Dia da Mulher: conheça 6 mulheres entre as mais relevantes da ciência no Brasil

Em meio a avanços e desigualdades na carreira científica, pesquisadoras brasileiras se destacam com descobertas de impacto nacional e global

Por Ana Carolina Ferreira | ODS 5
Publicada em 7 de março de 2026 - 16:48  -  Atualizada em 7 de março de 2026 - 17:01
Tempo de leitura: 10 min

O que uma proteína capaz de ajudar pacientes com lesão medular a recuperar movimentos, o sequenciamento recorde do genoma da Covid-19 e um catalisador que reduz emissões de gases poluentes têm em comum? Todos são resultados de pesquisas conduzidas por mulheres.

A participação feminina na produção científica brasileira é expressiva: em 2022, mulheres já respondiam por 49% dos autores de artigos científicos publicados no Brasil, segundo o relatório “Em direção à equidade de gênero na pesquisa no Brasil”, lançado em março de 2024 pela Elsevier-Bori. O Brasil também é o terceiro país do mundo com maior participação feminina na ciência.

Leu essa? As seis mulheres reunidas na série ‘Filósofas brasileiras’

Entretanto, essas mulheres não deixam de enfrentar desafios e desigualdades no meio acadêmico. Segundo o relatório, a presença de mulheres na ciência é maior no início da carreira, representando 51% entre os pesquisadores mais jovens, mas cai para 36% entre os mais experientes. E, apesar de representarem maioria nas bolsas de mestrado (54%) e doutorado (53%) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), as mulheres representam somente 35,5% das bolsas de produtividade — destinadas a pesquisadores de destaque em suas áreas.

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Neste Dia Internacional da Mulher, o #Colabora listou seis mulheres, suas trajetórias e contribuições para a ciência no Brasil.

A bióloga e cientista Tatiana Sampaio, no estúdio da TV Brasil no Rio de Janeiro: desenvolvimento de medicamento experimental que possibilita a recuperação dos movimentos de pacientes paralisados (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)
A bióloga e cientista Tatiana Sampaio, no estúdio da TV Brasil no Rio de Janeiro: desenvolvimento de medicamento experimental que possibilita a recuperação dos movimentos de pacientes paralisados (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)

Tatiana Sampaio

Tatiana Sampaio, nascida no Rio de Janeiro (RJ) em outubro de 1966, é coordenadora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ficou conhecida no país a partir do último semestre, apesar de sua pesquisa ter começado há quase 30 anos. Em agosto do último ano, publicou um estudo sobre a polilaminina, uma proteína capaz de regenerar as células da medula. A proteína é derivada da laminina, produzida naturalmente pelo corpo humano e pode ser encontrada na placenta.

Esse medicamento experimental possibilita a recuperação dos movimentos de pacientes paralisados e causou comoção após circularem nas redes sociais vídeos de pacientes paraplégicos e tetraplégicos com retorno de parte dos movimentos. A pesquisa é animadora e pode ser uma revolução no tratamento de lesões de medula, mas ainda está em fase de testes e não é um medicamento aprovado. Este ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o inicio da etapa de estudos clínicos.

Mulher ngra fala em um púlpito durante cerimônia do Prêmio Mulheres na Ciência na Câmara dos Deputados, com banner do evento ao fundo e outra mulher sentada ao lado observando.
Jaqueline Goes, uma das responsáveis pelo sequenciamento do novo coronavírus nos primeiros casos de covid-19 no Brasil, em discurso durante a cerimônia do Prêmio Mulheres na Ciência Amélia Império Hamburger 2022 (Foto: Raisa Mesquita/Câmara dos Deputados)

Jaqueline Goes de Jesus 

Jaquelines Goes nasceu em Salvador (BA), em outubro de 1989. Mestre em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI) pelo Instituto de Pesquisas Gonçalo Moniz – Fundação Oswaldo Cruz (IGM-FIOCRUZ), e doutora em Patologia Humana e Experimental pela Universidade Federal da Bahia. A pesquisadora ficou conhecida por ser uma das coordenadoras da equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do vírus SARS-CoV-2, junto da imunologista Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina da USP.

O sequenciamento foi coletado da amostra do primeiro brasileiro infectado por Covid-19 no Brasil, confirmado no dia 26 de fevereiro de 2020. A descoberta foi em tempo recorde, em apenas 48 horas após a confirmação do caso, e foi essencial para o início do enfrentamento à pandemia no país. 

Imunologista Ester Sabino sorri em frente a plantas, em retrato ao ar livre.
A médica imunologista Ester Sabino, professora da Universidade de São Paulo (USP) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, uma das lideranças do grupo responsável pelo sequenciamento do coronavírus em tempo recorde no Brasil (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasi)

Ester Sabino 

Assim como Jaqueline, Ester Cerdeira Sabino liderou o grupo de pesquisa responsável pelo sequenciamento do coronavírus em tempo recorde — pesquisadores de outros países levaram em média quinze dias para obter o mesmo resultado. Ester é uma imunologista e pesquisadora brasileira, nascida em São Paulo em 1960. Formou-se em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) em 1984, é doutora em Imunologia, e possui carreira dedicada a doenças infecciosas como HIV, Doença de Chagas e arboviroses.

Em 2021, foi homenageada com a criação do Prêmio Ester Sabino para Mulheres Cientistas do Estado de São Paulo pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Academia de Ciências do Estado de São Paulo.

A astrofísica Vivian Miranda, primeira mulher trans a realizar pós-doutorado nesta área na Universidade do Arizona (EUA): integrante de projeto para satélites da Nasa (Foto: Arquivo Pessoal)
A astrofísica Vivian Miranda, primeira mulher trans a realizar pós-doutorado nesta área na Universidade do Arizona (EUA): integrante de projeto para satélites da Nasa (Foto: Arquivo Pessoal)

Vivian Miranda

Destaque por ser a primeira mulher trans a realizar pós-doutorado em astrofísica na Universidade do Arizona, Vivian Miranda nasceu no Rio de Janeiro em 1986 e se formou pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além de ser doutora em astrofísica pela Universidade de Chicago, a pesquisadora também se destaca por ser a única brasileira em um projeto da NASA para desenvolver o satélite Nancy Grace Roman Space Telescope.

Em artigo para o site Ciência Hoje, Vivian escreveu que “não via a possibilidade de ser cientista e travesti ao mesmo tempo, e os dois sonhos eram igualmente importantes”, mas que encontrou acolhimento durante pós-graduações na Universidade da Pensilvânia e Universidade do Arizona, período em que assumiu sua identidade de gênero e realizou tratamentos de transição.

A engenheira química e bioquímica Viviane dos Santos: baiana desenvolveu catalisador que reduz a emissão de gases poluentes tóxicos (Foto: Arquivo Pessoal)
A engenheira química e bioquímica Viviane dos Santos: baiana desenvolveu catalisador que reduz a emissão de gases poluentes tóxicos (Foto: Arquivo Pessoal)

Viviane dos Santos

Viviane dos Santos Barbosa é uma engenheira química e bioquímica baiana, nascida em Salvador em 1975 e reconhecida mundialmente por desenvolver um catalisador (substância que acelera reações químicas e aumentam a eficiência), a partir da mistura entre os metais paládio e platina, que reduz a emissão de gases poluentes tóxicos. A partir desse trabalho, venceu em 2010 a International Aeorol Conference, na Finlândia, competindo entre 800 trabalhos científicos de todo o mundo.

Formada em química industrial pela UFBA, mudou-se para a Holanda nos anos 1990, onde concluiu bacharelado em engenharia química e bioquímica na Universidade Técnica de Delft, além de formar como mestre em nanotecnologia na instituição holandesa. 

 

Pneumologista Margareth Dalcomo sentada em bancada no plenário do Senado durante sessão de debates sobre políticas públicas para prevenção e tratamento do câncer de pulmão.
A pneumologista Margareth Dalcolmo durante sessão de debates no Senado Federal. Referência no estudo de doenças respiratórias e no combate ao tabagismo no Brasil, ela ganhou projeção nacional durante a pandemia de Covid-19 (Foto: Saulo Cruz/ Agência Senado)

Margareth Dalcolmo

Margareth Maria Pretti Dalcolmo, nascida no interior do Espírito Santo em 1954, é uma pneumologista, professora, escritora e pesquisadora brasileira, formada pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória e doutora em pneumologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela ficou conhecida por seu trabalho clínico e de pesquisa em tuberculose, outras micobacterioses e doenças respiratórias, além de ser uma das pioneiras na luta contra o tabagismo no Brasil.

Também alerta com recorrência para o uso de vape pelos jovens, avaliando que é uma “epidemia grave” em entrevista à Veja. Durante a pandemia de Covid‑19, tornou‑se uma das principais vozes científicas do país, divulgando informações em jornais, rádios, TV e artigos, o que lhe rendeu grande visibilidade pública e prêmios como o Prêmio Jabuti na categoria Ciências, em 2022 com o livro ‘Um tempo para não esquecer: a visão da ciência no enfrentamento da pandemia do coronavírus e o futuro da saúde’.

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Ana Carolina Ferreira

Estudante de jornalismo na Universidade Federal Fluminense (UFF). Gonçalense, ou papa-goiaba, apaixonada pelas possibilidades de se contar histórias na área da comunicação. Foi estagiária na Assessoria de Comunicação do Ministério Público Federal e da UFF. Amante da sétima arte e crítica amadora do universo geek.

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