ODS 1
França apresenta seu plano para eliminar combustíveis fósseis


Guiana Francesa e outros territórios ultramarinos estão incluídos no projeto de transição energética apresentado em Santa Marta


(Alice Martins Morais – Santa Marata/Colômbia*) – Zerar o consumo de carvão até 2030, de petróleo até 2045 e de gás fóssil até 2050 para fins energéticos. Essa é a promessa pública que a França fez nesta terça-feira (28), ao entregar seu próprio mapa do caminho, que orienta como vai fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis, na prática. E as medidas devem ser seguidas também pela Guiana Francesa e por todo o território ultramarino do país, de acordo com Benoit Faraco, embaixador da França para as negociações climáticas.
O anúncio foi feito em meio à Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, que ocorre em Santa Marta, na Colômbia. Segundo Faraco, esse é o resultado de um trabalho que o país vem fazendo há anos, com ênfase nos últimos quatro meses, quando o presidente Emmanuel Macron solicitou o documento.
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Já a conversa com a Guiana Francesa sobre não seguir pela rota da exploração petroleira foi iniciada há 10 anos. “Foi difícil, porque, do ponto de vista da Guiana Francesa, é compreensível que queiram ir por esse caminho. Eles têm poucas oportunidades de desenvolvimento econômico. Uma delas era os combustíveis fósseis, a outra era a exploração e mineração de ouro, o que às vezes também é desafiador do ponto de vista ambiental”, admite o embaixador.
Faraco, que é especialista francês em política ambiental, faz um paralelo com os próprios desafios da Amazônia brasileira em desenvolver um modelo econômico alternativo. “Vale mencionar que, há alguns meses, no parlamento francês, um partido apresentou uma proposta de lei para alterar a legislação francesa e reautorizar a exploração de combustíveis fósseis na Guiana Francesa. E o governo fez uma declaração clara de que isso não era uma opção”, complementa.
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Veja o que já enviamosO embaixador confia que existem outras alternativas que trarão mais benefícios para a comunidade local, para os povos indígenas e para as autoridades locais do que a exploração de combustíveis fósseis. Ressaltou também que todos os territórios ultramarinos franceses, incluindo a Guiana Francesa, devem alcançar uma matriz elétrica sem combustíveis fósseis até 2030.
Ele acredita que o território pode ter uma virada de chave importante nos próximos anos. Vizinha do Amapá, onde no momento há um bloco de exploração de petróleo em fase de prospecção, a Guiana Francesa depende do gás fóssil, mas, segundo Faraco, há um investimento significativo em hidrogênio e biomassa líquida. O embaixador aponta como um bom exemplo a La Reunion, ilha no Oceano Índico que faz parte do departamento francês.
De acordo com o francês, o carvão e o petróleo representavam 62% da matriz elétrica há seis anos, e agora 97% da energia vem de fontes consideradas renováveis nesse território. “Com o investimento certo e a tecnologia adequada, a transição energética é viável e acho que também é muito interessante para todos os países em desenvolvimento e menos desenvolvidos do planeta ver que temos soluções técnicas. O que precisamos é encontrar recursos financeiros para levar a solução de volta às comunidades”, explica.
Para eliminar gradualmente o carvão até 2030, o país europeu planeja fechar as suas duas últimas usinas termelétricas a carvão até o ano que vem (2027). Já para reduzir o consumo de petróleo, prevê uma eletrificação em larga escala do transporte, em consonância com as metas europeias de redução das emissões de CO₂ de veículos leves novos, o desenvolvimento de estações de recarga, mas também a eletrificação de veículos pesados de carga e ônibus.
Em paralelo, para reduzir o consumo de gás fóssil, planeja-se desenvolver métodos alternativos de aquecimento, como bombas de calor, ou melhorar a eficiência energética por meio da renovação de edifícios.
A França detalhou uma estratégia separada por setores e com diferentes marcos, sendo alguns dos principais: uma meta de 66% das vendas de carros novos serem de veículos elétricos até 2030; um aumento de 25% na utilização do transporte público (ônibus, trem etc.) até 2030; a descarbonização da indústria por meio de uma abordagem envolvendo os 50 maiores complexos industriais da França
*Alice Martins Moraes é jornalista especializada em ciência e meio ambiente, baseada em Belém
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