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Combustíveis fósseis: alertas sobre insegurança energética marcam sessão de alto nível em Santa Marta


Ana Toni afirma que guerra no Irã mostra que fim da dependência do petróleo é vital para o clima, para a segurança econômica e para a paz


A plenária de abertura do Segmento de Alto Nível da 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, na Colômbia, na 3ª feira (28/4), foi marcada por declarações sobre dependência de petróleo, soberania energética e segurança e com referências ao Brasil pelo impulso às discussões pelo Mapa do Caminho na COP30, em Belém.
Na abertura da sessão, a ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres, disse que realizar a conferência em Santa Marta é a expressão da contradição dos tempos atuais. A cidade, banhada pelo Mar do Caribe, tem belezas naturais e é, ao mesmo tempo, local de um relevante porto exportador de carvão, uma fonte de energia suja.
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Irene Vélez ressaltou que era preciso celebrar os países presentes, e não se distrair pelos que não estão. A fala está relacionada a uma questão que se repete em Santa Marta: a ausência dos principais países poluidores no mundo, Estados Unidos – que não foram convidados, segundo o New York Times – e China, além de outro relevante ator petroleiro, a Rússia.
Stientje van Veldhoven, ministra de Clima e Desenvolvimento Verde dos Países Baixos – que copreside a conferência – agradeceu ao Brasil, especialmente à Ana Toni, diretora-executiva da COP30, uma das representantes do governo brasileiro na cúpula. “Nosso objetivo é apoiar seus esforços”, disse.
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Veja o que já enviamosEm seu discurso, a diretora-executiva da COP30 relembrou o discurso do presidente Lula na conferência do clima em Belém, em defesa de um mapa do caminho para além dos combustíveis fósseis, e afirmou que a guerra no Irã mostrou até para céticos que o abandono do petróleo e do gás é vital não somente para a questão climática, mas para a segurança econômica e para a paz. O conflito fez disparar preços e restringiu a oferta, afetando o abastecimento mundial.
Ana Toni reforçou que o debate sobre o fim dos combustíveis fósseis, que quase implodiu a COP30, tornou-se central com o conflito no Oriente Médio, destaca o Valor. “Para cada quatro pessoas no planeta, três vivem em países que são importadores de combustíveis fósseis. A maioria das pessoas do mundo depende de importá-los. E estão vendo as desvantagens”.
Na plenária em Santa Marta, o comissário europeu para a Ação Climática, Wopke Hoekstra, enfatizou que a eliminação gradual dos combustíveis fósseis é essencial para alcançar a “independência”, destaca o Libération. “Estamos perdendo meio bilhão de euros por dia na Europa enquanto essa guerra dura. Já tínhamos um ótimo motivo para agir em relação às mudanças climáticas, fazendo essa transição. Agora temos outro, por razões comerciais e de independência. Então, vamos em frente”, declarou.
A crise energética gerada pela guerra também foi lembrada por Rachel Kyte, representante especial para o clima do Reino Unido. “Seria irresponsável ignorar a segunda crise dos combustíveis fósseis em cinco anos [a anterior foi a invasão da Ucrânia pela Rússia]. Uma crise que prova, de uma vez por todas, que a instabilidade e a insegurança que vêm da nossa dependência dos combustíveis fósseis precisam acabar”, frisou.
O presidente colombiano Gustavo Petro participou da sessão e advertiu que “a floresta amazónica está ardendo”, acrescentando que “sem ela chegamos a um ponto sem retorno”. Petro afirmou que as negociações da ONU sobre o clima ficaram aquém do esperado: “a unidade dos estados falhou”. E associou os conflitos atuais à dependência energética. “As guerras a que assistimos são motivadas por estratégias geopolíticas desesperadas em torno dos recursos fósseis”, afirmou o presidente da Colômbia.
Ambientalistas destacaram a necessidade de ações concretas a serem decididas na conferência. “Os riscos de segurança associados à energia fóssil são inegáveis; a implementação gradual de energias renováveis significa estabilidade e um futuro viável em um mundo cada vez mais instável. Ouvimos isso com clareza esta manhã de representantes do Pacífico, da América Latina, da África e de outras regiões. Agora, nossos governos, principalmente os países desenvolvidos, precisam ir além das palavras e implementar ações para deixar para trás o carvão, o petróleo e o gás, para que todos possamos prosperar em um mundo mais justo e pacífico”, comentou Rodrigo Estrada, Consultor Sênior sobre Clima do Greenpeace Internacional
A Conferência já reuniu mais de 1.500 participantes de diferentes países e setores. “Realizamos cerca de 20 eventos, desde a Assembleia Popular até vários workshops e grupos de trabalho. Recebemos aproximadamente 35 parlamentares de todo o mundo, representando uma coalizão de parlamentares que vai além dos combustíveis fósseis. Além disso, mais de 10 governos subnacionais estão participando, incluindo uma delegação do estado da Califórnia (Estados Unidos), que estão comprometidos em contribuir e alcançar resultados a partir dessas discussões”, destacou Irene Vélez, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia.
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