A preocupação com a crise climática está entre as demandas dos brasileiros para as eleições de outubro. O tema integra a agenda que a população espera ver contemplada pelos candidatos, segundo a pesquisa “Clima e meio ambiente na percepção dos brasileiros”, realizada pela Ipsos a pedido do Observatório do Clima. O levantamento mostrou que 91% dos brasileiros consideram importante que os candidatos nas próximas eleições apresentem propostas para enfrentar as mudanças climáticas. Para 62%, essa é uma questão “muito importante”.
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A pesquisa – divulgada nesta quinta-feira (17/09) ouviu 1.800 brasileiros com 18 anos ou mais, em todo o país, entre os dias 17 e 20 de agosto. O questionário, aplicado online, foi composto por 32 perguntas sobre clima e meio ambiente e a presença desses temas na agenda pública e governamental, além de cuidados, atitudes e comportamentos relacionados a essas agendas. O levantamento também incluiu um bloco específico de perguntas sobre o metano.
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Veja o que já enviamosO levantamento encomendado pelo Observatório do Clima – principal rede da sociedade civil brasileira com atuação na agenda climática, reunindo organizações socioambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais – teve o objetivo de investigar como os brasileiros enxergam as mudanças climáticas e o meio ambiente, o papel do poder público em relação a tais temas, além das prioridades e expectativas diante dos desafios futuros. Os resultados também trazem estratificações por direcionamento político dos respondentes.


Há um consenso elevado de que a mudança climática está provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor, com 87% de concordância. Além disso, 85% consideram que a mudança climática afeta o cotidiano dos brasileiros; 79% acreditam que o tema deve ser priorizado mesmo que implique custos econômicos; e 76% entendem que ainda há tempo para evitar seus piores impactos, caso medidas sejam tomadas imediatamente. As ondas de calor extremo (29%) e as chuvas torrenciais e inundações (22%) são apontados como os efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas, neste momento em que o país começa a sofrer os efeitos do El Niño muito forte, com seca no Norte/Nordeste e temporais no Sul/Sudeste.
Quando confrontada com outros temas, a mudança climática ainda é ofuscada por preocupações relacionadas à segurança, à economia e aos serviços públicos. Os entrevistados foram apresentados a uma série de temas para a escolha de três prioridades: criminalidade e insegurança pública foi a mais citada (49%) – com significativos menções à violência contra a mulher (36%) e falta de justiça (20%) na mesma área; aumento do custo de vida e inflação (41%) veio em seguida, reforçada, na área econômica, por baixos salários (20%); apareceram ainda qualidade da saúde pública (34%) e qualidade da educação pública (22%), antes de mudanças climáticas (20%).
Já no recorte dos problemas ambientais, a crise climática ocupa o primeiro lugar, com 35% das menções. Em seguida, aparecem a gestão de resíduos e lixo, com 21%, e a qualidade do ar e a poluição, com 15%. “A pesquisa mostra que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática, mas infelizmente não é o que está acontecendo”, avalia Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima. “A maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes para o tema. Um dos candidatos, inclusive, é um negacionista convicto”, ressalta.


Avaliação negativa de pessoas, empresas e governo
Em relação ao clima e meio ambiente na agenda governamental, 90% dos brasileiros consideram muito importante que o governo e as políticas públicas se dediquem à proteção ambiental, enquanto apenas 3% a consideram pouco ou nada importante. Este é um dos consensos mais fortes do estudo. Sobre os enfrentamento dos desastres climáticos, 54% dos entrevistados estão insatisfeitos com a ação dos governos – federal, estadual, municipal – e 27% dizem estar satisfeitos. E, apesar de 68% concordarem que o governo brasileiro não tem um plano para enfrentar as mudanças climáticas, a avaliação do governo federal (negativa para 71%) é menos pior que a das empresas (negativa para 75%) e das pessoas (78%).
Em relação ao metano – gás de efeito estufa 28 vezes mais potente que o CO2 num período de 100 anos – a pesquisa revela que o conhecimento está ainda restrito a uma pequena parcela da população. A maioria (64%) atribuiu aos aterros sanitários, lixões e à queima de combustíveis fósseis a responsabilidade pela maior parcela das emissões do gás, quando o maior vilão no Brasil é a pecuária.
Para Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, pesquisas como esta mostram que, de fato, os brasileiros estão preocupados com as mudanças climáticas e seus efeitos, e com o meio ambiente de forma mais ampla. “O esforço a ser feito é para que essa preocupação se reflita em votos que assegurem a eleição de candidatos que realmente incorporem esse tema em sua atuação. Em plena crise climática, não dá para aceitar negacionistas, declarados ou disfarçados, nem no Executivo, nem no Legislativo”, afirma.


A pesquisa também perguntou sobre as causas das mudanças climáticas. Para 58% dos entrevistados, o fenômeno é causado principalmente pela atividade humana; 36% atribuem o problema a uma combinação entre atividade humana e fenômenos naturais; e 5% consideram que as mudanças climáticas são explicadas principalmente por causas naturais.
Entre as políticas ambientais abordadas com os entrevistados, uma das mais importantes é a das normas ambientais: 43% dos pesquisados rejeitam a flexibilização das normas ambientais e consideram que os investimentos devem se adaptar à regulamentação vigente. A percepção, portanto, é de que 4 em 5 pessoas defendem uma posição de proteção ou cautela ambiental.
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