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Aumenta número de brasileiros em nível inicial de consumo consciente

Momento é de motivar consumidores a serem mais sustentáveis

© by Crédito: Douglas Matsunaga / Yantra Imagens / Divulgação

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(Reportagem publicada originalmente no Coca-Cola Journey

O momento é ideal para motivar consumidores em nível inicial de consciência a trilhar o caminho da sustentabilidade. Essa foi uma das principais conclusões da pesquisa “Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações”, realizada pelo Instituto Akatu, com patrocínio da ONU Meio Ambiente, Coca-Cola Brasil, Grupo Boticário, Natura, Cargill e Unilever. A pesquisa, na sua quinta edição, foi feita com 1.090 pessoas, homens e mulheres de mais de 16 anos, pertencentes a todas as classes sociais e de 12 capitais e regiões metropolitanas do país. O levantamento de campo foi realizado em março e abril.

O estudo usou como ferramenta o Teste de Consumo Consciente (TCC), criado pelo Instituto Akatu em 2003. É um questionário com 13 comportamentos, tais como o de ler o rótulo dos produtos, separar o lixo indicado para reciclagem, usar o verso do papel, fechar torneira ao escovar os dentes, esperar alimentos esfriarem antes de colocar na geladeira, apagar luzes em ambientes desocupados, entre outros. A partir do número de comportamentos adotados rotineiramente as pessoas são segmentadas em quatro níveis: indiferentes, iniciantes, engajados e conscientes.

‘A conclusão geral da pesquisa é a de que o desejo do consumidor é pelo caminho da sustentabilidade, mas ainda há muito a ser feito’ – Hélio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu

Hélio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu — ONG que lançou a pesquisa na quarta-feira (25), no Sesc Consolação, em São Paulo — explicou  que houve uma evolução do grupo dos consumidores iniciantes, aqueles que têm algum grau de consciência na questão da sustentabilidade: este grupo passou de 32% (na pesquisa de 2012) para 38% da população atualmente.

O levantamento apontou que os menos conscientes (“indiferentes” e “iniciantes”) ainda são 76% da população. Um dado que surpreendeu os especialistas foi o baixo nível de consciência dos mais jovens. Os consumidores mais conscientes são o público feminino, com faixa etária mais elevada (24% têm mais de 65 anos), maior índice de escolaridade (40% possuem ensino superior), e com situação social mais elevada (52% são da classe AB). “Na população como um todo há apenas 4% de consumidores conscientes”, destacou Mattar.

Kavita Hamza, da Faculdade de Economia e Administração da USP, disse que o baixo engajamento dos jovens é preocupante porque eles são geralmente atores de mudança na sociedade. “Comparando essa pesquisa com estudos acadêmicos de outros países, percebemos que o perfil do consumidor mais consciente é o mesmo lá fora”, constatou.

Consumismo ou sustentabilidade?

O chamado consumo consciente não significa deixar de comprar, mas consumir melhor, sem excessos, com a consciência de que o produto ou o serviço adquirido estão num contexto maior do ciclo de produção.

Foram submetidas aos entrevistados questões relacionadas a dez temas (mobilidade, alimentação, estilo de vida, resíduos, energia, água, durabilidade, afetividade, compras e lazer). O objetivo era avaliar a preferência por trilhos do consumismo ou da sustentabilidade. Sete destes dez temas escolhidos estão relacionados ao modo sustentável de viver. O fio condutor nessa escolha é o desejo por um estilo de vida saudável, com alimentação nutritiva. Mas um tema relacionado ao consumismo teve alta preferência entre as classes mais baixas (C/D/E): o desejo de ter carro próprio. Isso porque esse grupo é o que mais sofre com a inadequação da relação custo-benefício do transporte público.

Entre as barreiras para hábitos mais conscientes está o fato de que 61% não sabem o que é um produto sustentável. Mas entre os que têm algum conhecimento sobre isso, o principal obstáculo para escolher esses produtos é o preço alto. Outra barreira é a falta de informação sobre impactos ambientais e sociais.

A pesquisa analisou os gatilhos que incentivam as práticas sustentáveis. Entre os chamados gatilhos emocionais estão o desejo de contribuir para um mundo melhor para os filhos, e de dar um bom exemplo para os outros. Há também os gatilhos práticos, relacionados aos benefícios concretos para a vida do consumidor, como saúde.

Realizada pelo Instituto Akatu, pesquisa sobre consumo consciente foi feita com 1.090 pessoas de 12 capitais e regiões metropolitanas do país (Crédito: Douglas Matsunaga / Yantra Imagens / Divulgação)
Realizada pelo Instituto Akatu, pesquisa sobre consumo consciente foi feita com 1.090 pessoas de 12 capitais e regiões metropolitanas do país (Crédito: Douglas Matsunaga / Yantra Imagens / Divulgação)

Saúde e economia em foco

Outra conclusão da pesquisa do Instituto Akatu é que continua firme e forte o chamado “comportamento de economia”, como desligar a luz, fechar torneira e desligar eletrônicos. Um dado interessante é o de que houve significativo aumento em atitudes como comprar produtos orgânicos e aqueles feitos com material reciclado. “As compras de produtos orgânicos, mesmo sendo mais caros, vem crescendo entre 25 e 30% ao ano, até mesmo em época de recessão. Isso mostra a preocupação do brasileiro com a saúde”, afirmou Mattar.

Responsabilidade social

Além de avaliar a consciência e o comportamento dos brasileiros rumo ao consumo consciente, a pesquisa detectou a percepção e a expectativa em relação às práticas de sustentabilidade e responsabilidade social das empresas. O levantamento mostrou que os consumidores valorizam as que cuidam das pessoas, envolvendo os funcionários, os deficientes físicos e a comunidade. Mais da metade (56%) espera que as empresas façam mais do que o previsto em lei e que olhem mais para a sociedade.

“A conclusão geral da pesquisa é a de que o desejo do consumidor é pelo caminho da sustentabilidade, mas ainda há muito a ser feito”, concluiu o diretor do Akatu. “Uma das forças que fazem as empresas sérias mudarem e evoluírem é o consumidor. Ele quer transparência, deseja produtos de qualidade e busca ser sustentável!”, completou Andrea Motta, diretora de Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil.

COCA-COLA BRASIL

 

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Escrito por Florência Costa

Jornalista freelancer, especializada em cobertura internacional e política, foi correspondente na Rússia pelo Jornal do Brasil e serviço brasileiro da rádio BBC. Em 2006 mudou-se para a Índia para ser correspondente do jornal O Globo É autora do livro “Os Indianos”.

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