extremo (Foto: Divulgação / Governo do Brasil – 2014)

O calor extremo deverá ser um dos protagonistas da Copa do Mundo da FIFA de 2026. Pesquisa da Rede Mundial de Atribuição (WWA, na sigla em inglês) indica que 26 dos 104 jogos – um em cada quatro – deverão ocorrer em condições de risco real por conta do estresse térmico.

A competição começará no dia 11 de junho e segue até 19 de julho, com partidas divididas entre três países: Estados Unidos, Canadá e México, com 16 cidades-sede. O período coincide com o verão no hemisfério Norte, em que as temperaturas frequentemente passam dos 30°C, com potencial de se aproximar de 35°C a 40°C durante o dia.

O estudo foi divulgado na quinta-feira (14/05) e considera a localização dos estádios e o chamado WBTG, sigla para o índice de Temperatura do Bulbo e Globo Úmido. A medida combina dados sobre umidade, calor radiante (como a luz solar direta) e movimento do ar – todos com potencial para afetar a capacidade do corpo de regular sua temperatura interna.

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As diretrizes da Federação Internacional de Profissionais de Futebol (FIFPRO) recomendam que, quando o WBGT atinge 26°C ou mais, o estresse térmico se torna um risco real. Quando esse índice é registrado, as partidas devem incluir pausas para resfriamento. A partir de 28°C WBGT, a FIFPRO afirma que é inseguro jogar e recomenda o adiamento da partida.

O modelo estatístico da WWA calcula que 26 jogos do torneio ocorram em condições de pelo menos 26°C WBGT, sendo 9 deles em estádios sem refrigeração. Além disso, cinco partidas devem ser disputadas no limite de 28°C, equivalente a cerca 38°C em condições secas e 30°C sob alta umidade.

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Os regulamentos atuais da FIFA (Federação Internacional de Futebol) para a Copa do Mundo preveem o adiamento dos jogos apenas quando os níveis de WBGT são superiores a 32°C. A entidade afirma levar em conta as condições térmicas/climáticas no planejamento do evento.

Dois gráficos coloridos com escala de calor na América do Norte. Climatologia de 1990 a 2020 da temperatura máxima diária de bulbo úmido e globo (WBGT; painel esquerdo) e da temperatura máxima diária do ar (painel direito) na América do Norte
Climatologia de 1990 a 2020 da temperatura máxima diária de bulbo úmido e globo (WBGT; painel esquerdo) e da temperatura máxima diária do ar (painel direito) na América do Norte (Foto: Divulgação / WWA)

Comparação com a Copa de 94

A pesquisa da WWA sobre os impactos do calor na Copa do Mundo de 2026 faz uma comparação com o mundial de 1994, disputado nos Estados Unidos. Considerando os mesmos modelos, o número de jogos com WBGT de 26°C era de 21, com apenas 6 sem refrigeração.

Os dados apontam ainda que a possibilidade da final do mundial ser prejudicada pelo calor aumentou 50%, na comparação com a decisão de 17 de julho de 1994, no Rose Bowl, em Pasadena, quando a seleção brasileira conquistou o tetra diante da Itália.

Independentemente da hora do dia e da data exata, a probabilidade de eventos de calor atingirem ou ultrapassarem os limites de WBGT de 26°C, 28°C e 32°C é maior neste ano, em relação à 1994. 

“Garantir que o futebol possa continuar a ser apreciado com segurança durante os verões do hemisfério norte depende, portanto, não apenas de medidas de adaptação, mas também de esforços rápidos de mitigação para a transição para longe da queima de combustíveis fósseis”, aponta o estudo.

O que diz a FIFA?

A WWA alerta também para as condições perigosas para o público, tanto nos estádios quanto em encontros ao ar livre, comemorações e outras formas de participação social. Os resultados da pesquisa foram encaminhados à FIFA, com algumas recomendações, como:

  • Adiamento de partidas quando o WBGT ultrapassar 28°C;
  • Pausas para resfriamento de pelo menos seis minutos;
  • Melhorias nas estruturas de resfriamento para os jogadores;
  • Atualizações regulares das diretrizes a partir de evidências científicas.

Entre as medidas anunciadas pela FIFA para a Copa do Mundo 2026 estão as pausas obrigatórias de três minutos para resfriamento em cada tempo de todas as partidas, independentemente das condições climáticas. Outra medida é a instalação de bancos climatizados para comissões técnicas e reservas nos estádios ao ar livre. 

Quando as previsões indicarem temperaturas elevadas, a FIFA prevê que os espectadores poderão levar uma garrafa de água lacrada de fábrica, além de medidas extras de resfriamento nos estádios, como sistemas de névoa d’água, ônibus climatizados e ampliação da distribuição de água.

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