Eleições 2026: 91% dos brasileiros cobram propostas contra a crise climática

Socorro a vítimas de desabamento em São Paulo após recente temporal: pesquisa indica que 91% querem crise climática no programa dos candidatos (Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil – 12/09/2026)

Pesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima ouviu 1.800 brasileiros em todas as regiões do país sobre mudanças climáticas e meio ambiente

Por #Colabora | ODS 13

Publicado em 17/09/2026 - 12h30 (Atualizado há 44 segundos)

Tempo de leitura: 9 min

A preocupação com a crise climática está entre as demandas dos brasileiros para as eleições de outubro. O tema integra a agenda que a população espera ver contemplada pelos candidatos, segundo a pesquisa “Clima e meio ambiente na percepção dos brasileiros”, realizada pela Ipsos a pedido do Observatório do Clima. O levantamento mostrou que 91% dos brasileiros consideram importante que os candidatos nas próximas eleições apresentem propostas para enfrentar as mudanças climáticas. Para 62%, essa é uma questão “muito importante”.

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A pesquisa – divulgada nesta quinta-feira (17/09) ouviu 1.800 brasileiros com 18 anos ou mais, em todo o país, entre os dias 17 e 20 de agosto. O questionário, aplicado online, foi composto por 32 perguntas sobre clima e meio ambiente e a presença desses temas na agenda pública e governamental, além de cuidados, atitudes e comportamentos relacionados a essas agendas. O levantamento também incluiu um bloco específico de perguntas sobre o metano.

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O levantamento encomendado pelo Observatório do Clima – principal rede da sociedade civil brasileira com atuação na agenda climática, reunindo organizações socioambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais – teve o objetivo de investigar como os brasileiros enxergam as mudanças climáticas e o meio ambiente, o papel do poder público em relação a tais temas, além das prioridades e expectativas diante dos desafios futuros. Os resultados também trazem estratificações por direcionamento político dos respondentes.

Calor extremo e chuvas torrenciais, maiores preocupações com a crise climática (Fonte: Pesquisa Ipsos)
Calor extremo e chuvas torrenciais, maiores preocupações com a crise climática (Fonte: Pesquisa Ipsos)

Há um consenso elevado de que a mudança climática está provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor, com 87% de concordância. Além disso, 85% consideram que a mudança climática afeta o cotidiano dos brasileiros; 79% acreditam que o tema deve ser priorizado mesmo que implique custos econômicos; e 76% entendem que ainda há tempo para evitar seus piores impactos, caso medidas sejam tomadas imediatamente. As ondas de calor extremo (29%) e as chuvas torrenciais e inundações (22%) são apontados como os efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas, neste momento em que o país começa a sofrer os efeitos do El Niño muito forte, com seca no Norte/Nordeste e temporais no Sul/Sudeste.

Quando confrontada com outros temas, a mudança climática ainda é ofuscada por preocupações relacionadas à segurança, à economia e aos serviços públicos. Os entrevistados foram apresentados a uma série de temas para a escolha de três prioridades: criminalidade e insegurança pública foi a mais citada (49%) – com significativos menções à violência contra a mulher (36%) e falta de justiça (20%) na mesma área; aumento do custo de vida e inflação (41%) veio em seguida, reforçada, na área econômica, por baixos salários (20%); apareceram ainda qualidade da saúde pública (34%) e qualidade da educação pública (22%), antes de mudanças climáticas (20%).

Já no recorte dos problemas ambientais, a crise climática ocupa o primeiro lugar, com 35% das menções. Em seguida, aparecem a gestão de resíduos e lixo, com 21%, e a qualidade do ar e a poluição, com 15%. “A pesquisa mostra que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática, mas infelizmente não é o que está acontecendo”, avalia Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima. “A maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes para o tema. Um dos candidatos, inclusive, é um negacionista convicto”, ressalta.

Prioridades na agenda pública: mudanças climáticas atrás de segurança, economia, saúde e educação (Fonte: Pesquisa Ipsos)
Prioridades na agenda pública: mudanças climáticas atrás de segurança, economia, saúde e educação (Fonte: Pesquisa Ipsos)

Avaliação negativa de pessoas, empresas e governo

Em relação ao clima e meio ambiente na agenda governamental, 90% dos brasileiros consideram muito importante que o governo e as políticas públicas se dediquem à proteção ambiental, enquanto apenas 3% a consideram pouco ou nada importante. Este é um dos consensos mais fortes do estudo. Sobre os enfrentamento dos desastres climáticos, 54% dos entrevistados estão insatisfeitos com a ação dos governos – federal, estadual, municipal – e 27% dizem estar satisfeitos. E, apesar de 68% concordarem que o governo brasileiro não tem um plano para enfrentar as mudanças climáticas, a avaliação do governo federal (negativa para 71%) é menos pior que a das empresas (negativa para 75%) e das pessoas (78%).

Em relação ao metano – gás de efeito estufa 28 vezes mais potente que o CO2 num período de 100 anos – a pesquisa revela que o conhecimento está ainda restrito a uma pequena parcela da população. A maioria (64%) atribuiu aos aterros sanitários, lixões e à queima de combustíveis fósseis a responsabilidade pela maior parcela das emissões do gás, quando o maior vilão no Brasil é a pecuária.

Para Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, pesquisas como esta mostram que, de fato, os brasileiros estão preocupados com as mudanças climáticas e seus efeitos, e com o meio ambiente de forma mais ampla. “O esforço a ser feito é para que essa preocupação se reflita em votos que assegurem a eleição de candidatos que realmente incorporem esse tema em sua atuação. Em plena crise climática, não dá para aceitar negacionistas, declarados ou disfarçados, nem no Executivo, nem no Legislativo”, afirma.

Combate ao desmatamento, ampliação das energias renováveis e adaptação climática: prioridades na agenda ambiental para entrevistados (Fonte: Pesquisa Ipsos)
Combate ao desmatamento, ampliação das energias renováveis e adaptação climática: prioridades na agenda ambiental para entrevistados (Fonte: Pesquisa Ipsos)

A pesquisa também perguntou sobre as causas das mudanças climáticas. Para 58% dos entrevistados, o fenômeno é causado principalmente pela atividade humana; 36% atribuem o problema a uma combinação entre atividade humana e fenômenos naturais; e 5% consideram que as mudanças climáticas são explicadas principalmente por causas naturais.

Entre as políticas ambientais abordadas com os entrevistados, uma das mais importantes é a das normas ambientais: 43% dos pesquisados rejeitam a flexibilização das normas ambientais e consideram que os investimentos devem se adaptar à regulamentação vigente. A percepção, portanto, é de que 4 em 5 pessoas defendem uma posição de proteção ou cautela ambiental.

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Texto produzido pelos jornalistas da redação do #Colabora, um portal de notícias independente que aposta numa visão de sustentabilidade muito além do meio ambiente.

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