O medo da chuva, numa Belém onde chove o tempo todo

Alessandra Bahia em sua casa de palafitas no Igarapé Mata Fome: medo permanente da chuva após seguidas inundações (Foto: Leandra Souza)
Alessandra Bahia em sua casa de palafitas no Igarapé Mata Fome: medo permanente da chuva após seguidas inundações (Foto: Leandra Souza)
Alessandra Bahia em sua casa de palafitas no Igarapé Mata Fome: medo permanente da chuva após seguidas inundações (Foto: Leandra Souza)

Às margens do Igarapé Mata Fome, centenas de família sofrem com infraestrutura precária e seguidas inundações

Por Leandra Souza | Inclusão e DiversidadeODS 13ODS 6

Publicado em 16/09/2026 - 09h23 (Atualizado há 1 minuto)

Tempo de leitura: 22 min

Belém chove em média 218 dias por ano. É considerada uma das capitais mais chuvosas do Brasil. Agora, imagine viver em uma cidade com tais condições climáticas e ter medo da chuva? Isso mesmo, ter medo de chover. Parece algo tão absurdo, alguém que viva numa cidade chuvosa, ter um medo assim. Mas essa é a realidade de inúmeras famílias que vivem nas periferias da capital paraense. É o cotidiano de quem vive próximo ou às margens do Igarapé Mata Fome. O temor frequente de quem mora no Parque União, área que fica no bairro do Tapanã, margeado pelo curso d ‘água.

Por lá habitam famílias como a de Alessandra Bahia, mulher negra de 43 anos, que mora na rua Carlos Mariguella (mais da metade da vida). Há pelo menos 23 anos. Criou a filha mais velha, hoje com 24 anos, no Parque União. E segue por lá criando as outras filhas, de 13 e 10 anos, e o filho de 11 anos. Uma mãe solo que tem como única fonte de renda fixa os R$ 850 reais que recebe do Programa Bolsa Família. Quando Alessandra consegue alguns trabalhos como manicure, a renda da família aumenta, mas quando não consegue, o que tem são os R$ 850 reais. Para ela e mais três crianças.

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Esse é um retrato claro de muitos lares localizados nas periferias dos grandes centros urbanos brasileiros. Um levantamento divulgado em 2025 pela pesquisadora Janaína Feijó, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), revelou que quase 52% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres. E que desses lares chefiados por uma figura feminina, a maioria corresponde a mulheres negras, que predominantemente possuem baixa escolaridade.

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Nos últimos 14 anos que viveu no Parque União, a manicure pagou aluguel e sustentou os filhos com o dinheiro do programa social. Até que em outubro do ano passado, fez um empréstimo e conquistou a casa própria. Uma casa de modelo de palafita (toda de madeira e suspendida do chão), bem comum em áreas ribeirinhas e margeadas por rios e igarapés na região amazônica. A palafita amazônica de Alessandra fica do lado Igarapé Mata Fome. Da cozinha da casa, uma janela exibe a paisagem: o igarapé que foi poluído ao longo dos anos, as casas no entorno e, vez por outra, animais não tão convencionais (garças, peixes e cobras), mas que também são moradores desse território.

Em outubro de 2025, Alessandra vivia a realização de um sonho – apesar de, para sustentar esse sonho, ela tenha até hoje que entregar toda a renda do Bolsa Família ao seu credor, para quitar o empréstimo que lhe garantiu a casa. Mas, embora com toda a dificuldade financeira, a sua casa estava ali. Ela estava realizada. Mas o inverno amazônico estava por vir e Alessandra nem sequer imaginava o que ele traria.

Casas às margens do poluído Igararé Mata Fome, em Belém: famílias ameaçadas pelas enchentes constantes (Foto: Leandra Souza)
Casas às margens do poluído Igararé Mata Fome, em Belém: famílias ameaçadas pelas enchentes constantes (Foto: Leandra Souza)

O medo da chuva só aumentou

No dia 19 de abril de 2026, Belém amanheceu cinzenta, chovia sem parar. Segundo o comunicado da prefeitura, a cidade registrou naquele dia uma das chuvas mais intensas dos últimos dez anos. Pelo menos 44 mil pessoas foram impactadas diretamente com as enchentes e alagamentos que tomaram conta da capital. E,  entre estas 44 mil pessoas, estava Alessandra e os filhos, vendo a água invadir a realização do seu maior sonho.

A minha filha mais nova é a primeira a se levantar. Ela diz: ‘mãe vai encher, bora levantar tudo’. Ela já tá no automático, ela se levanta e sai catando tudo que tem pelo chão e jogando pra cima

Alessandra Bahia
Manicure

Alessandra e os filhos ficaram praticamente submersos dentro de casa, com mais de um metro de água ocupando a residência. E assim continuaram durante todo aquele dia. Inundados. A casa não foi deixada para trás. Ela e os filhos permaneceram ali, vendo tudo encher e secar. “Começou a chover do dia 18 pro dia 19 [de madrugada]. De manhã, deu a primeira enchente. Encheu a parte aqui de trás [a parte mais baixa da casa]. Aí quando foi umas 11h, secou. Eu comecei a lavar tudo”, conta.

A casa possui um lado mais baixo com um assoalho de madeira e outro mais alto, suspenso por um piso (ainda por terminar de ser concretado), com uma diferença de altura de aproximadamente 20 centímetros. Nesse lado mais alto, Alessandra garante que nunca havia enchido.

A limpeza não adiantou muito, porque, pouco tempo depois, por volta de umas 14h30, 15h, a chuva novamente se intensificou. E, dessa vez, invadiu a casa com mais força. “Foi tão rápido, tão rápido, que tudo foi pro fundo”, afirma a manicure. A chuva seguiu sem parar do início da tarde até a madrugada do dia 20 de abril. Alessandra e vizinhos contaram ao #Colabora que nenhuma ajuda foi enviada até a rua Carlos Mariguella, pelos órgãos públicos durante aquele dia de temporal.

Quando a tempestade passou

Destruição foi o que restou quando a água secou. A enchente destruiu tudo o que Alessandra tinha; tudo, para uma família que tem tão pouco. “As minhas coisas, tudo foi perdido, as camas. Tudo isso aí é doação”, conta, mostrando móveis e roupas. De acordo com a manicure, antes da enchente de abril, a casa não enchia, mas depois da data histórica, para os moradores da vizinhança, qualquer chuva alaga tudo.

Após passar por tudo isso, ainda é preciso ter que conviver com o trauma de que a qualquer momento a casa pode inundar outra vez. E, de novo, eles perderem o pouco que conquistaram após a enchente. A partir do dia 19 de abril de 2026, a família Bahia reage à chegada da chuva com temor. “A minha filha mais nova é a primeira a se levantar. Ela diz: ‘mãe vai encher, bora levantar tudo’. Ela já tá no automático, ela se levanta e sai catando tudo que tem pelo chão e jogando pra cima”, conta Alessandra. Uma menina de 10 anos de idade.

A própria Alessandra não consegue mais tirar o dinheiro extra como manicure. Ela tem medo de se ausentar por algumas horas e a chuva invadir outra vez sua casa, sem que ela esteja por perto. Nem mesmo no Dia das Mães, Alessandra teve sossego. A chuva provocou outra enchente no Parque União e a água voltou a invadir a casa. “Foi tudo pro fundo”, relembra. Em uma data onde vários lares celebravam a vida de suas figuras maternas, a família Bahia estava novamente submersa dentro da própria casa.

Alessandra Bahia em sua casa no Parque União: medo de perder tudo novamente com tempestade (Foto: Leandra Souza)
Alessandra Bahia em sua casa no Parque União: medo de perder tudo novamente com tempestade (Foto: Leandra Souza)

Como nasceu o medo da chuva?

O entorno do Igarapé Mata Fome começou a ser ocupado de acordo com a expansão de Belém para áreas mais distantes do centro. A avenida Augusto Montenegro foi uma das principais responsáveis por incentivar esse movimento, como um dos principais acessos ao bairro do Tapanã, na zona norte da capital paraense. Na década de 1970, a via se tornou responsável por iniciar o processo de ocupação dos seus arredores com a construção de conjuntos habitacionais que deram origem aos bairros próximos.

A maneira como a urbanização da cidade foi formada deve-se em grande parte à expulsão de famílias pobres de áreas mais centrais, provocada pela  especulação imobiliária. Com isso, houve a ocupação de territórios urbanos ao lado de grandes bacias hidrográficas que cortam a capital. O Igarapé do Mata Fome é efeito desse processo e atualmente corta os bairros da Pratinha, Tapanã, Parque Verde e São Clemente.

As reivindicações dos moradores de áreas próximas ao igarapé não são recentes: representam um movimento histórico e começaram a ter mais força com o avanço das mudanças climáticas. Diante desse padrão de expansão da cidade e da emergência climática, a arquiteta e urbanista Sâmyla Blois começou a pesquisar sobre o Mata Fome. A intenção da pesquisa era investigar como o desenvolvimento urbano de Belém “suprimiu áreas vegetais, as tecnologias sustentáveis, e substituiu pelo tradicional, pela impermeabilização”. E as consequências desse modelo.

A pesquisa de Sâmyla começou quase no mesmo período da retomada da obra de macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Mata Fome, ainda no mandato do ex-prefeito Edmilson Rodrigues, em 2021. “A gente tinha, pela segunda vez, uma grande obra de macrodrenagem, porque a única outra bacia que pega a parte de expansão de Belém é a bacia do Una. Só que já pega o final da bacia. Então, era a primeira grande oportunidade, depois de muitos anos, da gente ter um projeto que pudesse incorporar uma noção de urbanismo mais verde, mais sustentável, em diálogo com a comunidade”, detalha a pesquisadora. Porém, segundo Sâmyla Blois, o que mais dificultou o avanço da pesquisa foi a falta de informações e/ou dados disponíveis sobre o projeto da obra. “Era assim: vai ter obra, mas não tinha muita informação sobre isso”, aponta.

A falta de informação sobre o projeto, somado a um histórico de obras de macrodrenagem em Belém que não procuram mitigar os impactos ambientais, fez com que Sâmyla e a equipe do Grupo de Pesquisa Urbanização e Natureza na Amazônia (Urbana), vinculado ao Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará (PPGAU-UFPA), começassem a construir uma análise técnica e teórica “mais respeitosa” para a área e para a população que vive nela.

A pesquisa identificou que, em algumas áreas do Igarapé Mata Fome, ainda havia a presença de comunidades que tinham uma relação de convívio com água: as casas, em grande parte, são de palafitas (erguidas com estacas ou pilares em áreas alagadas), um modelo socialmente relacionado à cultura ribeirinha. Uma casa de palafita, no geral, é mais espaçosa, ventilada e gera menores danos ao meio ambiente, do que uma casa de alvenaria. Por isso, para os pesquisadores, era importante mostrar, a partir de estudos, como a obra poderia dialogar com o modo de vida daquelas comunidades e não mais uma vez passar o concreto em tudo. Isso porque as áreas que já tinham passado por alguma obra (não levada adiante a outros pontos da bacia), apresentaram mudança nesse modo de vida mais tradicional a realidade climática amazônica.

As áreas mais urbanizadas, sem considerar a presença do igarapé no entorno, ostentavam ruas mais modernas, novos modelos de casas e mudanças nos acessos, por exemplo, se antes do asfalto, a mobilidade daquela área era direcionada pela água, agora são as ruas que determinam por onde entrar e sair. “Áreas que eram muito movimentadas, às vezes, deixaram de ser movimentadas porque não tinha mais um espaço público. A preferência era criar uma rua que descesse para a Augusto Montenegro, para direcionar para os espaços públicos maiores. Então, algumas áreas que eram centrais foram deixando de ser tão populares e aí a gente recebeu registro de insegurança. Chegou o asfalto, mas não chegou a iluminação. Chegou o asfalto, mas ainda tem muito alagamento”, explica Sâmyla Blois.

A retomada da obra não ocorreu durante a gestão do prefeito Rodrigues, encerrada em 2024. O recomeço veio apenas 17 meses após o início do atual mandato de Igor Normando, no dia 18 de maio de 2026, com a assinatura da ordem de serviço do Programa de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Mata Fome (Prommaf), que, de acordo com a prefeitura, conta com um investimento de R$ 450 milhões de reais, provenientes do Ministério das Cidades, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Fonplata, banco multilateral de desenvolvimento formado por Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Para a atual gestão da Prefeitura de Belém, a obra pretende “transformar a paisagem da bacia do Mata Fome com drenagem, urbanização e recuperação ambiental”. Porém, o recomeço só veio quase um mês depois de a água ter invadido a casa de várias famílias e feito com que elas perdessem bens; e que o medo da chuva só aumentasse.

Casas precárias de madeira no entorno do Igarapé Mata Fome: ocupação desordenada e crise climática (Foto: Leandra Souza)
Casas precárias de madeira no entorno do Igarapé Mata Fome: ocupação desordenada e crise climática (Foto: Leandra Souza)

Medo da chuva é racismo ambiental

A situação da família Bahia, no Parque União, revela um padrão social. Famílias racializadas, especialmente chefiadas por mulheres negras, estão majoritariamente concentradas em áreas vulneráveis na região metropolitana de Belém. Em novembro de 2025, foi divulgado pelo Centro Brasileiro de Justiça Climática o Painel Climático da Região Metropolitana de Belém, resultado de um mapeamento urbanístico e social, que buscou visibilizar as desigualdades climáticas e territoriais nas oito cidades que compõem a região metropolitana. O estudo aponta que cerca de 39% da população total da Grande Belém é composta por mulheres negras. Quando aberto o mapa disponibilizado pelo painel climático, é possível identificar por filtros que “mulheres negras chefes de família” e a “suscetibilidade alta à inundação de Belém” ocupam praticamente os mesmos espaços.

A casa de Alessandra está condenada pela defesa civil, mas ela continua no mesmo local. A Fundação Papa João Paulo XXIII, que é o órgão de amparo social ligado à prefeitura, não ofereceu a possibilidade de uma nova moradia à família Bahia, muito menos o Auxílio Emergencial que foi disponibilizado para quem foi impactado pelos alagamentos. “Já pensou sair da tua casa? Tu perder o teu único bem que tu tem? A assistente social liga e pergunta: ‘Dona Alessandra, a senhora ainda tá aí?’. Eu tô, porque pra onde é que eu vou?”, diz.

Não é um caso isolado: a realidade de Alessandra está mapeada como reflexo estrutural do racismo e da falta de políticas públicas direcionadas à população pobre e periférica, que historicamente é em sua maioria negra. De acordo com a avaliação técnica e profissional da urbanista Sâmyla Blois, o norte global “decretou um jeito de fazer”, que contradiz a realidade das cidades amazônicas. “Esse jeito de fazer foi copiado pelo Sudeste. E foi o Sudeste que determinou a forma que seria feito também no Norte e no Nordeste. Então, por conta disso, a gente foi reproduzindo modelos que nem eram pensados para a nossa realidade. E se a gente percebe que são modelos que já vêm de uma base colonial, de um lugar de ignorar as demandas sociais para dar conta de demandas mais privadas, a gente já vai reproduzindo uma série de valores dentro da própria estrutura”, garante.

Ainda em maio, o Comitê Gestor de Riscos e Desastres do Município sofreu uma mudança drástica, com a retirada da participação da sociedade civil, do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da UFPA por decisão da Câmara de Belém, aprovada com apoio de vereadores da base aliada de Normando. O prefeito, assim, removeu a participação popular e de entidades científicas do centro das discussões do Comitê, poucos dias após a assinatura da ordem de serviço da obra no Mata Fome, que está sendo apresentada para a população belenense como “uma grande transformação” para área, nas palavras de Igor Normando.

Moradias às margens do Igarapé Mata Fome: prefeitura de Belém promete que projeto de macrodrenagem da bacia vai solucionar problema das enchentes na área (Foto: Leandra Souza)
Moradias às margens do Igarapé Mata Fome: prefeitura de Belém promete que projeto de macrodrenagem da bacia vai solucionar problema das enchentes na área (Foto: Leandra Souza)

E o que o poder público está fazendo?

No seu livro Futuro Ancestral, o líder indígena Ailton Krenak diz que precisamos escutar a voz do rio, pois ele fala. E, como qualquer voz não ouvida e desrespeitada, tende a se revoltar de tempos em tempos. Se projetos urbanísticos continuarem a não respeitar os rios e igarapés que resistem na cidade enquanto seres vivos, eventos como o do dia 19 de abril, vão se repetir. Na verdade, já estão se repetindo.

Na Rua Carlos Mariguella, os moradores asseguram que a enchente de abril fez com que o chão da área cedesse, assim, ocasionando mais enchentes, com chuvas em proporções menores. “Qualquer hora pode ir tudo pro fundo. Qualquer chuva enche tudo”, garante Alessandra. Ou seja, o risco de que ocorra uma tragédia anunciada é iminente. E cerca de 200 mil pessoas estão à espera de melhorias reais para uma situação que só piora.

Em entrevista para o #Colabora, o coordenador do Prommaf, Wilson Neto, e com secretário de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel), Luciano de Oliveira, falaram sobre o andamento e planejamento da obra; o realocamento das famílias que estão em situação de risco; a falta do Auxílio Emergencial; e a saída de organizações da sociedade civil e de órgãos científicos do Comitê Gestor.

Wilson Neto assumiu a coordenação do Prommaf no final de abril, dias após as enchentes – a ordem de serviço do programa só foi assinada quase um mês depois. Neto afirmou que a “vontade pessoal e individual de cada um, às vezes não reflete a realidade processual”, atribuindo a demora a questões jurídicas e administrativas. “O tempo que demorou para que a gente começasse essas obras foi pela questão do amadurecimento das etapas jurídicas e poder fazer as etapas de contratação e tudo mais. O desejo do prefeito é, de fato, concluir todas as etapas. Mas, logicamente, respeitando o processo legal e o procedimento administrativo”, assegurou.

Em relação a situação da realocação das famílias em áreas de risco e a ausência do Auxílio Emergencial para quem foi atingido, Wilson Neto disse que tanto o manejo das famílias quanto a distribuição da renda emergencial foram ou estão sendo executados a partir de um levantamento social de cada caso em específico.

Para as famílias que precisaram ser remanejadas há a possibilidade de mudança para conjuntos habitacionais, por meio do Programa Minha Casa Minha Vida, ou a indenização dos imóveis, para que a família compre outro. Mas o coordenador não apontou uma data exata, para quando isso começará a ser feito. “Nós vamos começar, muito em breve, a questão do levantamento social, que é um plano específico de reassentamento, que vai justamente fazer o diagnóstico da área, identificar quantas famílias são; quantas famílias que precisam sair, de fato, de cima do leito do igarapé; e para onde elas serão remanejadas”, alegou.

Aqueles que não receberam o Auxílio Emergencial, como Alessandra que fez o cadastramento com a Funpapa, não terão, entretanto, a possibilidade de recebê-lo em outro período. “No momento, não há previsão de uma segunda remessa do auxílio. O que a gente orienta nesse momento é que a pessoa procure a rede de CRAS, a rede de assistência social do município para poder se informar e, eventualmente, caso não tenha sido contemplada nesse ponto, ver se ela já é beneficiária de outros benefícios ou auxílios”, declarou Wilson Neto.

Sobre as mudanças no Comitê Gestor de Riscos e Desastres do Município, o secretário da Segbel atribuiu a ajustes feitos desde o início da gestão na estrutura administrativa do município, e que o prefeito Normando, quando constatado o que considerou um equívoco, convocou uma reunião para reconstituição do Comitê. “Ele [o prefeito] determinou a imediata reconstituição do Comitê com a participação da sociedade civil, de modo que um Projeto de Lei vai restituir essas instituições”, informou. De acordo com Oliveira, o PL já foi encaminhado à Câmara Municipal, e a prefeitura espera que seja aprovado feita ainda neste segundo semestre de 2026.

Mas, enquanto a burocracia não é resolvida, cerca de 200 mil pessoas correm risco de perder seus pertences, a dignidade do bem viver e a vida. Alessandra continua na mesma casa, com três crianças e com medo da chuva.

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Leandra Souza

Leandra Souza é jornalista amazônida, formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com quatro anos de atividade na profissão. Trabalhou na Assessoria de Comunicação da UFPA, antes de começar a atuar como jornalista independente, colaborando com veículos como Sumaúma, Revista Piauí e O Liberal com reportagens sobre temas socioambientais, direitos humanos e cultura amazônida. Está cursando Especialização em Estudos Amazônicos pelo Instituto Federal do Pará (IFPA) e também atua como secretária-executiva da Coalizão de Jornalistas e Comunicadoras Negras e Indígenas

Leandra Souza

Leandra Souza é jornalista amazônida, formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com quatro anos de atividade na profissão. Trabalhou na Assessoria de Comunicação da UFPA, antes de começar a atuar como jornalista independente, colaborando com veículos como Sumaúma, Revista Piauí e O Liberal com reportagens sobre temas socioambientais, direitos humanos e cultura amazônida. Está cursando Especialização em Estudos Amazônicos pelo Instituto Federal do Pará (IFPA) e também atua como secretária-executiva da Coalizão de Jornalistas e Comunicadoras Negras e Indígenas

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