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Crise climática: ONU cobra big techs por IA e lança ação contra metano


Antonio Guterres aponta combustíveis fósseis como vilão das crises no clima e na energia e alerta gigantes de tecnologia, sobre o custo oculto da inteligência artificial.


Em discurso na Semana de Ação Climática de Londres, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, destacou como a dependência mundial do petróleo está impulsionando tanto a crise climática quanto uma crise de soberania energética, esta última ligada à enorme interrupção do transporte marítimo no Estreito de Ormuz e à guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. “Essas crises podem parecer separadas, mas compartilham a mesma origem destrutiva: os combustíveis fósseis”, disse, cobrando, ainda, pela primeira vez ação imediata das big techs, as gigantes de tecnologia, sobre o custo oculto da inteligência artificial (IA).
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Ao falar enquanto Londres enfrentava um dos dias mais quentes já registrados em junho, Guterres alertou para a crise climática. “O El Niño não está apenas batendo à porta. Ele ameaça derrubar a casa”. E não poupou palavras ao criticar a indústria de combustíveis fósseis. “Não podemos insistir em um sistema baseado em combustíveis fósseis que impulsiona tanto a crise climática quanto a crise energética”, acrescentou. ressaltando que as fontes renováveis são, atualmente, a fonte de eletricidade mais barata, rápida e escalável.
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Veja o que já enviamosOutro ponto central de seu discurso foi o papel da IA no aumento da demanda global por energia. Embora tenha reconhecido que a IA pode ajudar a acelerar soluções climáticas, ele alertou que os centros de dados que a sustentam já consomem mais energia do que a maioria das nações. Grande parte dos danos ambientais tem sido, até agora, um “custo oculto”, observou ele, ressaltando que obter maior clareza sobre a pegada ambiental dos centros de dados tornou-se uma prioridade.
Um dos principais objetivos da nova iniciativa é fazer com que as grandes empresas de IA divulguem publicamente sua pegada ambiental, além de incentivar que os centros de dados sejam totalmente abastecidos por energia renovável até 2030. “Acredito que é possível e perfeitamente razoável esperar que o setor cumpra essa meta”, afirmou.
Segundo a AIE (Agência Internacional de Energia), projeta-se que a geração global de eletricidade para abastecer centros de dados cresça de 460 TWh em 2024 para mais de 1.000 TWh em 2030 e 1.300 TWh em 2035. Até o momento, o carvão responde pela maior parcela da energia gerada, fornecendo 30% da eletricidade, seguido por 27% provenientes de fontes renováveis. O gás natural e a energia nuclear compõem o restante do suprimento de eletricidade para o setor de IA, informou a agência.
Embora gigantes da tecnologia como Google e Microsoft tenham anunciado metas voluntárias de energia livre de carbono, a expansão acelerada dos centros de dados nos EUA gerou uma corrida pela construção de usinas a gás; atualmente, os EUA investem mais em energia baseada em combustíveis fósseis do que a China, alertou a AIE.
Guterres fez um apelo por liderança política para impulsionar uma mudança global semelhante àquela necessária para eliminar a gasolina com chumbo e banir os produtos químicos que causaram o buraco na camada de ozônio e lançou uma iniciativa com sete pontos para a independência energética.
Reduzir emissões rapidamente: as emissões devem atingir o pico agora e chegar a zero líquido até 2050, inclusive por meio de um esforço global para conter a poluição por metano.
Acelerar a energia limpa: a adoção de fontes renováveis precisa continuar, os subsídios para projetos de combustíveis fósseis devem acabar e os lucros desses combustíveis devem ser tributados para apoiar comunidades vulneráveis e a transição energética.
Tornar a IA mais limpa: exigir que as grandes empresas de IA divulguem o impacto ambiental de seus centros de dados e os abasteçam com energia renovável até 2030.
Garantir uma transição justa: assegurar que a mudança para energia limpa gere empregos, apoie comunidades e proporcione benefícios de desenvolvimento para países em desenvolvimento.
Reforçar a resiliência climática: aumentar o investimento em adaptação, sistemas de alerta precoce e outras medidas para proteger as pessoas mais vulneráveis aos impactos climáticos.
Viabilizar financiamento justo: ampliar o acesso a financiamento acessível para que países em desenvolvimento possam investir em energia limpa, adaptação climática e desenvolvimento sustentável.
Defender a ciência e a verdade: fortalecer a confiança na ciência, combater a desinformação climática e proteger jornalistas ambientais e defensores dos direitos humanos.
Apelo à ação sobre o metano
Durante um de seus últimos discursos à frente da ONU, Antonio Guterres, além de anunciar uma Iniciativa de Transparência Ambiental sobre IA, fez um apelo à ação para reduzir as emissões de metano. Ressaltando que as emissões de metano são atualmente responsáveis por um terço do aquecimento global, ele enfatizou que, ao contrário do CO₂, o metano se decompõe na atmosfera em uma ou duas décadas, prevendo que cortes mais agressivos poderiam gerar um alívio visível nas temperaturas dentro de uma geração.
Guterres chamou a atenção para o papel de três setores-chave na busca por soluções para o metano — as indústrias de resíduos, agricultura e combustíveis fósseis —, alertando que ações voluntárias já não eram suficientes. Em vez disso, convocou governos e a indústria a estabelecerem um novo padrão global para o setor de petróleo e gás, visando alcançar emissões de metano próximas de zero em toda a cadeia de valor. “Exorto a indústria de combustíveis fósseis a assumir sua responsabilidade e fazer o que já deveria ter sido feito há muito tempo”, frisou, ressaltando que a tecnologia para a mitigação das emissões de metano já está prontamente disponível – o mesmo ponto havia sido enfatizado na Rio Natutre & Climate Action, durante o o Fórum Metano: Freio de Emergência Climática.
O Apelo à Ação sobre o Metano, do Secretário-Geral da ONU, oferece um roteiro prático para governos, indústria e instituições financeiras reduzirem rapidamente as emissões de metano nesta década, por meio de soluções comprovadas e de custo-benefício favorável. Desenvolvido pela Equipe de Ação Climática do Secretário-Geral da ONU, em colaboração com parceiros da organização e instituições de referência, o Apelo à Ação destaca como a redução das emissões de metano pode gerar benefícios climáticos imediatos, além de proporcionar ar mais limpo, sistemas alimentares mais robustos e oportunidades econômicas.
Em resposta a esse apelo, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Bloomberg Philanthropies anunciaram esforços para ajudar os países a elevar para 80% a taxa de resposta a grandes vazamentos de metano em todo o mundo até 2030. Com financiamento da Bloomberg, o PNUMA fortalecerá e expandirá o Observatório Internacional de Emissões de Metano (IMEO) e seu principal projeto, o Sistema de Alerta e Resposta ao Metano (MARS), permitindo que países e empresas acelerem a mitigação nas maiores fontes globais de metano — os chamados “superemissores”.
A defesa de maior transparência nas emissões de metano tem sido um ponto central para investidores institucionais. No ano passado, uma coalizão de 44 grandes investidores, representando € 4,85 trilhões em ativos, pressionou a União Europeia a manter sua regulamentação sobre emissões de metano.
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Oscar Valporto
Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade





































