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Eldorado dos Carajás, 30 anos: massacre, 19 mortos no local e só dois condenados
Dos 155 policiais militares levados a julgamento, apenas os oficiais comandantes foram condenados e só começaram a cumprir pena 16 anos depois dos crimes
Dos 155 policiais militares levados a julgamento, apenas os oficiais comandantes foram condenados e só começaram a cumprir pena 16 anos depois dos crimes
(Fotos de João Roberto Ripper / Imagens Humanas) – O massacre de Eldorado dos Carajás serviu para revelar não apenas a violência policial usada contra os trabalhadores rurais mas também a dificuldade em punir crimes no campo. Após as investigações do Ministério Público do Pará e a conclusão dos inquéritos civil e militar, 155 policiais militares – entre eles, oito oficiais – foram denunciados pela Promotoria de Justiça e submetidos a julgamento no Tribunal do Júri. Só dois réus foram condenados: os comandantes das duas tropas da criminosa operação policial.
Especial: O massacre de Eldorado dos Carajás pelo olhar de João Roberto Ripper
O tenente coronel PM Mario Colares Pantoja, que comandava a tropa de Marabá e oficial de maior patente e responsável pela operação, foi condenado a 228 anos de reclusão por 19 homicídios qualificados; a pena do major José Maria Pereira Oliveira, no comando da tropa de Parauapebas, pelos mesmos crimes, foi de 158 anos de prisão. Os outros 153 réus foram absolvidos por falta de provas da participação específica de cada um. Condenados no Pará ainda no ano 2000, Pantoja e Oliveira recorreram, quase sempre em liberdade, até 2012, quando o processo foi transitado em julgado e eles começaram a cumprir pena.
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Veja o que já enviamosDesde o começo das investigações ficou claro que o trabalho de punição dos responsáveis seria difícil pela ação dos próprios réus. “Durante a operação eles retiraram a identificação do uniforme, o local do crime estava inidôneo para perícia, devido aos corpos terem sido retirados do local, os policiais não assinaram as cautelas das armas, e ainda utilizaram armas particulares para executar as vítimas”, explicou o promotor Marco Aurélio Lima do Nascimento, à época titular da Promotoria de Curionópolis, quando o massacre de Eldorado dos Carajás completou 25 anos.
O Ministério Púbico pediu o desaforamento do julgamento de Curionópolis para Marabá e, posteriormente, para Belém, temendo tumultos e pressões. Um dos elementos para fundamentar o pedido foi o fato de que pelo menos 12 dos 21 jurados pré-selecionados para o julgamento em Marabá eram fazendeiros do Pará ou pessoas ligadas a eles. O julgamento, com seus 155 réus, foi desdobrado em 27 sessões, com três a sete acusados em cada uma delas.


A acusação sustentou a tese de homicídio qualificado, argumentando que as tropas deslocadas para obstruir a estrada tinham a intenção de matar, inclusive selecionando as vítimas entre as lideranças do MST – 13 dos 19 assassinados no ataque eram líderes locais. A acusação se apoiava nas provas periciais, com o trabalho do legista Nelson Massini, apontando que 11 dos sem terra foram atingidos por tiros na cabeça, sete foram atingidos por armas brancas e pelo menos três foram executados com tiros à queima roupa, em um total de 36 perfurações a bala para 19 vítimas.
Além disso, depoimentos testemunhavam que as tropas cercaram os manifestantes pelos dois lados e perseguiram os que fugiram para o mato. A acusação sustentou ainda que houve premeditação dos homicídios, já que os policias militares agiram sem identificação para encobrir a autoria dos tiros e que as cautelas (ou registros das armas nos quartéis) sumiram e reapareceram adulteradas meses depois.
A defesa argumentou que havia uma “guerra” entre os sem terra e os policiais. Apesar da discrepância absoluta no número de vítimas, a defesa alegou legítima defesa e sustentou que a acusação não conseguiu reunir provas suficientes para convencer os jurados da responsabilidade individual dos réus. De acordo com o advogado Carlos Guedes, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acompanhava o julgamento, durante três dias da sessão inicial do Tribunal do Júri com três oficiais no banco dos réus, o juiz Ronaldo Valle sistematicamente cerceou os poderes da acusação: além dos promotores, advogados do MST e o criminalista Nilo Batista, ex-secretário de Justiça e ex-vice-governador do Rio, funcionavam como assistentes de acusação.
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Oscar ValportoOscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade







































