Copa do Mundo 2026 começa com EUA vivendo a 2ª primavera mais quente em 132 anos

Jogadores se hidratam durante treino da seleção brasileira nos EUA: Copa do Mundo 2026 começa com país enfrentando segunda primavera mais quente em 132 anos (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)

Mundial de futebol vai enfrentar ameaças de calor extremo, umidade sufocante e tempestades capazes de atrasar partidas com pouco aviso prévio

Por #Colabora | ODS 13
Publicada em 11 de junho de 2026 - 10:36  -  Atualizada em 11 de junho de 2026 - 10:39
Tempo de leitura: 6 min

Jogadores se hidratam durante treino da seleção brasileira nos EUA: Copa do Mundo 2026 começa com país enfrentando segunda primavera mais quente em 132 anos (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
Jogadores se hidratam durante treino da seleção brasileira nos EUA: Copa do Mundo 2026 começa com país enfrentando segunda primavera mais quente em 132 anos (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)

Sede principal da Copa do Mundo 2026, que começa nesta quinta (11/06), os Estados Unidos estão encerrando a primavera deste ano registrando a segunda maior temperatura média já registrada para o período. Os dados divulgados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, sigla em Inglês) alertou para a continuidade das condições de seca em diversas áreas do território. Além do calor acima da média, os primeiros meses do ano registraram o período mais seco desde 1988 em parte do território continental estadunidense.

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As previsões indicam, além de temperaturas acima do normal em grande parte dos Estados Unidos, que a umidade vinda do norte do Golfo do México pode alimentar tempestades e condições climáticas severas durante as primeiras semanas da Copa do Mundo 2026. O primeiro jogo nos Estados serão na sexta-feira, 12/06, quando a seleção da casa enfrenta o Paraguai, em Los Angeles, com temperaturas previstas entre 25 e 30 graus. Para o primeiro jogo da seleção brasileira, no sábado, 13/06, contra Marrocos, o calor deve ser maior, com temperatura de 32º C.

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Segunda a NOAA, entre março e maio, a temperatura média nos 48 estados contíguos (excluindo Alasca e Havaí) alcançou 13,2°C – 2,1°C acima da média no último quarto do século passado: resultado coloca a estação entre as três mais quentes dos últimos 132 anos de medições e representa o maior índice desde 2012.

Em entrevista a Reuters, Chris Minson, professor de fisiologia e codiretor dos Laboratórios de Fisiologia do Exercício e Ambiental da Universidade de Oregon, afirmou que os jogadores de elite geram um calor interno enorme mesmo antes de se considerar o clima. “Setenta e cinco por cento de toda a energia que utilizamos durante o exercício é convertida em calor. Apenas cerca de 25% é usada para realizar o exercício em si”, disse Minson

Em condições quentes, ensolaradas ou úmidas, o sistema de resfriamento natural do corpo começa a apresentar dificuldades. A umidade é uma preocupação particular, já que o suor só resfria o corpo quando evapora. “Uma das maiores dificuldades para nós é quando a umidade está muito alta”, destacou o professor Minson. Sedes da Copa do Mundo com alta umidade incluem Houston, Dallas e Miami, onde o Brasil enfrenta a Escócia, no dia 24 de junho.

Pesquisa da Rede Mundial de Atribuição (WWA, na sigla em inglês) já havia indicado que 26 dos 104 jogos – um em cada quatro – deverão ocorrer em condições de risco real por conta do estresse térmico. O relatório “Fora do Jogo: Como as Mudanças Climáticas Podem Prejudicar a Copa do Mundo de 2026”, da Climate Central, indica que, das 104 partidas do mundial, 97 têm probabilidade de registrar temperaturas acima de 28º C, limite associado à queda de desempenho dos jogadores.

Antes do El Niño, o 2º maio mais quente

O calor preocupa o mundo inteiro, muito além da Copa do Mundo 2026, antes mesmo da chegada do super El Niño: o planeta registrou o segundo maio mais quente da história, informou nesta quarta-feira (10/06) o serviço climático da União Europeia, o Copernicus. O continente enfrentou no mês uma onda de calor precoce, à medida que extremos climáticos se tornam o “novo normal”. O mês de maio mais quente já registrado foi em 2024, segundo registros que remontam a 1940.

Neste ano, recordes foram registrados no Reino Unido, França, Irlanda e Portugal. Uma massa de ar quente vinda do norte da África elevou as temperaturas muito acima da média em toda a Europa Ocidental. O mês foi marcado por uma rápida transição: de condições muito mais frias que a média para uma das ondas de calor mais intensas já observadas na Europa Ocidental, observou o Copernicus em seu boletim de maio. O documento destaca que ondas de calor costumavam acontecer mais pra frente no calendário.

Isso demonstra “como extremos climáticos estão rapidamente se tornando o novo normal, em vez da exceção”, disse Samantha Burgess, responsável estratégica para o clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), que opera o Copernicus. As temperaturas de sensação térmica chegaram a entre 35°C e 40°C em grandes áreas da Europa, segundo o órgão. “A transição rápida provavelmente aumentou os impactos sobre as populações, deixando pouco tempo para que pessoas — ou lavouras e ecossistemas durante a estação de crescimento — se adaptassem a temperaturas muito mais altas”, afirmou o relatório.

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Texto produzido pelos jornalistas da redação do #Colabora, um portal de notícias independente que aposta numa visão de sustentabilidade muito além do meio ambiente.

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