Desmatamento cai quase 10% na Amazônia e no Cerrado em 2025

Na Floresta Amazônica, foi o terceiro ano seguido de queda no desmate; Matopiba segue concentrando supressão da vegetação no Cerrado

Por Oscar Valporto | ODS 15
Publicada em 9 de janeiro de 2026 - 11:35  -  Atualizada em 9 de janeiro de 2026 - 12:42
Tempo de leitura: 7 min

Ação contra extração ilegal de madeira no Pará: desmatamento na Amazônia cai pelo terceiro ano consecutivo (Foto: Agência Pará)

Pelo segundo ano consecutivo, os alertas de desmatamento diminuíram na Amazônia e no Cerrado, os dois maiores biomas do país, reforçando a tendência de retração observada desde a retomada de políticas federais voltadas ao combate à devastação florestal. Em 2025, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia foi de 3.817 km², redução de 8,7% na comparação com 2024. No cerrado, o índice foi de 5.369 km², queda de 9,2% em relação ao ano anterior, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

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Os dados são do Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), do Inpe, e foram divulgados nesta sexta-feira (09/01). O Deter é um sistema de monitoramento em tempo quase real que identifica áreas com indícios de desmate e degradação florestal, servindo como ferramenta de apoio às ações de fiscalização do Ibama e de outros órgãos ambientais. Por se tratar de alertas preliminares, os números não substituem os dados consolidados do Prodes, sistema também do Inpe, que são divulgados anualmente e considerados o balanço oficial do desmatamento.

Na avaliação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), os resultados confirmam a continuidade de uma política ambiental mais ativa. Em nota, o ministério comandado por Marina Silva afirma que “a partir de agosto de 2025, início de um novo ciclo de monitoramento, os alertas do Deter ficaram abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior, indicando a continuidade da redução”. Para o MMA, o resultado reflete “a ampliação contínua, pelo governo do Brasil, das ações de prevenção e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, com atuação interministerial e de órgãos federais”.

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O ritmo de queda nas áreas sob alerta de desmate na Floresta Amazônica vem desacelerando desde o começo do Governo Lula, a partir dos índices escandalosas — mais de 10 mil km² em 2022 — deixados pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2023 o desmatamento na Amazônia caiu pela metade. Com o resultado de 2025, é o terceiro ano consecutivo de redução na área sob alerta de desmatamento no bioma. Em 2023, o total havia sido de 5.156 km², o que reforça a tendência de queda observada nos anos seguintes. Já em 2024, a redução foi de 19%.

O MMA disse ainda, em nota, que a desaceleração observada em parte de 2024 está associada à seca extrema, que elevou os índices de degradação florestal, especialmente em razão dos incêndios florestais. “Ainda assim, a tendência de queda do desmatamento foi mantida”, argumentou a pasta.

O estado de Mato Grosso respondeu por quase metade da área desmatada na Amazônia: 1.497 km², terceiro maior índice da série histórica, iniciada em 2015, o que representa representa um aumento de quase 60% em relação a 2024. O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, é um aliado do agronegócio, crítico da Moratória da Soja e vem até questionando os dados do Inpe, que mostram o avanço constante do desmatamento no estado.

Apesar de ainda terem índices altos de desmate, Pará (979 km²) e Amazonas (721 km²) foram destaque positivos na Amazônia, com melhoras nos números: quedas de 36% no Pará, sede da COP30 em novembro, e de 9% no Amazonas, com 721 km².

Sobre a Amazônia, o MMA destacou em sua nota sobre os dados do Inpe um conjunto de ações adotadas pelo governo federal para alcançar a meta de zerar o desmatamento até 2030 como a retomada e aceleração dos investimentos do Fundo Amazônia, com R$ 3,6 bilhões aplicados nos últimos três anos; o aumento da verba para fiscalização ambiental na Amazônia; e a implementação do programa União com Municípios, que prevê R$ 785 milhões em investimentos para o desenvolvimento sustentável de 81 municípios amazônicos.

Lavoura de soja avança sobre vegetação do Cerrado no Maranhão: bioma registra queda de 9% no desmatamento, concentrado ainda na região do Matopiba (Foto: Fernando Frazâo / Agência Brasil - 11/10/2025)
Lavoura de soja avança sobre vegetação do Cerrado no Maranhão: bioma registra queda de 9% no desmatamento, concentrado ainda na região do Matopiba (Foto: Fernando Frazâo / Agência Brasil – 11/10/2025)

No Cerrado, os alertas de desmatamento totalizaram 5.357 km² em 2025, contra 5.901 km² em 2024, o que representa uma queda de cerca de 9,2%. Esse é o segundo ano consecutivo de redução no bioma, após um período de forte avanço do desmatamento. Os estados com maiores áreas sob alerta foram Maranhão (1.190 km²), Tocantins (1.133 km²) e Piauí (1.005 km²). Os três fazem parte da região conhecida como Matopiba, marcada pela expansão do agronegócio. Em seguida, vem a Bahia, com 703 km² de vegetação perdida, o quarto estado que forma o acrônimo Matopiba.

No Cerrado, segundo a avaliação do Ministério do Meio Ambiente, a queda nos alertas de desmatamento está relacionada ao reforço das ações de fiscalização e controle em áreas consideradas prioritárias. Após as queimadas recordes registradas em 2024, o governo federal intensificou a presença nesses territórios, o que, de acordo com a pasta, vem contribuindo para a redução do desmatamento, embora os níveis ainda sejam considerados elevados.

Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade

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