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Emissões de metano da agropecuária sobem no Brasil; e ambientalistas propõem ações para redução
Observatório do Clima lança relatório com 37 soluções para que o Brasil possa reduzir as emissões de CH4, gás considerado um dos vilões da crise climática
Apesar de as emissões de gás metano no Brasil terem ficado praticamente no mesmo patamar alarmante entre 2023 e 2024, as emissões da agropecuária, o setor que concentra as emissões brasileiras, subiram no período. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima, o Brasil lançou na atmosfera, em 2024, quase 21 milhões de toneladas de metano (20,7 toneladas contra 21,1 ton em 2023); e 76% vieram da agropecuária: 15,7 milhões de toneladas de metano em 2024 contra 14,5 milhões em 2023.
Com esses números, o Observatório do Clima lançou, nesta terça (18/08), além dos novos dados sobre os gases do efeito estufa, um relatório que reúne 37 soluções para que o Brasil possa reduzir as emissões de metano (CH4). Um dos grandes vilões da crise climática, o metano tem um potencial de aquecimento do planeta 28 vezes maior que o gás carbônico (CO2). “Já estamos ultrapassando o limite de aquecimento global estabelecido no Acordo de Paris e sentimos as consequências pelo planeta. Reduzir o metano é uma ação crítica para retornar à normalidade climática. Temos à disposição um amplo conjunto de soluções para fazer isso, mas o Brasil precisa transformar esse conhecimento em ação coordenada e com escala”, afirmou David Tsai, coordenador do SEEG, no lançamento do relatório.
As soluções trazidas no relatório são direcionadas a quatro setores de atividades: agropecuária, resíduos, mudança de uso da terra e florestas e energia. Para cada área são sugeridas ações de planejamento, financiamento, governança, operação e monitoramento. “Temos à disposição um amplo conjunto de soluções para fazer isso, mas o Brasil precisa transformar esse conhecimento em ação coordenada e com escala”, acrescentou Tsai, lembrando que, em 2021, o Brasil aderiu ao Compromisso Global do Metano, acordo assinado durante a COP26, em Glasgow, em que mais de 150 países assumem o compromisso de reduzir em 30% as emissões globais desse gás até 2030, em relação aos níveis de 2020.
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Veja o que já enviamosO Brasil é o quinto maior emissor de CH4 do mundo (atrás de China, Estados Unidos, Índia e Rússia), mas, assim como outros grandes emissores, não fez quase nada para implementar o compromisso de Glasgow.
Criação de gado, o vilão do metano
Dos 15,7 milhões de toneladas de metano liberados pelo setor da agropecuária em 2024, mais de 90% derivam da criação de gado. Para fazer frente a esse desafio, o caderno do SEEG lista 15 propostas. Elas abrangem desde planejamento territorial, assistência técnica, acesso ao crédito até mudanças no manejo dos sistemas produtivos e dos resíduos da produção animal.
Elaboradas pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), as saídas indicam que é preciso envolver as cadeias de produção e consumo, passando por governos, academia e instituições financeiras. “Mitigar metano na agropecuária é uma grande oportunidade para o setor, por incluir produtividade e eficiência na produção de alimentos. Essa edição do SEEG Soluções expande as estratégias já existentes, trazendo opções que podem ser implementadas por produtores, municípios e regiões do país”, ressalta Gabriel Quintana, coordenador da área de Ciência do Clima do Imaflora.
Dos 20 municípios que mais emitiram metano em 2024, de acordo com o SEEG, 14 tiveram a agropecuária como principal emissor: São Félix do Xingu, no Pará – segundo maior emissor na lista geral – liberou 150 mil toneladas de metano só pelo setor e Corumbá (4º no ranking geral) liberou 137 mil toneladas. Como exemplo do avanço da pecuária na Amazônia, outras 10 cidades da região – inclusive Porto Velho (RO), Marabá (PA) e Altamira (PA) estão entre as 10 maiores emissoras de metano.
Resíduos e outras fontes emissoras
O setor de Resíduos é o segundo mais impactante, com 16% do total de metano emitido pelo país (3,3 milhões de toneladas em 2024). Aterros e lixões liberam 68% desse total. As 12 soluções desse setor foram elaboradas pelo ICLEI América do Sul. Elas consideram redução na geração e no desperdício, encerramento de lixões, ampliação de coleta seletiva e aproveitamento energético, entre outras.
“A partir de 2010, o arcabouço legal brasileiro evoluiu, com a estruturação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas ainda temos muito o que avançar. Do ponto de vista prático, as cidades brasileiras podem se inspirar nas medidas que sinalizamos no caderno do SEEG, como a valorização dos resíduos orgânicos com foco em reduzir as emissões de metano”, disse Iris Coluna, assessora de Medição, Reporte e Verificação do ICLEI América do Sul.
O topo do ranking dos municípios emissores de metano em 2024 foi ocupado pelo Rio de Janeiro, que liberou mais de 200 mil toneladas na atmosfera, quase tudo (198.885 toneladas) relativo aos resíduos. Outras capitais também apareceram na lista de grandes emissoras pela liberação de metano por resíduos: São Paulo, terceiro na lista geral, com 168 mil toneladas do setor de resíduos, Fortaleza, 11º com 135 mil toneladas; e Brasília, 17º com 51 mil toneladas.
O setor de Mudança no Uso da Terra (MUT) e Florestas ficou em terceiro lugar, com 5,5% do total de metano do país (1,14 milhões de toneladas em 2024). O fogo é o único processo causador de emissões na contabilidade oficial do setor. Por isso, as cinco soluções elaboradas pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) são focadas no monitoramento, prevenção e combate a incêndios na vegetação nativa. “É preciso fortalecer a governança do fogo”, explicou a bióloga e zoóloga Bárbara Zimbres, pesquisadora do Ipam.
“À medida que as mudanças climáticas tornam os períodos de seca mais longos e intensos e ampliam o risco de incêndios”, destacou. Investir em prevenção, monitoramento e manejo integrado do fogo passa a ser uma estratégia de adaptação climática”, adicionou a pesquisadora.
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