Exposição no Plante Rio 2026 celebra 30 anos do Mutirão Agroflorestal

Exposição celebrando os 30 anos do Mutirão Agroflorestal durante o Plante Rio 2026: ações itinerantes e núcelos em São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Pará e Rio de Janeiro (Foto: Everton Victor)
Exposição celebrando os 30 anos do Mutirão Agroflorestal durante o Plante Rio 2026: ações itinerantes e núcelos em São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Pará e Rio de Janeiro (Foto: Everton Victor)
Exposição celebrando os 30 anos do Mutirão Agroflorestal durante o Plante Rio 2026: ações itinerantes e núcelos em São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Pará e Rio de Janeiro (Foto: Everton Victor)

Movimento agroecológico chega a cinco núcleos pelo Brasil e se fortalece com crescente conscientização socioambiental

Por Everton Victor e Núbia de Oliveira Iacomini | ODS 12

Publicado em 22/09/2026 - 09h42 (Atualizado há 1 minuto)

Tempo de leitura: 9 min

“Muitas mãos. Um convite para fazer uma coisa que tem que ser feita, mas não dá pra fazer sozinho”. Para a colombiana Angie Alba, visitante do Plante Rio 2026, essa é a essência de um mutirão. A definição também resume a trajetória do Mutirão Agroflorestal, que há 30 anos reúne pessoas para aprender coletivamente novas formas de relação com a terra por meio da agrofloresta. No Plante Rio 2026fomentado pela Associação Saúva e Jataí Investimentos, com realização da Fundição Verde e no Centro do Rio —, as três décadas de história do movimento foram apresentadas em uma exposição com fotografias, livros, manuscritos e objetos que registram diferentes momentos da trajetória do movimento.

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Ao ouvir o significado da palavra Mutirão, Pablo Sierra lembrou de outra palavra de origem indígena, com sentido semelhante, utilizada na Colômbia: ‘minga’. “A palavra tem sido muito utilizada para os movimentos sociais. Então quando se fazem grandes greves, as pessoas falam de ‘fazer uma minga’: todos vão levar comida e água, para conseguir ficar mais tempo nas greves”. Angie complementa: “todo mundo ajuda de alguma forma; é lindo”. Os dois colombianos conheceram o evento pelas redes sociais.

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Denise Amador, uma das fundadoras do Mutirão Agroflorestal, contou ao #Colabora as motivações que deram a iniciativa. Para ela, o grupo encontrou na agrofloresta uma forma de construção coletiva, que futuramente daria origem aos mutirões. “Acreditamos na potência desse movimento como processos educacionais mobilizadores de envolvimento e pertencimento”, afirma.

Integrantes do Mutirão Agroflorestal homenageados na Fundição Progresso: integração do cultivo de alimentos com a preservação do solo e dos recursos naturais (Foto: Everton Victor)
Integrantes do Mutirão Agroflorestal homenageados na Fundição Progresso: integração do cultivo de alimentos com a preservação do solo e dos recursos naturais (Foto: Everton Victor)

O Mutirão atua de forma itinerante e também em cinco núcleos no Brasil: São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Pará e, mais recentemente, no Rio de Janeiro. Nesses polos, o grupo promove mutirões e processos formativos em agrofloresta nos seus diferentes contextos. No interior de São Paulo, por exemplo, eles atuam com assentamentos de reforma agrária, recebendo grupos escolares para trabalhar na agrofloresta com perspectiva pedagógica. No Distrito Federal, a organização conta com hortos medicinais biodinâmicos associados a Unidades Básicas de Saúde, em parceria com a Fiocruz. “A gente vai aonde o povo vai”, conta Denise.

A prática agroflorestal busca integrar o cultivo de alimentos à preservação do solo e dos recursos naturais. Na prática, a proposta vai além de um caráter mercadológico de plantar, colher e vender, mas também sustentabilidade da terra a longo prazo. É nesse contexto que os mutirões entram como forma de compartilhar aprendizados coletivos para o manejo das agroflorestas. “São uma tecnologia social de caráter ancestral que nos indicam os caminhos coletivos que a gente precisa”, explica Denise.

Denise Amador e Rodrigo Junqueira em frente ao mural de fotos da exposição “30 anos Mutirão Agroflorestal”: fortalecimento da consciência socioambiental (Foto: Núbia de Oliveira Iacomini)
Denise Amador e Rodrigo Junqueira em frente ao mural de fotos da exposição “30 anos Mutirão Agroflorestal”: fortalecimento da consciência socioambiental (Foto: Núbia de Oliveira Iacomini)

Na exposição que celebra os 30 anos do Mutirão Agroflorestal, esta trajetória foi apresentada na forma de fotografias, livros, manuscritos e outros elementos que fazem parte do planejamento e das atividades em campo, como o Kit Elaborador de Sistemas Agroflorestais (KESAF), um material de planejamento desenvolvido pelo Mutirão Agroflorestal em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo. Além disso, havia um caderno à disposição para que os visitantes pudessem deixar a própria história com o Mutirão por escrito e frutas cultivadas através do trabalho dos mutirões.

Para Angie e Pablo, a exposição foi uma ótima forma de conhecer a organização. Pablo reconhece o tempo de existência do movimento como algo necessário e enriquecedor. “Acho que já devem ter muitos conhecimentos acumulados. Eu me pergunto quais são as aprendizagens que eles têm com as agroflorestas. E é muito interessante ver isso (a história de um movimento agroflorestal) numa exposição”.

Os colombianos Angie e Plano na exposição: atraídos pelo conceito de mutirão (Foto: Ana Carolina Ferreira)
Os colombianos Angie e Plano na exposição: atraídos pelo conceito de mutirão (Foto: Ana Carolina Ferreira)

Segundo Rodrigo Junqueira, um dos fundadores do movimento, o objetivo da exposição é tentar contar a história que os guiou até os dias de hoje, criando uma cronologia com fotos físicas em uma estrutura construída com papelões, barbantes e bambu, remetendo a algo mais natural, que tenha a cara do Mutirão. “Todo plantio é um processo: você planta a semente, ela germina, nasce, cresce, floresce, dá o fruto… E aqui também foi um processo no sentido do que a gente quer passar. Essa relação nossa de 30 anos vividos não é somente uma técnica de estarmos aqui, mas é uma visão de mundo que parte de um coletivo.”

Durante o Plante Rio 2026, o Mutirão também exibiu o filme Mutirão Agroflorestal 20 anos, que reúne uma série de depoimentos sobre a atuação do grupo no Brasil. O grupo em breve lançará um novo filme sobre os 30 anos.

A agroecologia, segundo Patrícia Vaz, também integrante do Mutirão, tem sido debatida em cada vez mais espaços. “Quando eu comecei a trabalhar com agrofloresta, ninguém fazia ideia do que era aquilo, não era tema na sociedade. Hoje, vejo que as pessoas estão mais atentas a essas questões”. A percepção acompanha uma mudança de comportamento dos brasileiros. De acordo com um estudo sobre sustentabilidade da Kantar, em 2025, 87% afirmavam que fazem escolhas mais sustentáveis, enquanto 35% já diziam estar mudando ativamente seus hábitos.

O Kit Elaborador de Sistemas Agroflorestais, material de planejamento desenvolvido pelo Mutirão Agroflorestal exposto no Plante Rio: trabalho coletivo no campo (Foto: Everton Victor)
O Kit Elaborador de Sistemas Agroflorestais, material de planejamento desenvolvido pelo Mutirão Agroflorestal exposto no Plante Rio: trabalho coletivo no campo (Foto: Everton Victor)

Para Patrícia, a crescente conscientização socioambiental aponta o futuro do movimento agroecológico. “Chegam sempre pessoas de diferentes idades; essa renovação é necessária, possível e está acontecendo”. Ela destaca o caráter coletivo do Mutirão e de outras iniciativas de sustentabilidade no país. “Desejo que se façam parcerias com outras iniciativas, como se estivéssemos jogando sementes para outros lugares, essa é a renovação que eu quero”.

A décima edição do Plante Rio – “É tempo de Mutirão”, celebrou uma prática fundamental não só para alcançar um objetivo comum, mas também para a construção de vínculos. Para Denise, é uma oportunidade de ver que “um mais um é sempre mais que dois”. E completa: “é um sentimento de potência que o mutirão gera, de um trabalho realizado que é muito maior e dá mais fé no futuro. É um esperançar ativo, o tempo de mutirão é muito essencial para o momento atual”.

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Everton Victor e Núbia de Oliveira Iacomini

Everton é estudante de Jornalismo pela Uerj e de Economia pela PUC Minas; já participou de coberturas como das reuniões do G20 e do Brics. Além de ser apaixonado pela Beija-Flor de Nilópolis, pelo Rio e por contar histórias. Núbia é jornalista, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e natural de São Gonçalo, Região Metropolitana do RJ. Tem forte ligação com o jornalismo comunitário e socioambiental: durante a graduação, fez reportagens para o jornal universitário O Casarão e atualmente contribui com o jornal comunitário Voz de Guadalupe

Everton Victor e Núbia de Oliveira Iacomini

Everton é estudante de Jornalismo pela Uerj e de Economia pela PUC Minas; já participou de coberturas como das reuniões do G20 e do Brics. Além de ser apaixonado pela Beija-Flor de Nilópolis, pelo Rio e por contar histórias. Núbia é jornalista, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e natural de São Gonçalo, Região Metropolitana do RJ. Tem forte ligação com o jornalismo comunitário e socioambiental: durante a graduação, fez reportagens para o jornal universitário O Casarão e atualmente contribui com o jornal comunitário Voz de Guadalupe

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