ODS 1
Reciclagem: Portugal passa a pagar por devolução de embalagens de plástico


Novo sistema adicionou 10 centavos de euro na compra de garrafas e também latas de metal que são reembolsáveis se consumidor entregar para reciclagem


Com a taxa de reciclagem muito abaixo da média europeia, Portugal acaba de lançar o Volta, seu novo Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebidas. Cerca de 2500 pontos de recolhimento automático foram instalados em super e hipermercados, além de 48 quiosques em áreas muito movimentadas, que permitem devolver grandes quantidades de embalagens de uma só vez. As máquinas também podem ser encontradas em cafés, restaurantes, bares e similares onde as embalagens foram adquiridas.
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O sistema introduz um mecanismo aparentemente simples: por cada garrafa ou lata adquirida – de plástico, alumínio ou aço, até três litros – o consumidor paga um depósito de 0,10 euros, valor que é integralmente devolvido quando a embalagem é entregue num ponto de recolhimento. Ao inserir a embalagem na máquina, o consumidor recebe o valor do depósito sob diferentes formatos, à sua escolha O reembolso pode ser entregue através de um voucher convertido em dinheiro, desconto no ponto de venda, crédito em cartão de fidelização ou soluções digitais, ainda em desenvolvimento. Também será possível optar por doar o valor a instituições.
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Veja o que já enviamosPara que a devolução seja aceita, as embalagens devem apresentar o símbolo “Volta” e o código de barras legível, além de estarem vazias e intactas. As autoridades portuguesas enfatizaram este ponto já que, até agora, o que se pedia aos consumidores era para compactar latas e garrafas para que ocupassem menos espaço nos ecopontos de reciclagem. No novo sistema, no caso das garrafas, a tampa também deve acompanhar a embalagem.
O projeto foi desenvolvido por um consórcio que reúne as indústrias dos refrigerantes, águas e cervejas — responsáveis por 90% do mercado — e as empresas do varejo de alimentos, que representam cerca de 80% do setor. Volta: latas e garrafas com sistema de caução e reembolso a partir desta sexta-feira. “É um desafio. Em Portugal consomem‑se 2,1 mil milhões de unidades por ano”, disse Leonardo Mathias, presidente da SDR Portugal, a entidade gestora do novo sistema de depósito e reembolso. no lançamento do Volta. “Estivemos por 35 ou 37 anos a dizer à população para tirar a tampa, esmagar a garrafa e colocá‑la no ecoponto. Agora estamos pedindo exatamente o contrário”, admitiu.
O objetivo do sistema Volta é permitir a Portugal cumprir as metas europeias de recolhimento seletivo de embalagens de bebidas de utilização única até três litros, fixadas em 90% até 2029. A trajetória nacional prevê taxas entre 40% e 70% no primeiro ano já em 2026, 80% em 2027 e o objetivo europeu no final da década. “O Sistema de Depósito e Reembolso é uma verdadeira reforma estrutural, com impactos concretos e mensuráveis na vida dos cidadãos”, afirmou a ministra do Ambiente e Energia de Portugal, Maria da Graça Carvalho, na sessão de apresentação.
O novo sistema SDR de garrafas e latas foi desenvolvido depois de Portugal ter apresentado, em 2024, uma taxa muito baixa de utilização de materiais reciclados, de cerca de 3%, a terceira mais baixa entre os Estados-membros da União Europeia. Portugal atualmente recicla 37% das garrafas, um valor muito abaixo da meta europeia estabelecida para 2030, de 70%.


De acordo com o governo de Portugal, a implementação do sistema representa um investimento estimado em 150 milhões de euros e deverá gerar cerca de 1500 postos de trabalho diretos e indiretos, ligados à instalação de equipamentos, logística, triagem e desenvolvimento tecnológico. Depois de recolhidas, as embalagens seguem para centros de contagem e triagem em Lisboa e no Porto, onde são preparadas para reciclagem. O objetivo é manter a qualidade dos materiais para que possam voltar a ser utilizados na produção de novas embalagens, reforçando o modelo de economia circular.
O sistema está em vigor com um período de transição entre 10 de abril e 9 de agosto de 2026, durante o qual vão coexistir no mercado embalagens com e sem o novo símbolo “Volta” indicando aquelas com acréscimo de 0,10 euros e passíveis de reembolso se depositadas para reciclagem. A partir de 10 de agosto, todas as embalagens abrangidas passarão a integrar o sistema e estarão marcadas com o “Volta”.
Os responsáveis pela gestão acreditam que, apesar do investimento tecnológico e logístico, a maior incógnita não está nas máquinas, mas na atitude dos consumidores. “É natural que as pessoas tentem pôr na máquina uma embalagem que não é Volta, ou uma garrafa esmagada, e que fiquem zangadas com o sistema”, admitiu Leonardo Mathias, do SDR. “Vai ser uma aprendizagem para os consumidores.”
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