Coreia do Sul tem temperatura recorde e mais de 20 mortes por calor

Crianças se refrescam em chafariz em Seul: Coreia do Sul enfrenta temperatura recorde e mais de 20 mortes por calor (TV AL Jazeera / Reprodução)
Crianças se refrescam em chafariz em Seul: Coreia do Sul enfrenta temperatura recorde e mais de 20 mortes por calor (TV AL Jazeera / Reprodução)
Crianças se refrescam em chafariz em Seul: Coreia do Sul enfrenta temperatura recorde e mais de 20 mortes por calor (TV AL Jazeera / Reprodução)

Com crise climática, país asiático registou quase 43 graus na primeira semana de agosto e enfrenta consecutivas ondas de calor

Por Oscar Valporto | ODS 13

Publicado em 06/08/2026 - 09h42 (Atualizado há 28 minutos)

Tempo de leitura: 9 min

Em meio a seguidas ondas de calor desde julho, a Coreia do Sul registrou, na primeira semana de agosto, a temperatura mais alta desde que começaram as medições, há mais de um século, em 1904, 122 anos atrás: a cidade de Yangsan, na província de Gyeongsang do Sul, no sudeste do país asiático, ferveu com uma temperatura de 42,5 graus Celsius, no domingo (02/08). No fim de semana e até terça-feira, as temperaturas diurnas também ultrapassaram os 40 graus em outras áreas,como as cidades de Busan, segunda maior cidade coreana,Gimhae, Gyeongju (província de Gyeongang do Norte) e Gwangyang, todas mais ao sul.

No começo da semana, a Administração Meteorológica da Coreia (KMA) elevou o nível de alerta para a região da capital, Seul, no noroeste do país, de “aviso de onda de calor” para “alerta máximo de onda de calor” (o segundo nível mais alto na escala de perigo), colocando toda a capital sob essa classificação. As temperaturas passaram de 38º ₢ em Seul nesta semana. Até o fim de semana, a máxima deve ficar em 39º C na capital. Por toda a Coreia, mais de 15 jogos de liga profissional de beisebol e outros eventos ao ar livre foram cancelados.

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Segundo a KMA, uma combinação rara de padrões meteorológicos de grande escala – resultado da crise climática no planeta – e condições geográficas locais alimentou o calor extremo que atingiu Yangsan e outras partes da província de Gyeongsang do Sul. A sobreposição de sistemas de alta pressão sobre a Península Coreana criou condições ideais para a onda de calor.

O Anticiclone do Pacífico Norte — um sistema de alta pressão semipermanente — trouxe ar quente e úmido, enquanto o Anticiclone do Tibete — um sistema sazonal de alta pressão que se forma sobre o planalto tibetano — reforçou o aquecimento atmosférico, gerando céu limpo e sol intenso que elevaram ainda mais as temperaturas. As condições de seca, decorrentes de chuvas de monção abaixo da média, também apontadas como reflexo das mudanças climáticas, intensificaram o calor, reforçado pela estagnação do padrão meteorológico, o que permitiu que as temperaturas subissem em toda a região sudeste.

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De acordo com a Agência Coreana de Controle e Prevenção de Doenças, foram registrados 2.441 casos de doenças relacionadas ao calor entre 15 de maio e 31 de julho. Dados da agência, divulgados nesta quarta-feira (05/08), pelo menos 21 morreram em toda a Coreia do Sul por condições relacionadas ao calor extremo. A exaustão pelo calor representou 61,7% dos casos relatados, seguida pela insolação (16,8%) e pelas cãibras por calor (11,5%), segundo as autoridades de saúde.

As temperaturas de julho de 2026 foram as terceiras mais altas já registradas na Coreia, com uma média nacional de 26,8°C. O recorde histórico é de 27,7°C, registrado em 1994, seguido por 27,1°C no ano passado, segundo a Administração Meteorológica da Coreia (KMA), que acompanha os registros tendo 1973 como ano-base.

Em outros aspectos da crise climática, o número de “noites tropicais” — aquelas em que a temperatura mínima foi de 25°C ou mais — atingiu uma média nacional de 9,7 dias, estabelecendo um novo recorde. Seul quase atingiu o limite para uma “noite supertropical” — termo não utilizado oficialmente pela KMA, mas que se refere a noites em que a mínima é de 30 graus ou mais. A cidade de Gangneung, na província de Gangwon, registrou uma noite supertropical em 31 de julho, com uma mínima noturna de 30,2 graus.

Como consequência das mudanças climáticas, os ventos oceânicos que antes resfriavam o ar durante a noite já não o fazem com a mesma eficácia, uma vez que o aumento da temperatura do mar enfraqueceu esse efeito. Em vez disso, a entrada de ar úmido retém o calor próximo ao solo como um cobertor, especialmente no litoral.

O serviço meteorológico coreano informou ainda que a precipitação em todo o país totalizou apenas 220,2 milímetros, ou 72,3% da média de chuvas para o mês de julho (296,5 mm). As condições de seca foram mais severas exatamente na província de Gyeongsang do Sul (onde foi registrado a temperatura recorde de 42,5º C) que recebeu 68 mm de chuva no mês passado — o equivalente a 21,9% da média de precipitação de julho, que é de 304,7 mm.

Calor extremo na Europa

Na Europa, a agência Météo France confirmou que julho de 2026 foi o mês mais quente já registrado na França desde o início da série histórica, em 1900. Com temperatura média de 24,9oC, o último mês bateu os recordes históricos de agosto de 2003 (24,8oC) e julho de 2006 (24,4oC). O calor intenso também causou um déficit hídrico significativo de quase 70% em média, o que colocou julho de 2026 como o terceiro mês mais seco da história francesa, depois de julho de 2022 (85%) e julho de 2020 (75%).

Assim como o mês anterior, julho apresentou uma anomalia significativa de temperatura, de +3,8oC, chegando a +5,2oC para as máximas, em comparação com a média normal de temperaturas. As temperaturas máximas foram impulsionadas por uma onda de calor de 4 a 19 de julho, a segunda do ano. Durando 16 dias, ela figura entre as ondas de calor mais longas já registradas no país, atrás apenas das de julho de 1983 (23 dias) e julho de 2006 (21 dias). Em seu auge, 37 departamentos franceses foram colocados em alerta vermelho de onda de calor e 46 em alerta laranja. Com o calor e a seca, a França enfrentou uma sequência de incêndios florestais que obrigaram mais de 200 mil pessoas a deixarem suas casas.

O clima extremo do verão na Europa trouxe reflexos tamb´´em para boa parte do Reino Unido. Dados do Met Office indicam que a Inglaterra e o País de Gales registraram o julho mais seco de sua história, com o sul da Inglaterra tendo o mês mais seco já registrado na série histórica, iniciada há quase 200 anos, em 1836.

Segundo a Met Office, o País de Gales e o sul da Inglaterra registraram seu julho mais quente da história em termos de temperatura média. Já na Inglaterra e no Reino Unido como um todo, julho passado foi o segundo mais quente da série histórica. Também foi o 6º mês consecutivo de 2026 com temperaturas acima da média em todo o Reino Unido.

As altas temperaturas foram intensificadas por uma forte incidência do sol. Em todo o Reino Unido, foi o julho mais ensolarado dos registros. Na Inglaterra e no País de Gales, foi o mês mais ensolarado de toda a história.

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Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade

Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade

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