Principal expoente da extrema-direita no país, Jair Bolsonaro é um criminoso condenado por tentativa de golpe de estado mas que, se a Justiça brasileira fosse mais célere e eficiente, deveria estar condenado por crimes contra a saúde pública e o meio ambiente. Todo brasileiro tem a obrigação de lembrar do papel decisivo do então presidente para o avanço da covid-19 que matou mais de 700 mil pessoas no país – número que talvez tivesse ficado pela metade sem o negacionismo, o desleixo e a incompetência de Bolsonaro, o pai.
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Bolsonaro, o filho, já declarou que o aquecimento global era um discurso apocalíptico para barrar o progresso, na linha do seu ídolo (e o mais poderoso representante da extrema-direita no planeta), Donald Trump, para quem a crise climática é a “maior farsa do mundo”. Recentemente, na sabatina no Jornal Nacional, Flávio minimizou os eventos extremos provocados pelas mudanças do clima. “Tem épocas cíclicas que fazem mais calor, tem épocas que fazem mais frio, tem épocas que chove mais; e eu não acho que isso tem a ver diretamente só com a influência do ser humano”.
Todos os estudos científicos concluem que as mudanças climáticas são causadas por ação humana. O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), a maior reunião de especialistas em pesquisas climáticas, também confirma que o aquecimento global é inequivocamente causado por atividades humanas. E o Brasil é estratégico para conter a crise climática porque abriga a maior parte da maior floresta tropical do mundo: a Amazônia atua como um sumidouro de carbono, absorvendo gás carbônico e combatendo o efeito estufa, que impulsiona o aquecimento global. Com esse papel, a floresta influencia os padrões climáticos, atenuando as mudanças climáticas.
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Veja o que já enviamosBolsonaro, o pai, foi um criminoso ambiental na Amazônia. Foi omisso no combate ao desmatamento, incentivou o garimpo ilegal, permitiu a invasão de terras indígenas, onde a natureza é mais protegida, estimulou a ocupação descontrolada de áreas públicas para exploração privada. Análise do InfoAmazonia, com base em dados oficiais do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), aponta que Amazônia perdeu 690 mil árvores por dia a mais no governo de Bolsonaro, o pai, do que neste governo Lula, que reduziu significativamente o desmatamento.
A eleição de Flávio, o filho, aponta para a retomada da destruição acelerada da floresta o que ameaça o clima do planeta, levando a eventos climáticos cada vez mais extremos: chuvas mais intensas e concentradas, secas mais prolongadas, ondas de calor mais fatais. No Brasil e em todo o planeta. A crise climática, preveem os cientistas, vai deixar regiões inteiras inabitáveis, provocará a subida do nível dos oceanos, engolindo cidades costeiras e países insulares, reduzirá as áreas férteis para cultivo de alimentos, gerando fome, migrações e conflitos. É um cenário apocalíptico mesmo, que vai atingir, primeiro e como sempre, os mais pobr. Por isso, Bolsonaro, o filho, é um candidato para antecipar o fim do mundo.
Tem gente no Brasil que já esqueceu a tragédia sanitária facilitada por Bolsonaro, o pai. Tem mais gente ainda sem noção do desastre ambiental provocado na Amazônia no governo de Jair e do desastre climático planetário que a retomada da destruição pode causar – mas há muitos brasileiros que sabem. Recomendo a leitura de artigo na revista Piauí do seu fundador, João Moreira Salles (bilionário, herdeiro, produtor de cinema), citando empresários, acionistas e executivos do seu patamar que legitimam a candidatura de Bolsonaro, o filho. O artigo ‘O que esses brasileiros sabem” cobra líderes do setor bancário, da siderurgia, da energia renovável, da mineração, da indústria eletrônica, da farmacêutica, da comunicação, por ignorarem os riscos à democracia e às conquistas da sociedade brasileira da volta de um Bolsonaro ao poder.
Esses brasileiros também sabem da ameaça planetária da crise climática: ela faz parte dos relatórios de sustentabilidade de suas empresas e empreendimentos e está na análise de riscos das consultorias de investimento. Por isso, muitas empresas que controlam ou dirigem são responsáveis por ações socioambientais para, pelo menos, aparentar alguma preocupação com o clima. Esses brasileiros, no fundo, sabem que Flávio, o filho, é uma ameaça ao futuro do país e do planeta – mas eles só estão preocupados com o que podem faturar agora.
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